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Taxa anual de inflação chega a 40,7% em fevereiro na Argentina

Consumidor/AR - O índice de preços ao consumidor na Argentina desacelerou para 3,6% em fevereiro, na variação mensal, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). A taxa anual de inflação, no entanto, acelerou para 40,7%. Em janeiro, a inflação mensal ao consumidor havia sido de 4%, enquanto a anual chegou a 38,5%, segundo o Indec.

Fonte: Fonte: Valor Econômico | Foto de capa: Pixabay
Taxa anual de inflação chega a 40,7% em fevereiro na Argentina

Em fevereiro, dentre os setores que mais tiveram alta estão os de hotéis e restaurantes (5,4%), transporte (4,8%) e alimentos e bebidas não alcoólicas (3,8%). A alta da taxa anual para 40,7% coloca em dúvida as projeções do governo que espera inflação de 29% para este ano. 

Consultorias privadas falam em 50%. Parte da alta inflacionária ao longo dos últimos 12 meses deve-se à monetização do déficit fiscal, ou seja, financiamento do Tesouro pelo Banco Central da República Argentina (BCRA) por meio de emissão monetária para cobrir o rombo orçamentário. Informe da consultoria Orlando J. Ferreres & Asociados mostra que, no ano passado, 90% do déficit fiscal foi financiamento com emissão monetária — o orçamento prevê que, neste ano, 60% do déficit seja financiado dessa maneira. 

Mas o Fundo Monetário Internacional (FMI) quer que 30% do déficit fiscal seja coberto com ajuda do Banco Central, segundo fontes. A alta inflacionária, segundo economistas, é um dos maiores entraves tanto ao acordo com o FMI, que deve ser alcançado no segundo semestre, quanto à recuperação da economia argentina — que apresentou contração por volta de 10% em 2020 e deve ter expansão de pouco mais de 6% neste ano, segundo consultorias privadas. 

“Controlar a inflação não é uma tarefa simples, ainda mais no caso da Argentina, que tem inflação de dois dígitos há quase 15 anos”, afirma Nicolás Alonzo, coordenador da Orlando J. Ferreres & Asociados. Ele afirma que, hoje, a inflação está incorporada nas decisões dos agentes, que têm expectativas e se antecipam em relação à esperada alta da inflação.

Por Marsílea Gombata, Valor — São Paulo

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