Argentina encolhe 9,9% em 2020 e terá retomada limitada neste ano
PIB/AR - A economia argentina contraiu-se 9,9% no ano passado, em função da pandemia, e deve ter uma recuperação modesta neste ano. Economistas preveem que o PIB terá expansão de até 7% neste ano, mais por efeito de carregamento estatístico do que pelo crescimento da economia.


Economistas privados preveem uma retomada modesta neste trimestre e para 2021. Segundo consultorias, a economia deve crescer de 0,8% a 1,4% no primeiro trimestre e entre 6,1% e 7% neste ano.
“Estimamos que o PIB crescerá 6,1% em 2021, mas isso se explica pelo carregamento estatístico”, diz Nicolás Alonzo, da consultoria Orlando J. Ferreres & Asociados. “Não há outros fundamentos que permitam recuperação mais ampla.”
Mas há riscos a essa retomada prevista, afirma Andrés Borenstein, da consultoria Econviews. “A Argentina pode crescer menos se a crise sanitária não for controlada, a safra agrícola for muito menor do que a de 2020, o governo continuar a frear as importações e o investimento seguir baixo”, diz. “Assim será difícil uma recuperação sustentada da economia.”
Dentre os setores mais atingidos em 2020 estão o de hotéis e restaurantes (-49,2%), construção (-22,6%) e transporte e comunicações (-18,9%), segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
No quarto trimestre de 2020, o PIB cresceu 4,5%, em relação ao trimestre anterior. Na variação anual, a queda foi de 4,3%.
Dados mostram desaceleração da retomada. No quarto trimestre, o consumo privado cresceu 4,2% e o investimento bruto em capital fixo subiu 17,3%. Essas altas ficaram abaixo do registrado no trimestre anterior.
Ontem o ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán, se reuniu com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, por para dar continuidade às conversas sobre a renegociação da dívida.
A Argentina deve US$ 45 bilhões ao Fundo e enfrenta vencimentos de US$ 3,8 bilhões neste ano. No ano que vem o pais tem de pagar quase US$ 18 bilhões ao FMI, segundo a consultoria Capital Economics. O governo quer dois anos de alívio da dívida, voltando a pagar principal e juros em 2023.
O governo tenta adiar um acordo para depois das eleições legislativas de outubro.
“A decisão do governo de adiar um novo acordo com o FMI mostra que as autoridades estão hesitantes em prosseguir com as reformas necessárias para reduzir déficit orçamentário e reequilibrar a economia argentina”, afirma Nikhil Sanghani, da Capital Economics.
















