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Especiais Selectus nº 6095

Mudanças Climáticas e a Pecuária Leiteira

Mudanças Climáticas - Neste Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, comemorado hoje (16 de março), é importante levantar os desafios que nosso planeta enfrenta e as ações que são realizadas para reverter essas mudanças climáticas. Seus impactos afetam desde a produção de alimentos até o aumento do nível do mar. Por isso, vamos abordar como tema as mudanças climáticas e a pecuária leiteira.

Fonte: Fonte: Terra Viva – Dados: Relatório Climate Change and the Global Dairy Cattle Sector; Embrapa; Danone | Foto de capa: Pixabay
Mudanças Climáticas e a Pecuária Leiteira

Uma das principais causas das mudanças climáticas está associada ao aumento dos gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera, pois aumentam o potencial de aquecimento global. Dentre os principais GEEs estão o metano (CH4), dióxido de carbono (CO2) e óxido nitroso (N2O).

Em 2019, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura FAO juntamente com a Global Dary Plataform (GDP) publicaram o relatório Climate Change and the Global Dairy Cattle Sector, que trata sobre as mudanças climáticas e a pecuária leiteira.

O estudo teve como objetivo analisar a contribuição da pecuária leiteira para a emissão de GEEs, além de identificar pontos oportunos para redução dessas emissões, auxiliando o setor lácteo a tomar decisões para o cumprimento do Acordo de Paris.

O estudo mostra que as emissões de GEE do setor aumentaram 18% entre 2005 e 2015 devido ao crescimento substancial da produção de leite global (30%), em resposta ao crescimento da demanda do consumidor por laticínios. Neste mesmo período, o rebanho leiteiro mundial aumentou 11% ao mesmo tempo em que a produtividade aumentou 15%.

O setor de laticínios tem visto um aumento contínuo na produtividade e, com isso, redução nas emissões. Essas mudanças são resultadas de melhorias em nutrição, genética, reprodução, controle de doenças, melhores práticas no uso de fertilizantes e melhores práticas de manejo.

Isto mostra que sem considerar os ganhos em produtividade e com a mesma produção, as emissões totais teriam aumentado em 38% e não 18% nesses dez anos.

O estudo conclui que são necessários um conjunto de ações para a atividade leiteira fazer sua parte, como a incorporação de tecnologias, melhores práticas de manejo, redução no uso de energias fósseis, controle de doenças, melhora no manejo do solo aumentando a quantidade de carbono estocado como forma de compensação das emissões de GEE para a atmosfera, aumento de produtividade do rebanho leiteiro. Sempre levando em consideração a diversidade do setor e das pessoas que nele estão inseridas.

>> Acesse aqui o Relatório Climate Change and the Global Dairy Cattle Sector na íntegra

Ações para redução de emissões no Brasil

- Plano ABC

Tem por finalidade a organização e o planejamento das ações a serem realizadas para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis, selecionadas com o objetivo de responder aos compromissos de redução de emissão de GEE no setor agropecuário assumidos pelo país.

De 2010 a 2018, aproximadamente 50 milhões de hectares já adotaram as tecnologias previstas no Plano ABC, conforme publicação da Embrapa  e do Lapig/UFG . Os dados consideram, além das áreas financiadas com recursos do Programa ABC, aquelas com investimentos dos próprios produtores e outras linhas de créditos.

A tecnologia mais buscada pelos produtores rurais para financiamento pelo Programa ABC é a recuperação de pastagens degradadas, que soma 372,5 mil hectares, seguida pelo plantio direto (307,9 mil ha), integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e sistemas agroflorestais (47,2 mil ha).

>> Fonte: Mapa

- Pecuária Leiteira de Baixo Carbono

A Embrapa e a Nestlé vão desenvolver um protocolo para pecuária de leite de baixo carbono. Além da redução das emissões, a parceria prevê o aumento da remoção dos gases de efeito estufa nas propriedades produtoras de leite. Indicadores de sustentabilidade desenvolvidos pela Embrapa e a implementação de boas práticas de produção nas fazendas leiteiras vão integrar o protocolo e auxiliar no objetivo da Nestlé de neutralizar todas as emissões de suas operações, incluindo suas cadeias de fornecimento, até 2050, com metas intermediárias de redução de 20% até 2025 e de 50% para 2030.

A Embrapa desenvolve pesquisas e tecnologias para tornar a agropecuária eficiente e produzir mais alimento de uma forma sustentável. Soluções tecnológicas, como sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperação de pastagens degradadas e uso de aditivos na nutrição, têm apresentado bons resultados na redução de emissões, no sequestro de carbono e contribuído para o desenvolvimento de uma agropecuária em harmonia com o meio ambiente e em sintonia com as tendências do mercado nacional e internacional.

>> Fonte: Embrapa

- Agricultura Regenerativa

A Danone fará investimento em projetos de agricultura regenerativa, onde fará uma expansão de 3 para 188 hectares nos próximos anos, trazendo vantagens promissoras para o solo e a biodiversidade e também para a sociedade brasileira.

O projeto envolvido nesta expansão é o Projeto Flora (também chamado de IPF - Integração Pecuária Floresta), que propõe aos produtores de leite uma integração entre pasto e floresta, que ajuda a reter carbono no solo com o novo plantio de diversas espécies arbóreas e, consequentemente, aumenta também o bem-estar do animal e melhora ainda mais a qualidade leite, matéria-prima essencial para a fabricação de alimentos Danone.

A agricultura regenerativa é como um pacote de práticas que ajudam a visão da área não como algo negativo na emissão de gases do efeito estufa, mas como uma parte da solução, que ajuda a reter carbono no solo, melhorando a biodiversidade no planeta.

Uma dessas práticas que a Danone investe é a da integração lavoura – pecuária - floresta na qual o tipo de plantio varia de acordo com a quantidade de espécies no sistema e alocação delas. O primeiro investimento do projeto Flora foi a implementação de uma Unidade Demonstrativa que servirá como Fazenda Escola aos produtores, onde eles poderão fazer dias de campo e conhecer os benefícios que eles terão, além de aumenta engajar outros produtores e fazendas para ampliar essa cadeia de parceria.

>> Fonte: Danone

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