Argentina – Custos Regionais de Produção de leite, valores atualizados a junho de 2021
Preços/AR – O preço do leite ao produtor no mês ode junho de 2021 foi de AR$ 31,32/litro (Sistema Integrado de Gestão do Setor Lácteo da Argentina – SIGLeA do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca), e de AR$ 32,02/litro (Panel 18 Empresas - conjunto das 18 maiores indústrias de laticínios da Argentina).

O Custo de Produção (Gastos Diretos + Gastos de Estrutura + Amortizações + Remuneração Empresarial – Recuperação) foi de AR$ 30,25, representando uma taxa de rentabilidade do Capital de 1,84%.
Se ao Custo de Produção for incorporado uma rentabilidade exigida para o Capital Médio Operado de 5% ao ano, encontra-se um Preço de Equilíbrio de AR$ 35,62 (preço necessário para pagar todos os custos efetivos, manter o capital e remunerar o investimento).
Em dólares, o preço Panel 18 foi de US$ 0,336/litro, e o Custo de Produção US$ 0,318/litro e o Preço de Equilíbrio de US$ 0,374/litro.
A diferença entre o preço recebido e o preço de equilíbrio é de AR$ 4,03 e US$ 0,042/litro de leite, em torno de 12% a 13%, respectivamente.
Durante 6 meses consecutivos a rentabilidade de uma produção média de leite é nula em março e fica levemente positiva em abril, e em maio e junho consegue taxas de 1,5% e 1,8%, respectivamente. Cabe esclarecer que existem algumas regiões com resultados negativos nos últimos 11 meses.

Para o mês de julho existe a expectativa de que o preço tenha reajuste acima da inflação e haja desvalorização cambial. Com isso os preços reais continuarão subindo. A rentabilidade também deve melhorar, já que a queda nos preços dos grãos (soja e milho) melhora a relação com o preço do leite e reduz o custo do arrendamento de terras.

Rentabilidade
Quando o preço começa a superar o Custo de Produção, gera renda ao Capital, portanto, Rentabilidade. A decisão de avaliar outra alternativa como destino do capital surge da comparação da taxa de lucratividade da produção de leite com taxas de investimentos alternativos.

O gráfico mostra que a renda gerada ao Capital Médio (terra, animais, máquinas, bens de uso e circulantes) foi de 1,84%. A rentabilidade ponderada das dez regiões por estrato foi de -0,2%, 1,2% e 3,9% para propriedades pequenas, médias e grandes, respectivamente. Isto implica uma melhora em relação ao mês anterior e abre uma expectativa para o próximo mês.

O custo de produção se vincula em diferentes proporções a estes três componentes: leite (mão de obra de ordenha e arrendamentos, por exemplo), inflação (para alguns bens e serviços não comercializados no exterior) e variação cambial (sementes, agroquímicos, fertilizantes, suplementação, juros, etc).
O quadro mostra claramente que apesar do preço estar aumentando acima do câmbio e superar o índice inflacionário na variação interanual, não consegue compensar a elevação do custo de produção gerado com o aumento dos preços internacionais dos grãos, fundamentalmente soja e milho que têm uma grande participação nos custos de produção de leite.
A rentabilidade, melhora 0,35 pontos percentuais à obtida no mês anterior, e é 0,29 pontos superior à rentabilidade obtida em igual mês do ano passado.
Preços de Equilíbrio
Se ao custo de Produção incorporarmos uma rentabilidade exigida ao Capital investido de 5% ao ano, obteremos o Preço de Equilíbrio (preço necessário pagar os custos efetivos, manter e remunerar o capital).
Se adicionarmos a taxa de rentabilidade de 5% exigida para o capital, se deveria gerar uma renda líquida por hectare que dividia por 8.718 litros de leite de produtividade média, deveria dar um valor de custo de oportunidade do capital médio operado de AR$ 5,37/litro de leite. Portanto, o Preço de Equilíbrio seria de AR$ 35,62/litro de leite (AR$ 30,25 de Custo Total + AR$ 5,37 de Rentabilidade do Capital), ou US$ 0,374/litro.

No gráfico anterior pode-se fer que o preço recebido em 5 meses do ano de 2019 (mar/jul) foi superior não somente ao custo de produção, mas que cobre o custo de oportunidade exigido sobre o capital médio operado, logo o preço, apesar de gerar rentabilidade, foi inferior aos 5% e já nos últimos meses (setembro/20 a fevereiro/2021) o preço médio recebido não conseguir cobrir os custos de produção. Nos últimos 4 meses o preço recebido superou o custo de produção e existe uma tendência de manter o preço acima do custo e ir se aproximando do preço de equilíbrio, com todas as ressalvas deste negócio tão volátil e muito afetado por questões econômicas e políticas.
Análises por Região e por Estrato Produtivo


Quando se analisa cada região e cada estrato pode surgir distintas realidades relacionadas aos níveis de produtividade e eficiência e ainda, tamanho não é sinônimo de eficiência.
















