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Economia Selectus nº 6128

Com chuva em baixa, inflação em 12 meses deve beirar 8% em maio

Inflação - Num cenário já pressionado para os preços, a escassez de chuvas e o baixo nível dos reservatórios de hidrelétricas do Sudeste vão dar ainda mais fôlego à inflação no curto prazo.

Fonte: Fonte: Valor Econômico | Foto de capa: Pixabay
Com chuva em baixa, inflação em 12 meses deve beirar 8% em maio

Anunciado na sexta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o acionamento da bandeira tarifária vermelha patamar 1 em maio não era esperado por alguns economistas, que aumentaram em cerca de 0,2 ponto percentual suas estimativas para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste mês. 

Sob essa sinalização, a cobrança extra é de R$ 4,169 nas faturas mensais de eletricidade a cada 100 kilowatts-hora (kWh) consumidos. Na bandeira amarela, que vigorou em abril, o acréscimo é de R$ 1,343. A decisão da Aneel não terá impacto na inflação acumulada de 2021 caso a bandeira volte à cor amarela em dezembro. 

No curto prazo, porém, o pico do IPCA em 12 meses, que já seria atingido em maio, ficará ainda mais perto de 8%. A meta para o ano é 3,75%, com 1,5 ponto de tolerância, para mais ou para menos.

Com chuva em baixa, inflação em 12 meses deve beirar 8% em maio

“Estamos próximos daquele patamar de 2014, quando tivemos uma situação muito complicada no nível dos reservatórios da Cantareira”, afirma Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital Markets, que já contava com a entrada em vigor do patamar 1 da bandeira vermelha este mês. A decisão terá impacto de 0,2 ponto na inflação do mês, calcula Carla, efeito que não deve ser revertido rapidamente.

“Para que os reservatórios da região Sudeste, que respondem por 70% da produção de energia hidrelétrica do país, voltem a operar em níveis confortáveis, teríamos que atravessar um longo período de chuvas que não está previsto”, diz a economista. “Portanto, a chance de vermos a mudança subsequente para uma bandeira tarifária menos restritiva em junho ou julho é pequena.” 

Devido ao encarecimento da tarifa de eletricidade residencial, o economista Fabio Romão, da LCA Consultores, agora espera alta de 0,72% para o indicador oficial de inflação neste mês, ante 0,54% anteriormente, hipótese que contava com a manutenção da bandeira amarela. Com a mudança, a expectativa agora é que a inflação acumulada em 12 meses pelo IPCA alcance 7,93% em maio, o ponto mais alto a ser atingido no ano, destaca Romão.

 “Maio já seria o pico do ano em 12 meses, mesmo sem a questão da energia, mas a bandeira vermelha não deixa de ser uma má notícia”, diz o economista, lembrando que a inflação deve ter sido mais baixa em abril e que o mês de maio será mais salgado não só devido às contas de luz. A LCA estima que a inflação de tarifas monitoradas por contrato vai subir de 0,36% no mês passado para 1,37% agora, influenciada por preços maiores de gás de botijão, refletindo o reajuste de 39% do gás natural nas refinarias, e aumentos também já autorizados de medicamentos, que chegam a 10% dependendo do produto farmacêutico. 

Um reajuste maior de tarifas administradas deve elevar a inflação no curto prazo e também no ano, na avaliação do J.P. Morgan. Enquanto, em maio e junho, a bandeira tarifária mais cara alterou as projeções do banco para o IPCA de cada mês, a mudança de 5% para 5,3% na estimativa para 2021 incorporou um aumento mais significativo de remédios.

Os economistas Cassiana Fernandez e Vinicius Moreira afirmam que a hipótese assumida por eles anteriormente, de que os reajustes desses itens seriam revertidos, é agora considerada pouco provável. Já no curto prazo, apontam Cassiana e Moreira, a bandeira vermelha deve elevar o IPCA deste mês em quase 0,2 ponto.

 Para eles, o indicador vai subir 0,64% no período. “Dado o baixo nível dos reservatórios, agora esperamos que a bandeira vermelha patamar 2 seja acionada entre junho e outubro deste ano, o que elevou a projeção para o IPCA do próximo mês em cerca de 0,15 ponto”, acrescentam os economistas. Eles ponderam, no entanto, que os preços mais altos de energia nos próximos meses não devem ter efeito na inflação anual, assumindo que a bandeira volte para a cor amarela em dezembro. 

Esse também é o cenário de Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays, que segue projetando avanço de 5% para o IPCA em 2021. “Ainda assim, vemos risco de alta nesse número”, diz Secemski, para quem há potencial de novo aumento da bandeira tarifária em junho. Essa alta pode resultar do acionamento da bandeira vermelha patamar 2, mais cara que a 1, mas também de uma revisão em estudo pela Aneel que encarece ainda mais o custo dessas duas bandeiras, observa ele. 

Pela proposta da agência reguladora, que está em consulta pública para discussão até o dia 7 de maio, o valor adicionado pela bandeira vermelha patamar 1 a cada 100 kWh consumidos sobe de R$ 4,169 para R$ 4,599. Já o acréscimo do patamar 2 passaria de R$ 6,243 a R$ 7,571. Até recentemente, diz Secemski, a previsão era de bandeira amarela em maio, com mudança para o patamar 1 da vermelha em junho. 

Tendo em vista o quadro mais pressionado para os preços de energia, porém, o Barclays já havia ajustado a projeção para o IPCA deste mês de 0,40% para 0,60%, considerando a bandeira vermelha patamar 1. “Isso deve trazer o IPCA em 12 meses a 7,7% em maio, em princípio marcando o pico do ano”, disse.

Por Arícia Martins — De São Paulo

Acesse aqui a matéria na íntegra

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