Dinamismo do comércio mundial de alimentos e preços firmes
Comércio mundial – Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) publicado em 10 de junho de 2021, o comércio mundial de alimentos, este ano, estará sob o signo da resiliência com as cotações internacionais permanecendo elevadas dentro de um contexto de incertezas sobre a oferta e a demanda.

Contrariamente às previsões amplamente difundidas de um colapso no mercado internacional de alimentos, os fluxos comerciais continuaram registrando novos recordes durante a pandemia de Covid-19, como pode ser visto na publicação da FAO. Na realidade, a nível mundial, as trocas comerciais de produtos agrícolas, em particular de gêneros alimentícios menos perecíveis, tiveram um desempenho superior ao comércio geral de mercadorias.
Levando em conta esta situação, a FAO aumentou para US$ 1,72 trilhões a previsão de gastos com importações mundiais de alimentos em 2021, ou seja, alta de 12% em relação aos números recordes de 2020, que ficaram em US$ 1,53 trilhões. No entanto, a alta de preços levanta preocupações, porque esse gasto suplementar pode mascarar uma evolução desfavorável de dietas alimentares no plano quantitativo e qualitativo de países vulneráveis.
A publicação semestral Perspectivas da Alimentação fornece uma análise detalhada das tendências relativas à oferta e à demanda dos principais gêneros alimentícios no mundo dentre eles os cereais, óleos vegetais, açúcar, carne, produtos lácteos e peixes. Ela oferece também uma análise das tendências dos mercados futuros e dos custos para circulação dos alimentos.
De acordo com as conclusões da publicação, com base nos índices globais dos preços ao consumidor de alimentos da FAO, o preço médio global de proteína ao consumidor aumentou 23% em maio de 2021 em relação ao seu nível de maio de 2020. Os preços das calorias registraram crescimento de 34% na mesma comparação, e atingiram um nível recorde desde fevereiro de 2013. Esse resultado é explicado pela forte alta nos preços do trigo, grãos e óleos vegetais em relação ao preço da carne, produtos lácteos e peixe.
Pontos de Destaque
A produção mundial dos principais alimentos deverá aumentar no decorrer do próximo ano, com exceção do açúcar, que de acordo com as previsões, deverá cair pelo terceiro ano consecutivo e será menor do que o consumo mundial, o que sugere que será necessário avançar sobre os estoques.
Em relação ao mercado dos grãos oleaginosos e seus produtos derivados, a situação se anuncia tensa à medida que a retomada do crescimento da produção deverá ser insuficiente, de acordo com as previsões, para satisfazer a demanda mundial.
A oferta mundial de trigo e arroz é sustentável, enquanto os estoques de grãos em geral serão menores, apesar da produção mundial recorde em 2021. O recuo se explica pela utilização importante dos estoques para alimentação animal e indústria de amido.
No final do ano, a relação entre estoque/consumo deverá subir para 38% no caso do trigo, acima da média dos últimos cinco anos, ficar estável em 35,1% para o arroz, e cair para 20,8% para os grãos.
A produção mundial de carne deverá crescer 2,2% em 2021 chegando a 346 milhões de toneladas. Este crescimento é atribuído à recuperação mais rápida do que o previsto na produção chinesa de todos os tipos de carne, mas principalmente a de suína, como consequência dos grandes investimentos na cadeia de valor e os esforços na luta contra a propagação da gripe suína africana.
A produção mundial de peixe deverá se recuperar e os preços se fortalecerão em decorrência do retorno da demanda dos restaurantes, depois de um ano de restrições relacionadas à pandemia de Covid-19. O relatório indica que essas restrições conduziram a uma evolução nas tendências de vendas, favorecendo sardinhas, anchovas e cavalas, bem como o atum.
Um capítulo especial destinado ao comércio e aos preços dos alimentos
A nível mundial, as exportações de produtos agrícolas e alimentos cresceram quase US$ 52 bilhões em 2020 em relação ao ano anterior (ou seja, uma progressão anualizada de 3,2%). Cerca de 40% desse crescimento foram atribuídos aos países em desenvolvimento.
Em 2021, o valor do comércio mundial dos produtos agrícolas, que é medido pelas exportações, deverá registrar crescimento de 8% (ou seja US$ 137 bilhões). Uma grande parte decorrente do aumento da demanda procedente do Leste da Ásia. Entretanto, a composição dessa grade de importações deverá ser alterada profundamente nesta região devido à recuperação do setor de criação animal na China, principalmente depois de controlar a gripe suína africana.
A relação entre o comércio de produtos agrícolas e de produtos não agrícolas foi quase de 11% no início de 2020, ou seja, somente um terço dos números atingidos nos anos sessenta, mas quase o dobro da menor relação histórica atingida em 2007.
A alta nas importações de produtos alimentícios, dentre todas as importações, pode ser um sinal de crise que pode se abater sobre alguma região. Por exemplo, as despesas com importações em países de baixa renda e de pouca disponibilidade de alimentos (PFRDV) deverá aumentar em 20%, ou seja, cinco vezes mais rápido do que o projetado para os países menos desenvolvidos. Os países que possuem receitas de exportação, especialmente aquelas procedentes do turismo, foram duramente atingidos pela pandemia e estão particularmente mais vulneráveis.
















