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Especiais Selectus nº 6124

China – Um olhar no tempo: Transformação do setor lácteo

Leite/China – Em 1949, eram apenas 120.000 cabeças de gado leiteiro na China, com produção anual de 192.000 toneladas de leite, e produtividade animal de 3 toneladas/vaca/ano. Naquela época, o consumo per capita de produtos lácteos no país era de 0,4 kg por ano.

Fonte: Fonte: Dairy Global – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Pixabay
China – Um olhar no tempo: Transformação do setor lácteo

60 anos mais tarde, em 2019, o número total de gado leiteiro na China era cerca de 6 milhões de cabeças. A produção de leite ultrapassou 32 milhões de toneladas e o consumo per capita de produtos lácteos aumentou surpreendentemente para mais de 30 kg por ano. Embora este enorme desenvolvimento da pecuária leiteira na China tenha ocorrido em 60 anos, as mudanças mais significativas ocorreram em períodos mais recentes.

Desenvolvimento das fazendas leiteiras na China

Desde 1949 e nos 30 anos seguintes, as fazendas de leite na China desenvolveram junto com o lento aumento da demanda por produtos lácteos no país. Para atender ao crescimento da demanda, o governo decidiu construir empresas de laticínios e bases para fornecimento de leite em várias regiões do país. Isso levou ao desenvolvimento de fazendas de leite estatais próximas a grandes e médias cidades como Pequim, Xangai, Tianjin, Chongqing, Shenyang, Guangzhou, Harbin, Nanjing, e Kunning. A fundação dessas fazendas estatais tornou possível o desenvolvimento da indústria de laticínios, mas, dada às dificuldades econômicas da China na época, o crescimento era ainda relativamente lento. Por volta de 1978, o rebanho leiteiro na China havia crescido para 480.000 cabeças, e a produção anual atingia 883.000 toneladas por ano, e o consumo per capita de produtos lácteos ficava próximo de 1 kg por ano.

Período de reforma da pecuária leiteira chinesa

Em 1978, o estado passou a incentivar o setor privado a entrar na pecuária leiteira, e esse incentivo influenciou de forma importante o desenvolvimento. Durante 20 anos, as fazendas leiteiras de propriedade nacional, coletiva e individual desenvolveram-se lado a lado e este pode ser chamado um período de reforma e a pecuária leiteira mudou de estatal para agricultores individuais. Em 1949, a proporção de agricultores individuais proprietários de vacas leiteiras eram apenas 6,25%, mas em 1997, 20 anos depois com o incentivo do governo para a privatização do setor, o percentual de fazendas leiteiras privadas chegou a 82,62% e o rebanho bovino leiteiro aumentou para impressionantes 4,4 milhões de cabeças.

Essa grande mudança, em apenas 20 anos, foi possível devido à introdução e aplicação de tecnologias essenciais em fazendas leiteiras. O nível de produção de leite nas fazendas da China melhorou significativamente nesse período, e isso foi possível graças a muitos fatores: melhoramento das raças, tecnologia de alimentação, e melhores equipamentos de ordenha.

Raça de vaca holandesa chinesa

A introdução de raças holandesas estrangeiras, a importação de novilhas vivas, e cruzamento com o rebanho local, depois de um longo tempo de seleção e reprodução, levou ao desenvolvimento da raça holandesa chinesa, conhecida como “Chinese Black and White Cattle”, ou “Rebanho Preto e Branco da China”, chamado de Gado Holandês da China, em 1992. Essa foi a primeira raça de vaca leiteira dedicada à China e assim permanece até hoje.

Produção de alimentos – Novo milho, melhor rendimento

A produção e utilização de silagem de milho começou quando a República Popular da China foi estabelecida em 1949, e foi adotada por algumas grandes fazendas estatais e pequenas produções perto de cidades. Antes da década de 1980, não havia variedades de milho conhecidas que fossem especialmente destinadas à produção de silagem. Mas, em 1985, surgem novas variedades de milho com dupla finalidade, silagem e grão. Essa mudança marca uma nova era para as fazendas leiteiras chinesas e os efeitos foram sentidos imediatamente, com o aumento da produção das vacas leiteiras.

Tecnologia e eficiência na produção de leite

Mesmo existindo ordenha mecânica há mais de 100 anos, a tecnologia só chegou à China na década de 1980, e nesta época, as ordenhadeiras eram utilizadas em menos de 0,5% das fazendas e o resto mantinha a ordenha manual. Em 2008, o percentual de ordenhas mecânicas ainda era baixo, 40%, mas isso mudou e, agora, a maior parte do leite vem de fazendas que utilizam ordenhadeiras. Este desenvolvimento desempenhou um grande papel na melhoria da eficiência de produção de leite na China. Outra tecnologia que também teve um grande impacto foi a introdução e promoção da tecnologia de mistura de ração (TMR). Estudos mostram que a alimentação TMR reduz os custos dos alimentos, aumenta a eficiência do trabalho e a racionalização dos suplementos alimentares, melhorando e tornando mais estável a produção de leite pelas vacas. Usando a dieta TMR, é possível separar o rebanho em lotes, e a cada grupo é fornecida a alimentação compatível com sua produção, contribuindo para o aumento da rentabilidade animal. Essa tecnologia foi adotada em todo o país e propiciou a mudança de manejo alimentar em um curto espaço de tempo.

Nos últimos 20 anos, uma grande virada de jogo

Com a transformação tecnológica, a modernização das fazendas leiteiras domésticas e indústrias de laticínios, a base para mudanças mais rápidas foi consolidada. Junto com a melhoria de infraestrutura e modernização dos canais de distribuição na China, a promoção de produtos lácteos poderia decolar, mas, era necessário aumentar a produção.

Isso também influenciou o rápido desenvolvimento da indústria de laticínios levando ao crescimento da Mengniu e Yili, as duas maiores empresas do ramo da China. Fazendas de grande escala também foram criadas com o estabelecimento de mega fazendas de leite de propriedade privada e também empresas como a Modern Dairy (Group) Co., Ltda (Modern Dairy) fundada em 2005 e listada na Bolsa de Valores de Hong Kong em 2010. Esta empresa possui hoje, 26 propriedades, uma das quais é a fazenda Bengbu com 20.000 vacas de leite e conta com um total de 230.000 cabeças de gado leiteiro. Mas a Modern Dairy não está sozinha, muitas outras empresas possuem fazendas de leite, como a Shengmu, Fuyuan & AustAisa, para mencionar algumas. Elas também operam na China, cada uma com dezenas de milhares de vacas e muitas fazendas leiteiras diferentes. A agricultura de alta escala levou a uma alta profissionalização das operações da pecuária leiteira. Em algumas dessas grandes fazendas a produtividade animal pode chegar a mais de 40 kg/vaca/dia de leite.

Hoje, a produtividade da China chega perto de 8,5 toneladas de leite/vaca/ano, e a produção total de leite se aproxima de 35 milhões de toneladas. Mudança impressionante dos 0,2 milhões de toneladas de 1949, ou ainda as 0,9 milhões de toneladas em 1978.  

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