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China amplia uso de trigo para ração para limitar dependência da soja

Dependência/China - O volume de consumo chinês de trigo rico em proteínas para a produção de rações é o maior já registrado. Esse movimento pode levar as indústrias de nutrição animal a reduzir a mistura de farelo de soja em seus produtos - e, com isso, manter as importações sob controle.

Fonte: Fonte: Valor Econômico | Foto de capa: Pixabay
China amplia uso de trigo para ração para limitar dependência da soja

O governo colocou à venda, por preços mais baixos, enormes volumes de trigo estatal para que as produtoras de rações possam substituir o milho doméstico, mais caro. Neste ano, as vendas de trigo dos estoques já chegam a 24 milhões de toneladas - e, de acordo com o Centro Nacional de Informação sobre Grãos e Óleos da China (CNGOIC, na sigla em inglês), a comercialização na atual temporada, que termina em maio, ainda pode aumentar para 40 milhões a 50 milhões de toneladas.

Com essa quantidade de trigo, com teor de proteína 4% superior ao do milho, o uso de farelo de soja pode cair em até 2 milhões de toneladas, ou o equivalente a 5 milhões de toneladas de soja, de acordo com Lin Guofa, analista sênior do Bric Agriculture Group. O governo continuará a vender arroz estatal e, até maio, quando termina a colheita de trigo no país, reduzirá os estoques do produto.

Essas medidas podem reduzir as estimativas de importações chinesas de soja. O país importou volumes recorde da oleaginosa no ano passado como parte de seus esforços para alimentar seu plantel de suínos, que está em fase de reposição após as perdas causadas pela peste suína africana, entre 2018 e 2019.

O forte movimento de compras chinês impulsionou os preços globais, que também têm subido como reflexo da preocupação de investidores com a oferta. O encarecimento dos grãos se intensificou nesta semana com a divulgação das estimativas do Departamento de Agricultura americano (USDA) sobre a intenção de plantio nos Estados Unidos na próxima temporada. No relatório, o USDA estimou áreas de plantio menores que as esperadas pelo mercado.

Alguns analistas dizem que, considerando a forte demanda chinesa, as previsões para a soja estão subestimadas. O registro de novos novos casos de peste suína africana no país reduziu a demanda por farelo, o que fez o esmagamento da oleaginosa cair 25% nas últimas semanas em relação à máxima de 2 milhões de toneladas por semana registrada no ano passado, disse Hou Xueling, analista da Everbright Futures. O baixo volume de esmagamento provocou falta de óleos comestíveis e pode aumentar as importações de produtos como óleo de soja e óleo de colza, diz a analista. Ela espera que a demanda por farelo de soja melhore no segundo semestre.

As compras chinesas de soja continuarão altas. De acordo com o CNGOIC, as importações devem subir neste mês de abril, com a chegada de cargas de soja do Brasil, principal fornecedor do país. Em março, as importações chinesas foram estimadas em 6,2 milhões de toneladas, acima dos 5,56 milhões de fevereiro, que foi o menor nível em um ano. O centro acredita que que o volume de importações ficará estável em 2020/21 em relação às 98 milhões de toneladas de um ano atrás.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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