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Especiais Selectus nº 6158

Rabobank – Demanda retoma os níveis pré-pandemia

Mercado global/Rabobank – A pandemia do Covid-19 não terminou e os riscos continuam, mas alguns segmentos do mercado registram demanda nos níveis anteriores à pandemia, de acordo com analistas da indústria do Rabobank.

Fonte: Fonte: Dairy Industries - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Kai Wei on Unsplash
Rabobank – Demanda retoma os níveis pré-pandemia

A cada mês que passa, os mercados lácteos em todo o mundo, retornam vagarosamente ao normal, e se distanciam das distorções provocadas pela pandemia. A avaliação detalhada de dados sobre oferta e demanda mostra que já estão superados os períodos mais atingidos de 2020. A projeção para os próximos 12 meses apresenta fundamentos de mercado relativamente neutros.

Os riscos e incertezas permanecem, sustentando os elevados níveis dos preços das commodities. Com a provável redução da demanda importadora da China na segunda metade de 2021, os compradores 'alternativos' serão testados, e possivelmente levará ao ajuste de preço do mercado de lácteos.

Os mercados spot de lácteos, na sua maioria, ficaram neutros ou estagnados no segundo trimestre de 2021. Os preços das commodities procedentes da Oceania neste último trimestre foram estáveis, exceto uma correção no mercado de manteiga. No meio do ano, o preço das commodities (em US$) estão em níveis elevados em comparação com o ano passado.

A oferta global ficou praticamente estagnada na maior parte das regiões exportadoras. O fluxo europeu ficou sem brilho e teve crescimento modesto de 0,5%. O clima desfavorável e aumento no custo da ração neutralizaram qualquer elevação de preço do leite na região. Com isso, a captação de leite no noroeste da Europa caiu acentuadamente: França (-2,5%); Alemanha (-1,9%); e Holanda (-1,3%), mas, registraram crescimento, Irlanda (+10,2%) e Itália (+2,3%).  

As exportações de queijo pela União Europeia (UE) foram positivas, registrando aumento de 4,8% na comparação anual, ou 11.100 toneladas, no primeiro trimestre de 2021, enquanto as exportações de leite em pó integral (WMP) subiram marginalmente (+0,3% na comparação anual). As exportações de leite em pó desnatado (SMP) ganharam 3,1%. O desempenho da manteiga foi bem inferior (-18,7%), prejudicado com a queda das remessas para os Estados Unidos da América (EUA).   

Do lado do Brexit, o Reino Unido adiou para 1º de outubro a adoção dos controles de fronteira para a movimentação de produtos lácteos com a UE. Os controles iniciais resultaram em alguns atrasos, o que é um problema para produtos lácteos frescos. Além disso, os produtos fabricados na UE com parte do leite fresco do Reino Unido podem enfrentar desafios relacionados à rotulagem com matéria-prima procedente de países fora da UE. Esse, provavelmente, será um problema que irá perdurar. Consequentemente, fábricas da UE terminarão por segregar os ingredientes de ‘fora da UE’, o que pode desencorajar o uso de lácteos do Reino Unido.

Enquanto isso, a produção de leite nos EUA continua em alta acelerada, com as 9,49 milhões de vacas no país, o maior rebanho leiteiro em mais de 20 anos. A produção de leite cresceu 2% no primeiro trimestre de 2021 e continua registrando taxas de crescimento maiores do que o previsto. A expansão da capacidade instalada de queijos absorve boa parte desse leite extra. A produção do queijo tipo americano, no primeiro trimestre, aumentou 7% em relação ao ano anterior.  A produção de muçarela, entretanto, caiu 0,8% no mesmo período.

A Nova Zelândia teve um forte final de temporada 2020/21.

Houve crescimento na oferta de leite na América do Sul mas, os custos crescentes da ração e a inflação devem moderar o crescimento anual no segundo semestre de 2021. A demanda interna permanece irregular. No entanto, o aumento da oferta na região tem sido administrável.

O Rabobank espera um crescimento mundial modesto de 1%, nos próximos 12 meses, nas regiões do Big-7.

Os riscos

Da perspectiva global, a pandemia está longe de acabar. Atualmente a Índia lidera a lista do maior número diário de casos. A vacinação global está lenta em muitos países, e isso pode significar que ela só estará completada no final de 2023. No entanto, grandes mercados de lácteos (EUA e China) estão com as demandas nos níveis de antes da pandemia no varejo e canais de serviço de alimentação. Há um otimismo crescente do mercado à medida que as vacinas proporcionam maior segurança aos consumidores. Ainda assim, existem muitos riscos com a prevalência da terceira e quarta ondas, novas variantes e morosidade na vacinação em algumas regiões.

A China continua liderando o comércio global de lácteos. O apetite salutar da China por importações foi visível nos primeiros meses de 2021 e tem sido o principal pilar de preços.

Ainda assim, o Rabobank espera menor importação chinesa no segundo semestre de 2021, e isso permanece sendo um fator chave da demanda e determinante sobre os preços dos produtos lácteos em 2022.

Houve duas mudanças perceptíveis no mercado. O congestionamento endêmico nos portos, que continua causando atrasos nos embarques e tornando os fretes mais elevados. Os desafios logísticos globais permanecem e continuam impactando no comércio internacional em termos de encarecimento dos fretes e atraso no embarque de encomendas. A perspectiva de curto prazo não parece fornecer qualquer solução e representa um risco de alta para nossas projeções de preço, caso as interrupções continuem.

O Rabobank também elevou as expectativas em relação aos preços globais de grãos e oleaginosas. Preços elevados de ração poderão perdurar em 2022, mantendo as margens dos produtores de leite sob pressão.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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