Argentina – Produtos lácteos, preços e protestos
Lácteos/AR – Em 2020, a Argentina ficou em 12º lugar do mundo, em consumo anual de leite de vaca. O setor lácteo do país fica estabelecido principalmente nas províncias de Buenos Aires, Santa Fe e Córdoba. As atuais margens negativas, especialmente entre os pequenos produtores, estão desencadeando contínuos protestos no setor.

De acordo com o recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país tem cerca de 10.000 unidades produtoras, e cerca de 80% delas possuem menos de 500 vacas. De um modo geral, os pequenos produtores procuram estabelecer sua atividade com os animais a pasto, enquanto os grandes, possuem estruturas sofisticadas de confinamento e compram alimentos. Assim, os sistemas de produção de leite podem ser a pasto, semi-pastagens, e entabulados. No entanto, o mais comum é o sistema semi-confinamento, onde os animais se alimentam com pastagens quando elas estão disponíveis e vão para o confinamento quando os pastos acabam, e também neste caso, haverá suplementação alimentar.

Protestos e nova lei
A situação financeira dos produtores de leite da Argentina deteriorou- se nos últimos meses. O relatório acrescenta que as atuais margens negativas, especialmente dos pequenos produtores, geram contínuos protestos das entidades representativas do setor, que pedem reajustes ou o fim dos atuais controles de preço. O tabelamento foi prorrogado em junho de 2021, mas alguns produtos foram retirados da lista, entre eles fórmula infantil, queijo ralado, requeijão, doce de leite, manteiga e margarina, iogurte, sobremesas e pudins.
Uma nova lei será adotada, já que o governo argentino quer aumentar a diversidade dos alimentos nas prateleiras dos supermercados. Uma parte do espaço das gôndolas será ocupado por produtos elaborados por empresas de pequeno e médio porte. Isso significa que haverá limitação do espaço para produtos de uma única empresa. Os efeitos dessa lei, que começou a ser implementada em maio de 2021, são incertos, mas pode incentivar as pequenas indústrias a dedicarem maior produção para o mercado formal.
No curto prazo, as cadeias de supermercados lutam para diversificar seus fornecedores e cumprir os requisitos da nova lei, afirma o relatório.
Consumo e comércio
O consumo de leite fluido no mercado doméstico, em 2020, foi calculado em 1.800.000 toneladas, 9,4% a mais em relação ao consumo de 2019. O aumento foi atribuído à mudança de padrões na alimentação dos argentinos decorrente do Covid-19.
A demanda brasileira por produtos lácteos argentinos permanece forte, e o maior produto de exportação, o leite em pó integral, nos últimos anos tem abastecido a Argélia e o Brasil. As compras chinesas também cresceram significativamente em 2020.
Em 15 de outubro de 2020 a Argentina retomou o acesso ao mercado lácteo da Coreia do Sul, que não importava lácteos argentinos desde 2016, quando autoridades sanitárias proibiram a entrada de produtos da Argentina.
Agora a Argentina recuperou o mercado e foi autorizada a exportar manteiga, queijo, soro de leite, leite em pó, e creme. Antes de 2016, a Argentina embarcava quantidades limitadas de leite fluido e queijo para a Coreia do Sul.
Em 2019, La Serenísima foi a marca de produtos lácteos mais popular da Argentina, seguida pela Ilolay, de acordo com a Statista. No mesmo ano, La Serenísima foi a marca de produtos lácteos comprada com mais frequência na Argentina, com média de 13,7 vezes por família/ano. A Ilolay foi a segunda, com média de 7 vezes por família/ano. De acordo com um estudo do Observatório da Cadeia Láctea da Argentina (OCLA), 25,3% da produção de lácteos na Argentina foi para exportação em 2020. Os cinco principais destinos dos lácteos argentinos foram Brasil, Argélia, Rússia, Chile e China.
















