OMC vê aceleração do comércio global, mas pandemia é ameaça
Comércio global - O comércio mundial está pronto para uma retomada forte neste ano, mas ela deverá ser desigual. Além disso, há riscos de curto prazo estão ligados à produção e distribuição insuficientes de vacinas contra a covid-19 e ao surgimento de novas variantes do vírus, diz a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Novas estimativas da entidade apontam para alta de 8% do comércio mundial de mercadorias em volume em 2021, após contração de 5,3% em 2020. As projeções de outubro do ano passado eram de crescimento de 7,2% neste ano e declínio de 9,2% no ano passado.
A OMC prevê que o crescimento das trocas globais poderá desacelerar para 4% no ano que vem e que os efeitos da pandemia continuarão a ser sentidos, de forma que o ritmo de expansão não permitirá um retorno aos níveis de antes da pior crise sanitária global da história recente.
A projeção para 2021 se baseia em crescimento esperado de 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, após a contração de 3,8% no ano passado.
Em 2021, a demanda deverá ser dominada pela América do Norte, com alta de 11,4% turbinada pelas fortes medidas de estímulo adotadas pelos EUA. Isso, por sua vez, ajudará outras economias por meio do comércio.
A demanda da Europa e da América do Sul deve aumentar cerca de 8%, enquanto que outras regiões terão um crescimento menor. A previsão é que grande parte da demanda global será atendida pela Ásia, que poderá registrar aumento de 8,4% nas suas exportações em 2021.
Para a OMC, as perspectivas positivas no curto prazo no comércio internacional são ameaçadas pelas disparidades regionais, por um comércio de serviço que continua fraco e pelo atraso na vacinação, sobretudo nos países pobres.
A covid-19 continua a representar a maior ameaça para as perspectivas comerciais, porque qualquer retomada esperada poderá ser comprometida por novas ondas de infecções, diz a entidade.
Para a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, a vacinação contra a covid-19 é o melhor estímulo que a economia global pode esperar. Ela defendeu a abertura dos mercados para produtos médicos. Lembrou que a produção das principais vacinas inclui 280 componentes vindos de 19 países.
Ngozi destacou a importância de reforçar as cadeias globais de suprimento, citando o problema do navio que ficou encalhado alguns dias no Canal de Suez.
Segundo ela, o custo do bloqueio no canal foi de US$ 10 bilhões, ou 20% do comércio global por dia. Mas seu economista chefe, Robert Kooman, observou que isso se trata de um atraso no comércio, não de um corte real no valor do comércio global.
Além dos riscos de degradação ligados à pandemia, no médio e longo prazo a dívida pública e os déficits poderão pesar sobre o crescimento econômico e o comércio, sobretudo nos países em desenvolvimento fortemente endividados, segundo a OMC.
Os economistas da OMC elaboraram um cenário otimista, onde produção e difusão de vacinas se aceleram, permitindo atenuar rapidamente medidas de restrição. Isso pode aumentar em 1 ponto percentual o crescimento do PIB global e de 2,5 ponto percentual a expansão do comércio mundial. No caso de as vacinas continuarem escassas e novas variantes do vírus surgirem, contra as quais as vacinas seriam menos eficazes, o efeito será de redução de 1 ponto e 2 pontos, respectivamente.
No ano passado, o comércio de mercadorias em dólar nominal teve uma queda de 7%, enquanto que as exportações de serviços tiveram contração de 20%.
A queda no preço do petróleo provocou uma contração de 35% no comércio de combustíveis em 2020. Por sua vez, os serviços relacionados a viagens desmoronaram 63% e não deverão se espera uma recuperação plena antes de a pandemia ser eliminada.
















