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Especiais Selectus nº 6190

Relatório USDA-FAS, jul/21 - Comércio e Mercado Internacional

Lácteos – Os preços mundiais dos produtos lácteos estão relativamente altos devido, em grande parte, à demanda de importação sem precedentes por parte da China em particular por leite fluido, leite em pó, soro de leite e derivados. Este ano, no período de janeiro a maio, a mesma cresceu quase 17% e alcançou US$ 6,4 bilhões.

Fonte: Fonte: OCLA – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Photo by USDAgov is Market with CC PDM 1.0
Relatório USDA-FAS, jul/21 - Comércio e Mercado Internacional

Ainda que os exportadores de produtos lácteos dos Estados Unidos da América (EUA) só tenham capturado uma pequena parte do mercado de importação da China, dominado pela União Europeia (UE-28) e Oceania, segue sendo um mercado essencial, o segundo depois do México. Este ano, o volume de envios até maio já aumentou quase 75% na comparação interanual. Os exportadores também são beneficiados indiretamente com a demanda da China pelos preços mais elevados dos lácteos no mercado internacional.

Leite fluido

A previsão de produção de leite de 2021 na Argentina é de 11,7 milhões de toneladas. A produção acumulada de janeiro a maio aumentou 4%. A produção deverá ser mais moderada já que os produtores de leite enfrentam um clima econômico incerto. O governo já estabeleceu uma série de controle de preços aos produtos lácteos, alguns dos quais expiraram em junho. O objetivo do governo é controlar a inflação dos alimentos assegurando a oferta adequada de produtos no mercado interno. Também ameaçou impor um imposto à exportação de 5% sobre o leite fluido e de 9% sobre o leite em pó. Em consequência, os produtores enfrentam preços relativamente fixos para seus produtos que, junto com o aumento de custos dos insumos, particularmente os concentrados, terão redução de suas margens. Assim, a produção de leite deverá desacelerar no final de 2021, aumentando somente 3% em relação a 2020.

A previsão de produção de leite da Austrália é de 9,2 milhões de toneladas devido à mudança inesperada dos produtores de leite para gado de corte. A previsão é de queda de 1% no rebanho leiteiro e que o preço ao produtor na temporada 2020/21 supere o valor médio do leite dos últimos 5 anos.

Na Nova Zelândia a previsão é de que a produção de leite chegue a 22,4 milhões de toneladas, registrando aumento de 1% sobre o nível recorde de 2020. A queda do rebanho deverá ser compensada com o aumento de 3% na produtividade média por vaca. Além do mais, a expectativa de preços é promissora já que a Fonterra anunciou um preço médio de pagamento inicial do leite de NZ$ 8/kgMS para 2021-22, um recorde para início de temporada. Isto representa aumento de 6% em relação ao ano passado. .

A produção de leite na UE-28 foi lenta no começo do ano, mas melhorou na primavera. A expectativa é de que chegue a 158,5 milhões de toneladas, aproximadamente 1% mais que em 2020.

Queijo

Apesar da menor oferta de leite no início do ano, a produção de queijo na UE-28 teve tendência de alta até abril. A expectativa é de que a demanda no varejo e recuperação dos setores hoteleiro, institucional e restaurante, junto com a crescente produção de leite, sustentem a produção de queijos durante o resto do ano. A fabricação de queijos em 2021 na UE está prevista ser de 10,6 milhões de toneladas (+2,5%) em relação a 2020, com aumento de 6% nas exportações, acompanhando a esperada recuperação da economia mundial e a manutenção da  demanda firme. As exportações dos EUA foram mais baixas devido às tarifas adicionais de retaliação de 25% relacionadas com a disputa da Airbus na Organização Mundial do Comércio (OMC). Em março, as tarifas foram suspensas por 4 meses e as exportações se recuperaram Dada a recente decisão de suspender as tarifas por outros 5 anos, é provável que o comércio continue a recuperação. Tradicionalmente, as importações estadunidenses dominam o comércio de queijos da UE-28.

