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Emissões globais de carbono voltam a crescer após queda provocada pela pandemia

Emissões - As emissões de carbono voltarão a crescer em 2021 e reverterão grande parte da diminuição registrada no ano passado, por causa da covid-19, frustrando ambientalistas que pensavam que a pandemia poderia impulsionar os esforços contra a mudança climática.

Fonte: Fonte: Valor Econômico | Foto de capa: Pixabay
Emissões globais de carbono voltam a crescer após queda provocada pela pandemia

O vírus paralisou muitas das maiores economias do mundo. Fábricas fecharam os portões, carros ficaram guardados nas garagens e aviões deixaram de levantar voo. Isso fez com que a demanda por combustíveis emissores de dióxido de carbono (CO2), como carvão, petróleo e gás natural, despencasse.

A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que as emissões caíram 5,8% em 2020, a primeira queda desde 2015 e o maior declínio percentual desde a Segunda Guerra Mundial.

Agora, porém, elas estão crescendo novamente – e com rapidez. Em um relatório divulgado nesta terça-feira, a AIE diz que as emissões devem aumentar 4,8% em 2021, a maior alta anual desde o recorde de 2010, quando o mundo se recuperava da crise financeira de 2008.

Os governos estão tentando reabrir as economias à medida que suas campanhas de vacinação avançam. Em alguns países, como na China e nos Estados Unidos, a demanda está se recuperando com velocidade.

O uso de combustíveis emissores de carbono está voltando, embora em graus diferentes entre as regiões, dependendo do desenvolvimento econômico.

Países em desenvolvimento, como a China, ajudarão a impulsionar a demanda global de energia para níveis superiores aos de 2019 neste ano, de acordo com a AIE.

A entidade, com sede em Paris, citou um aumento do uso de carvão no mundo em desenvolvimento, em particular, como fator que fará as emissões dispararem. Sozinha, a China será responsável por mais de 50% da nova utilização de carvão em 2021.

Em um relatório divulgado em outubro, a AIE projetou que a demanda por petróleo continuará 3% menor neste ano do que os níveis de 2019 e só se recuperará totalmente em 2023. O pico de consumo será atingido em 2030.

Apesar da alta prevista, a AIE estima uma redução líquida de cerca de 400 milhões de toneladas de CO2 entre 2020 e 2021. As emissões caíram 1,9 bilhão de toneladas no ano passado e, com base nas estimativas, devem crescer 1,5 bilhão de toneladas em 2021.

A matriz energética do mundo desenvolvido continua avançando na direção do uso de combustíveis menos poluentes. Pela primeira vez desde a década de 1980, os EUA consumiram no ano passado mais energia renovável do que carvão.

Na Europa, a AIE disse que a geração de eletricidade via carvão está “desaparecendo ou se tornando insignificante” em um número crescente de países.

A AIE previu anteriormente uma recuperação silenciosa na demanda do petróleo e da gasolina no mundo desenvolvido, mas as altas esperadas no consumo de carvão nos países em desenvolvimento afetarão as emissões em escala global.

A grande queda nas emissões em 2020 foi um indicativo da crise econômica em vários lugares. Enquanto muitos economistas e ambientalistas previam que elas voltariam a avançar assim que os países começassem a se recuperar, outros apostavam que a baixa poderia facilitar o cumprimento de compromissos assumidos anteriormente na luta contra a crise climática.

Para o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, o crescimento das emissões mostra que a recuperação econômica após a crise causada pela covid-19 não é sustentável para o clima.

“A menos que os governos em todo o mundo ajam rapidamente para cortar as emissões, provavelmente enfrentaremos uma situação ainda pior em 2022”, disse ele.

Robert McNally, ex-conselheiro do ex-presidente americano George W. Bush e presidente da consultoria Rapidan Energy Group, também pediu um maior compromisso dos países.

“Temos visto uma lacuna crescente entre a ambição das autoridades de estabelecer metas climáticas e a disposição de impor as políticas para alcançá-las”, afirmou.

A crise climática será discutida em uma cúpula que está sendo organizada pelo presidente dos EUA, Joe Biden, nesta semana. O governo americano planeja anunciar uma nova meta de redução de suas emissões durante o evento.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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