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Especiais Selectus nº 6146

Chile – Valorizando as boas coisas e colocando em perspectivas a atividade leiteira do futuro

Dia Mundial do Leite/Chile – Nesta pandemia houve um aumento no consumo de lácteos e, como instituição de pesquisa, nós do Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária (INIA) trabalhamos em diversos projetos que buscam agregar valor à produção de leite como alimento saudável, natural e com propriedades benéficas para a saúde.

Fonte: Fonte: DiarioLechero – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Robert Hrovat on Unsplash
Chile – Valorizando as boas coisas e colocando em perspectivas a atividade leiteira do futuro

No último ano, sem dúvida tivemos tempo para refletir sobre as coisas que estavam ocorrendo antes da pandemia e também observarmos com cuidado o que está ocorrendo durante a mesma. Muitas das atividades planejadas que estavam sendo realizadas sofreram modificações e precisamos adaptar os processos à nova realidade. Mas, também tivemos tempo para valorizar coisas boas que estavam sendo feitas e encaminhá-las para um caminho melhor. Podem ser enumeradas uma série de fatos dignos de destaque e colocá-los em perspectiva para o futuro e o que esperar da atividade leiteira 2.0.

Uma coisa revelada no último ano foi a preferência dos consumidores por alimentos que não apenas cumpram a função nutritiva, mas que também proporcionem algo extra para a saúde. E é justamente neste âmbito que o leite é importante. Sendo um dos alimentos mais completos e indispensáveis ao longo de toda nossa vida, fornece, em média, 87% de água, 4,2% de lactose; 3,5% de proteína; 4% de gordura; e 0,8% de minerais, destacando-se que dentro de suas composições estão micronutrientes como magnésio, selênio, iodo e 0,1% de vitaminas como riboflavina, vitamina A, folato e também vitamina D.

No último ano ficou em destaque os compostos que fortalecem o sistema imunológico, destacando entre eles, os peptídeos biologicamente ativos, a presença de microrganismos probióticos e vitaminas A, B, D. Sobre esta última, devemos levar em consideração o estudo demonstrando que mais de 78% das crianças de três importantes regiões do Chile apresentam baixos níveis desta vitamina, que é fundamental para manter o sistema imunológico. Além disso, foi ressaltado sua contribuição no fornecimento de ácidos graxos como o CLA (ácido linoleico conjugado) que tem efeitos positivos sobre doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, a redução do risco de desenvolver alguns tipos de câncer, dentre outros.

Em termos da produção de derivados do leite, o INIA vem desenvolvendo estudos em análise nutricional, destacando a contagem dos ácidos graxos do leite e o uso da metodologia NIRS (infravermelho próximo) para avaliações de inocuidade e o desenvolvimento de produtos, o que em seu conjunto permite agregar valor à matéria prima.

A versatilidade dos lácteos pode explicar o aumento da demanda registrada no último ano, em que as famílias voltaram a preparar alimentos no domicílio, privilegiando os lácteos em suas compras. Isso se refletiu na demanda tanto internacional como nacional, e inclusive no aumento das importações de alguns lácteos como os queijos.

Também foi adotada a lei de rotulagem de alimentos permitindo que os consumidores tenham maiores informações e muitas vezes prefira os lácteos por sua origem natural e procedência nacional, valorizando mais uma vez a produção de leite a base de pastos com o selo de origem “VQP” (Vacas que se alimentam nos pastos), atendendo o pedido dos produtores da zona sul, graças ao trabalho conjunto com o Governo Regional de Los Lagos, O Ministério da Agricultura e o INIA.

A lei dos rótulos também permite aos consumidores terem maiores informações sobre a rastreabilidade dos produtos, já que diferencia claramente os produtos lácteos de outros sucedâneos, seguindo a definição de “Leite e Lácteos”, incorporada na última atualização do regulamento dos alimentos. Portanto, podemos dizer que a indústria de laticínios vai junto com as mudanças normativas do Ministério da Saúde.

Cabe destacar os avanços para uma produção pecuária ambientalmente amigável. Existe uma agenda de sustentabilidade que foi liderada por distintos atores do segmento leiteiro e que vai avançando de acordo com as exigências da sociedade, dos consumidores e também adaptações necessárias para enfrentar as mudanças climáticas. Neste ponto o Consorcio Lechero liderou as etapas em conjunto com seus parceiros, dentre eles o INIA, elaborando diferentes estratégias conjuntas para este fim. Em destaque está a Agenda de Desenvolvimento Sustentável do Setor Lácteo do Chile, que prioriza temas essenciais em cinco áreas: 1 – Capacitação em temas relevantes para a sustentabilidade; 2 – Saúde e bem-estar animal do rebanho; 3 – Uso adequado do chorume; 4 – Eficiência no uso da água; e 5 – Eficiência no uso dos recursos produtivos. Melhorar estes cinco grandes temas em seu conjunto levarão a grandes mudanças rumo a um setor lácteo 2.0.

Outro passo importante foi o Acordo de Produção Limpa que estará certificando um grupo de empresas de laticínios este ano, por seus avanços em temas como economia circular e manejo de resíduos orgânicos e plásticos.

Recentemente também foi anunciada a formação de uma Mesa de Sustentabilidade Ambiental para o setor lácteo.  

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