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Especiais Selectus nº 6124

Argentina – O bom leite

Qualidade/AR – Está sendo discutido na Argentina, como melhorar o sistema de comercialização do leite cru. Não que o mundo esteja caindo aos pedaços, mas no fim das contas, o leite é pago por litro e não por seus atributos intrínsecos, que variam e muito.

Fonte: Fonte: Dairylando – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: CC Search BY 2.0
Argentina – O bom leite

Os fatores de composição e qualidade do leite são importantes na geração de valor e os desvios, em relação a um ótimo leite, contribuem de forma significativa para a perda de competitividade da Cadeia Láctea Argentina.

- A composição do leite expresso em sólidos úteis (%SU=% de matéria gorda +% de proteína) afeta diretamente o rendimento da maioria dos produtos industrializados.

- A contagem de células somáticas (CCS) altera a relação caseína:proteína impactando no rendimento e na qualidade de produtos, especialmente, o período de maturação dos queijos.

- A presença de bactérias (CBT) afeta pouco o rendimento, mas é determinante na qualidade dos produtos, piorando quanto maior for o tempo de maturação de cada queijo. Afeta também a qualidade sensorial e a vida útil do produto, seja ele leite fluido, queijo ou leite em pó.

Na seguinte infografia podemos observar os melhores atributos de composição e qualidade higiênico-sanitária que um leite pode ter:

Argentina – O bom leite

A indústria processadora tem o dilema de precisar de um leite de boa qualidade e ao mesmo tempo conseguir volume suficiente que lhe permita maximizar o rendimento de sua capacidade instalada, investimento efetuado (incluindo concorrência das Pequenas e Médias Empresas, a informalidade da economia argentina, etc).

No gráfico observamos o preço pago pelo leite cru com 2 qualidades distintas. A tipificação (varia mês a mês a composição) A1 é o leite com um nível máximo de SU (> 7,27% SU) e ótimo padrão de qualidade (menos de 50 CBT e menos de 200 CCS). O leite A4 é um leite entre 6,92 e 6,74% SU e os mesmo padrões higiênico-sanitário que o A1, enquanto o leite D4 é o leite com sólidos (%SU) do leite A4, mas com padrões de qualidade (até 100 CBT e entre 400 e 600 CCS). Aqui vemos como o leite inferior recebe preço superior por quilo de sólidos úteis (SU) que o leite melhor (A1). Isto se deve à manipulação das bonificações comerciais. Além disso, existe um leite denominado qualidade E que ficar fora dos padrões de qualidade estabelecidos pelo Código Alimentar Argentino (CAA) e implica um volume suficientemente grande capaz de afetar a comercialização geral.

Argentina – O bom leite

A complexidade do setor lácteo argentino permite supor uma dificuldade em melhorar o sistema de comercialização com avanço para um esquema de pagamento por composição e qualidade higiênico-sanitário com menor expressão das bonificações comerciais. Levaria muito tempo.

Uma opção seria que as empresas exportadoras (umas 30 no país) oferecessem uma bonificação extra entre 10% e 15% pelo leite superior. Não existe muito desse leite, o que facilitaria localizá-lo e bonificar. Esta ação desenvolve o conceito de pagamento por qualidade e começamos a contar com um crescente volume de leite de qualidade superior, o que implicaria começar a pagar a matéria prima por seus atributos intrínsecos.

Por outro lado, discriminar o frete do leite na hora de efetuar o pagamento representaria um passo significativo na redução das bonificações comerciais que conspiram contra um sistema de pagamento transparente. Para todas estas propostas não vemos como a informalidade, que está presente em toda a economia argentina, possa ser contra. É claro que é preciso avançar com o cumprimento da resolução 229 que envolve a totalidade dos operadores do setor lácteo.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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