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Especiais Selectus nº 6118

Análise FAO do Mercado Mundial de Lácteos em 2020

Leite no mundo – A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou a análise do mercado mundial de lácteos no ano de 2020. Hoje o Selectus divulga a primeira parte. Posteriormente serão divulgados os capítulos subsequentes.

Fonte: Fonte: FAO - Tradução Livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: CC BY 2.0
Análise FAO do Mercado Mundial de Lácteos em 2020

ANÁLISE DO MERCADO DE LÁCTEOS

Visão sobre o desenvolvimento do mercado global de lácteos em 2020

FAO. 2021. Dairy Market Review: Overview of global dairy market developments in 2020, April 2021. Rome.

Tradução: www.terraviva.com.br

Destaques

- A média do Índice de Preço dos Lácteos em 2020 foi levemente menor do que em 2019

- A produção de leite em 2020 continuou crescendo, com a Ásia registrando o maior aumento em volumes em relação a 2019

- O comércio mundial de produtos lácteos em 2020 subiu, puxado por alguns países da Ásia e Oriente Médio

- O comércio internacional de leite em pó integral, soro de leite e queijo subiram, enquanto que o de leite em pó desnatado e manteiga caíram.

Preços Mundiais dos Lácteos

Os preços internacionais dos lácteos registraram ligeiro declínio em 2020

Os preços internacionais dos produtos lácteos, medidos pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o índice de Preços do Leite FAO, teve a média 101,8 pontos em 2020, 1 ponto menos (-1%) em relação a 2019, refletindo, principalmente a redução da demanda de importação decorrente da desaceleração econômica generalizada em muitos importantes países importadores. Elevados volumes exportáveis, causados pela redução de vendas internas, junto com o aumento do processamento de produtos que demandassem menos mão de obra, especialmente para leite em pó, para superar a escassez de trabalhadores, também pesaram nos preços globais do leite.

Análise FAO do Mercado Mundial de Lácteos em 2020

Entre os lácteos representativos no índice, os preços da manteiga caíram mais (-13,5%). O Índice FAO da manteiga vem com tendência de queda desde que atingiu seu pico em 2017. Cortes das importações relacionados ao Covid-19 e redução das vendas internas aceleraram o declínio, provocando queda de 16% (de US$ 4.043 para US$ 3.403 a tonelada), entre janeiro e maio. A recuperação veio em junho, diante da sólida demanda de importação e estabilização do consumo interno. A média anual dos preços do leite em pó integral (WMP) declinou 4,5% em 2020 devido às baixas compras da Ásia, especialmente da China, Bangladesch, Malásia e Singapura. Como reflexo da crise econômica e queda nas cotações do petróleo, as importações de WMP pelo Oriente Médio e Norte da África (MENA) também registraram perdas consideráveis, impactando negativamente as cotações internacionais do WMP.

Como outros preços de produtos lácteos, o leite em pó desnatado (SMP) teve perdas em suas cotações durante os primeiros meses de 2020, quando importantes países importadores reduziram consideravelmente as compras como consequência das crises econômicas e menor demanda com o fechamento do setor de serviços de alimentação.

Produção mundial de leite

Produção mundial de leite cresceu em 2020

A produção de leite mundial chegou perto de 906 milhões de toneladas em 2020, 2% mais em relação a 2019, impulsionada pelo crescimento em todas regiões geográficas, exceto a África, onde a produção permaneceu estável. O aumento do volume de leite na Ásia foi o maior, seguido pela Europa, Américas, Oceania e América Central e Caribe.

Análise FAO do Mercado Mundial de Lácteos em 2020

Na Ásia, a produção de leite atingiu 379 milhões de toneladas em 2020, elevação de 2,6% na comparação anual, principalmente pelos aumentos na Índia, China, Paquistão e Turquia. Cazaquistão, Uzbequistão e Japão também registraram expansões moderadas.

Na Índia, a produção de leite chegou a 195 milhões de toneladas em 2020, 2% a mais que em 2019, sustentada pelo contínuo crescimento do tamanho dos rebanhos leiteiros, maior disponibilidade de ração, e pastagens melhores com as chuvas favoráveis de monções (junho a setembro). A rápida mobilização das redes de cooperativas das aldeias no início da pandemia facilitou a transferência do leite para as fábricas e ajudou no crescimento da produção. 

Na China, o aumento da produção em fazendas leiteiras de grande escala, e a melhoria na eficiência operacional levou ao crescimento de 7% na produção de leite. No Paquistão o volume de leite subiu 3,2%, principalmente pelo crescimento dos rebanhos, parcialmente ofuscado pelas condições precárias de coleta de leite no início da pandemia. Além do aumento do número de vacas nos rebanhos, na Turquia a melhoria da eficiência nas fazendas e a sólida demanda de importação ajudou a sustentar o crescimento da produção de leite. 

No Cazaquistão e Uzbequistão, dois dos maiores produtores de leite da Ásia Central, o crescimento da produção foi reflexo da modernização das fazendas, com crescimento do rebanho leiteiro, embora os pequenos produtores continuem sendo a força dominante.  No Japão, o apoio do preço do leite aos produtores concedido pelo governo como assistência ao Covid-19, combinado com a redução das tarifas para manteiga e SMP garantiu a estabilidade do mercado de leite e o crescimento da produção.

Na Europa, o volume de leite produzido foi de 236 milhões de toneladas, subindo 1,6% em relação a 2019, principalmente pelo crescimento na produção da União Europeia (UE), Rússia e Bielorrússia.

Na UE, a melhoria das pastagens, um ligeiro aumento no rebanho leiteiro e uma robusta demanda interna e externa impulsionaram a expansão da produção. O programa de assistência pecuária pelo Covid-19 ajudou a estabilizar o preço do leite ao produtor, encorajando o aumento da captação. 

