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‘Teste de fogo’ , Brasil atrai agtechs da América Lati

Agronegócio - Fundada na Bolívia há mais de uma década, a agtech Digital Farms, de agricultura de precisão, vai intensificar sua atuação no Brasil, país de origem de seu fundador, Rafael Ghirelli Húngaro. No ano passado, a empresa monitorou 70 mil hectares de terra na Bolívia e 30 mil no Brasil.

Fonte: Fonte: Valor Econômico | Foto de capa: Pixabay
‘Teste de fogo’ , Brasil atrai agtechs da América Lati

Para 2021, a meta é dobrar a área brasileira. A Digital Farms é um dos exemplos de startups do agronegócio latino-americanas que, com trajetórias consistentes em seus países de origem, fazem do Brasil uma de suas plataformas de expansão. 

Não raro, o mercado brasileiro tem se tornado o foco do crescimento dessas empresas. Húngaro tomou a decisão de ampliar as operações no Brasil depois de montar uma consultoria, uma loja de insumos e de criar a Digital Farms no país vizinho. 

“A Bolívia tem 1,5 milhão de hectares com as principais culturas agrícolas e está expandindo áreas na fronteira com o Mato Grosso. Mas, mesmo com tudo isso, ainda é um mercado pequeno se comparado ao brasileiro”, diz. A Digital Farms responde por 10% do faturamento da holding Hungaro Capital, de R$ 18,5 milhões em 2020. 

A agtech desenvolveu uma metodologia própria de coleta de solo - que, baseada em análises de imagens de satélite, divide em glebas irregulares as áreas dos clientes. Com essas informações, ela gera mapas de fertilidade e faz recomendações de aplicação de corretivos e adubos específicas para cada área. A solução tem sido comercializada por um time próprio e também via revendas tanto no Brasil como na Bolívia.

A argentina Eiwa também voltou-se ao Brasil em sua estratégia de crescimento. A startup, que usa aprendizado de máquina e inteligência artificial para monitorar ensaios de pesquisa de sementes e defensivos agrícolas para empresas multinacionais, estreou no mercado brasileiro em 2016, dois anos após ser criada.

Hoje, o Brasil já responde por 30% da sua receita, atrás apenas dos Estados Unidos (50%) e à frente da Argentina (20%). Ao todo, são cerca de 2 milhões de parcelas monitoradas digitalmente, segundo Giovanni Arduini, que coordena as operações no Brasil do centro de inovação AgTech Garage, de Piracicaba (SP) desde 2019. 

Além do tamanho, a maturidade do mercado brasileiro é outro atrativo para as startups do agronegócio de países vizinhos. Matías Badano, diretor da Nanotica Agro, de insumos nanotecnológicos, afirma que a capacidade dos produtores brasileiros de absorver novas tecnologias e o arcabouço técnico disponível no país foram decisivos para a chegada planejada em 2020. “No momento, estamos a ponto de fechar uma parceria e abrir uma joint-venture local para produzir, distribuir e comercializar nossos produtos, além de desenvolver novos”, diz. 

Para Franco Basaldella, CEO da Rubikia, que oferece soluções para operações de compra e venda de commodities, a entrada no Brasil em 2021 será um grande salto para a empresa, que lançou seu produto inicialmente no mercado argentino de commodities e capitais, seis vezes menor que o brasileiro. 

“Agora nos consideramos prontos para entrar em um mercado de maior volume e mais profissional”, afirma. A ZoomAgri, que atua no segmento de análise da qualidade de sementes, destaca o Brasil como alvo do seu crescimento, apesar de já atuar em 14 países da América Latina, além da Europa e Ásia. No ano passado, a startup instalou seus primeiros equipamentos em clientes de Guarapuava (PR) e Passo Fundo (RS). 

“O Brasil é um mercado que, além de grande para o nosso setor, é muito complexo, dadas as distâncias envolvidas e as questões climáticas, mas do qual não podemos ficar de fora”, afirma Fernando Martinez de Hoz, cofundador da ZoomAgri. Desde 2018, a empresa recebeu US$ 3,4 milhões em investimentos, incluindo da aceleradora Global Managers e de family offices. A entrada de agtechs latino-americanas no mercado brasileiro costuma ficar um pouco mais fácil quando o país de origem delas faz fronteira com o Brasil. 

Com atuação na Região Sul desde 2018 e parceira da agtech gaúcha ConnectFarm, a Auravant considerou apenas neste ano montar um escritório no país. A plataforma monitora lavouras usando imagens de satélites e de drones e faz recomendações agronômicas. A startup tem 17 mil usuários em mais de 60 países e monitora 6 milhões de hectares, conta Fernando Calo, diretor de marketing da Auravant.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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