O prognóstico para a produção de queijo da Nova Zelândia em 2021 é de 375.000 toneladas. A expansão das exportações este ano foi muito rápida, e de janeiro a maio cresceram 19%. Isso foi impulsionado em grande medida pelo aumento da demanda chinesa. 

A exportação de queijo pelos EUA deve chegar a 379.000 toneladas devido ao forte ritmo atual de envio para grandes mercados como Coreia do Sul e Japão. Os embarques de queijo até maio aumentaram 6% na comparação interanual. Ainda que as exportações para o principal mercado, México, tenham ficado estagnadas, a expectativa é de que a economia mexicana se recupere.

De acordo com as expectativas, a importação de queijo pela China deverá aumentar 38% e chegar ao recorde de 180.000 toneladas à medida que o mercado interno continue sua expansão, a um ritmo sem precedentes. De 2012 a 2020, a demanda cresceu à taxa média anual de 16%. Agora a China deve se tornar o maior mercado mundial importador de queijo, superando os EUA. A maior parte será procedente da Nova Zelândia e da UE-28, que representam 56% e 21%, respectivamente.

Manteiga

A produção de manteiga na UE-28 deverá cair 0,8%, chegando a 2,4 milhões de toneladas. A escassez de estoques e o crescimento do consumo interno evitarão que a manteiga chegue ao mercado internacional. Calcula-se que as exportações de manteiga pela UE-28 caiam 19%.

Nos EUA, a média dos preços da manteiga está em US$ 3.750/tonelada, muito abaixo das cotações internacionais. Esta vantagem competitiva pode expandir significativamente as exportações  e chegar a 53.000 toneladas. A maior parte será enviada para clientes tradicionais como Canadá, mas também para novos mercados como Bahrein, Arábia Saudita e Egito.

Leite em pó desnatado (LPD)

A exportação de Leite em pó desnatado (LPD) pela UE-28 em 2021 pode cair 2% em relação a 2020, e totalizar 810.000 toneladas, em decorrência da menor produção. Aumentaram os envios para a China (+19%) e Indonésia (+84%), compensando a queda de outros países.

Como reflexo da maior disponibilidade de leite, a produção estadunidense de LPD deve chegar a 1,27 milhões de toneladas. Os preços estão competitivos no mercado internacional e as remessas para os mercados do México e da Ásia ganham terreno. Além do mais, as exportações para a China começaram a crescer rapidamente. Ainda a maioria dos produtos lácteos dos EUA estão sujeitos a tarifas adicionais de 25% em retaliação a disputas comerciais. Dadas às boas perspectivas, o prognóstico é de que as exportações de LPD pelos EUA aumentem 8%, chegando ao volume recorde de 890.000 toneladas.

Talvez o mais surpreendente tenha sido o recente aumento das importações de LPD pela China, afastando-se do padrão tradicional de compras. No passado, as entradas foram mais acentuadas no primeiro trimestre devido aos acordos de livre comércio com a Nova Zelândia e a Austrália. Este ano, as importações estão em uma nova trajetória, aumento constante desde fevereiro. A previsão é de que alcançarão um recorde de 480.000 toneladas.

Relatório USDA-FAS, jul/21 - Comércio e Mercado Internacional

Leite em pó integral (LPE)

A China vem se recuperando do impacto negativo da pandemia de Covid-19 e a previsão do crescimento econômico está em torno de 8% neste ano. Isto levou ao aumento nas importações de Leite em pó integral (LPE), que no acumulado do ano já cresceram 23% em relação ao ano anterior, podendo chegar a 825.000 toneladas. A maior parte será fornecida pela Nova Zelândia, que tem um acordo de livre comércio com a China.

RESUMO DAS PREVISÕES PARA 2021

Relatório USDA-FAS, jul/21 - Comércio e Mercado Internacional
Imagem: OCLA

O relatório só mostra os dados dos principais países de cada categoria/produto exportado

Acesse aqui a matéria na íntegra

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