Na Rússia a produção de leite aumentou, em decorrência da melhoria na rentabilidade das fazendas de grande escala. A iniciativa do governo russo de rastrear e remover do mercado produtos que não estivessem dentro dos padrões regulamentares e adotar a certificação obrigatória do sistema eletrônico Mercury, restabeleceu a confiança do consumidor e melhorando a demanda interna. 

Na Bielorrússia, a melhoria do manejo nas fazendas, o uso de ração de qualidade e as sólidas compras por países vizinhos, notadamente a Rússia, foram cruciais para a expansão da produção. Já na Ucrânia houve declínio da produção em decorrência de múltiplos fatores, incluindo o rápido declínio do tamanho dos rebanhos, aumento dos custos da ração, queda na rentabilidade das fazendas e fraca demanda de importação.

Na América do Norte, a produção de leite atingiu cerca de 111 milhões de toneladas em 2020, 2,1% mais em relação a 2019. Nos Estados Unidos da América (EUA), o crescimento foi de 2,2%, ou 101 milhões de toneladas, proporcionado pelo crescimento do tamanho do rebanho leiteiro e da rentabilidade. 

O setor teve assistência governamental para a pecuária leiteira durante a crise do Covid-19, ajudando a sustentar a demanda e a produção interna, apesar dos relatos adversos causados pela pandemia, especialmente interrupção no transporte e escassez de mão de obra. 

A forte demanda de importação da Ásia também foi um fator que ajudou a expansão da produção. No Canadá, a produção aumentou ligeiramente, apesar da desaceleração das vendas em decorrência das restrições impostas ao trabalho e queda nas vendas de leite no início de 2020.

Na América Central e Caribe, a produção de leite aumentou 1,6%, e chegou a 18 milhões de toneladas, puxada pela região de maior produção, o México. Seguindo o padrão de crescimento de quase uma década, a produção de leite do México em 2020, teve expansão de 2,2% em relação a 2019, em decorrência da contínua melhoria em tecnologias agrícolas e genética. A produção de ração animal também cresceu, impulsionando a produção.

Na América do Sul, a produção de leite subiu 2%, ficando perto de 82 milhões de toneladas em 2020, puxados pelos elevados crescimento da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, parcialmente ofuscados pelo declínio na Venezuela. Na Argentina a expansão foi muito maior do que o previsto inicialmente dada a melhoria das pastagens e uma firme demanda interna e externa. 

O congelamento dos preços do leite no varejo ajudou a sustentar a demanda, o que veio a reduzir os lucros das fazendas leiteiras. No entanto, a subsequente decisão de permitir um aumento de 2% no preço do leite no varejo estabilizou a margem de lucro nas fazendas, melhorando a produção.

No Brasil, houve aumento na produção em todo ano, mas, muito pela recuperação ocorrida no último trimestre, após uma das secas mais prolongadas do país, que durou de maio a outubro de 2020. A alta produção em fazendas de larga escala, que são sustentadas pelo fornecimento de ração animal, também contribuiu para a expansão registrada. 

No Chile, a produção de leite aumentou, principalmente pelo significativo aumento no preço do leite, quando comparado com o ano anterior. O Uruguai foi beneficiado por um clima favorável, incluindo chuvas adequadas.

Na Oceania, depois da contração de 2,5% em 2019, houve crescimento de 1,1%, chegando a 31 milhões de toneladas em 2020. Após quatro anos de declínio, a produção de leite da Austrália se recuperou, registrando mais de 9 milhões de toneladas, sustentada por boas chuvas, boas pastagens, maior disponibilidade de volumosos e suplementos alimentares. A assistência governamental às famílias de agricultores afetados pela seca contribuiu para a expansão da produção.

Na Nova Zelândia, após uma contração marginal de 0,7% em 2019, a produção de leite aumentou ligeiramente (+0,4%), chegando a 22 milhões de toneladas. O Clima favorável a forte demanda de importação da China e países da região MENA foram os impulsionadores do crescimento. 

Apesar das interrupções do mercado pela pandemia do Covid-19, as margens de lucro permaneceram atraentes por conta do elevado preço ao produtor oferecido pela principal cooperativa de leite e apoio financeiro do governo para cobrir o aumento do custo de frete.

Na África a produção de leite permaneceu estável, 49 milhões de toneladas. A Argélia registrou um significativo aumento da produção, enquanto Quênia, Etiópia, e África do Sul, entre outros, registraram quedas.

A produção de leite da Argélia aumentou 3,8% chegando a 3,3 milhões de toneladas, apoiado pelo programa de modernização agrícola, garantia de terras para produção de leite, desenvolvimento de pastagens e oportunidades para importação de material genético. 

A proibição da Argélia de subsidiar leite em pó para a fabricação de leite pasteurizado, produtos lácteos ou derivados também impulsionou a produção. No Quênia, após três anos de expansão, a produção de leite caiu marginalmente, devido ao clima seco e quente no último trimestre de 2020, o que contribuiu para restringir a disponibilidade da alimentação animal. 

Na Etiópia também diante das condições de um tempo seco, especialmente em regiões do sul do país, comprimiu a produção. Na África do Sul a produção declinou ligeiramente também em decorrência do tempo quente e aumento dos custos da alimentação animal, fazendo cair a renda agrícola. Em outras partes da África as condições adversas do mercado prevaleceram, provocadas pela desaceleração econômica, conflitos e deslocamentos, secas e inundações em algumas regiões, limitando a produção de leite.

>> Acesse aqui o Relatório Original - Dairy Market Review

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