Argentina – Interromper a comercialização de carne em protesto contra a proibição das exportações
Protestos/AR – Integrantes da Comissão Setorial Agropecuária, que tiveram uma reunião emergencial nesta manhã ante o inesperado anúncio oficial de encerramento das exportações de carne por 30 dias, convocaram uma greve na comercialização de todas as categorias de carne bovina de zero hora de quinta feira (20 de maio) até 24:00 horas de sexta-feira, 28 de maio.

Hoje, terça-feira, às 12:30 horas, os quatro integrantes da Comissão deram uma coletiva de imprensa virtual na qual ampliaram o alcance da medida, além de explicar – através de um comunicado – “o descontentamento dos produtores e nosso protesto ao fechamento das exportações que sem dúvida prejudicará toda a Argentina”.
Os integrantes da comissão que é integrada pelas quatro principais entidades agropecuárias argentinas, Daniel Pelegrina (SRA), Jorge Chermes (CRA), Carlos Achetoni (FAA) e Carlos Iannizzotto (Coninagro), deixaram de lado suas diferenças para atuarem em bloco contra a ameaça de uma clara intervenção por parte do governo federal.
O anúncio, realizado à noite pelo governo de Alberto Fernández, provocou uma interrupção de múltiplas decisões de investimento que semanalmente são realizadas para gerenciar a pecuária de corte.
Neste contexto, ordens de compra de sementes forrageiras, fertilizantes, e genética foram canceladas “até um novo aviso”, dado que, (tal como se espera o governo), a medida oficial irá derrubar o preço do gado, então será necessário reformular a atividade.
O anúncio, tal como ocorreu quinze anos atrás, trará desinvestimentos em todos os setores que dependem da comercialização do gado de corte, o que poderá resultar em grandes perdas de postos de trabalho.
Entre os setores afetados devem ser incluídos o de transporte, além de empresas agropecuárias de serviços de pastagens e reprodução.
Argentinos, muito obrigado pelo presente
O fechamento das exportações irá gerar ganhos para o agro brasileiro.
A decisão do governo argentino de suspender as exportações de carne bovina ocorre justo quando a demanda chinesa está em plena aceleração com as importações do Mercosul.
Nos últimos dias começaram a aumentar os pedidos de compras de importadores chineses de carne bovina, o que pode representar importante reajuste nos preços dos produtos de exportação para um mercado firme, porque a oferta não consegue acompanhar o ritmo da demanda.
Neste contexto – tal como antecipou Bichos de Campo – cabia (antes do anúncio do governo) esperar uma elevação considerável de preços, que já estava sendo vislumbrada na semana passada, quando o valor de referência do novilho em São Paulo estava a um passo de superar os US$ 4/quilo, segundo indicador elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP (Cepea).
Se a Argentina se retirar do mercado durante um mês, o Brasil será o principal ganhador dessa decisão, dado que os importadores chineses terão que ajustar preços para completar as importações programadas de carne bovina da América do Sul, região que é o principal fornecedor da China desses produtos (considerando Brasil, Argentina e Uruguai, porque o Paraguai não participa por não reconhecer Taiwan como nação independente”.
A questão é que não existe no mundo um país – nem sequer o Brasil – com capacidade para ocupar um virtual desaparecimento da oferta de carne argentina, o que implica se tratar de um desafio para os importadores chineses, que poderão optar, eventualmente, por diversificar a origem de outras carnes em diferentes região para cobrir a lacuna.
















