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Especiais Selectus nº 6201

Holandeses em busca de queijo uruguaio

Queijo com probióticos – Visando produtos inovadores, mas também, benéficos para a saúde, cadeias de cooperativas de laticínios holandesas de grande porte estão negociando com pequenas empresas uruguaias, para reproduzirem um queijo que foi desenvolvido e é produzido no Uruguai.

Fonte: Fonte: El País – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Navjot Singh - British Journalist and Photographer is licensed under CC BY-ND 2.0
Holandeses em busca de queijo uruguaio

A meta dos holandeses que estão negociando com a Granja Naturalia, é concretizar uma espécie de transferência de tecnologia para produzir o queijo com probióticos e posteriormente exportá-lo.

“A China também quer este queijo. A bactéria probiótica usada no produto já está autorizada naquele país e se esta iniciativa holandesa não se concretizar, o Uruguai perderia uma enorme oportunidade para colocar um produto com grande valor agregado e diferenciar-se no mundo”, explicou o Diretor Comercial da Granja Naturalia, Pablo Würth a El País, que confirmou as negociações.

No Uruguai, o queijo de referência é controlado pelo laboratório Beltran Zunino (Laboratório BZ) e deve ter um determinado nível de bactérias probióticas por grama. Desta forma são concedidas maiores garantias aos consumidores.

“O uso de bactérias probióticas em quesos não é comum, é mais fácil encontrá-las em iogurte. A Granja Naturalia conseguiu a habilitação em 2016 para sair no mercado com seu produto que despertou o interesse dos países do Mercosul e da China. Os holandeses querem transferência tecnológica para produzi-lo e vender na Ásia.

Aliados da Saúde.

Os probióticos são bactérias benéficas para a saúde. Se bem que sejam muito utilizadas em lácteos como iogurte, não são encontradas nos queijos. Neste caso o produto almejado pelos holandeses e chineses, trata-se de um queijo fresco, semi desnatado, com baixo teor de sal, muito similar ao Danbo que o Uruguai coloca no mercado em pacotes de 200 gramas. A empresa uruguaia produz cerca de 6 toneladas mensais.

Além de empresas holandesas e chinesas, existe um crescente interesse em incorporar o produto por países do Mercosul (principalmente Brasil e Paraguai), mas também existem interessados na União Europeia (UE).

Würth começou o projeto do queijo com probióticos em 2005, quando, depois de Técnico em Laticínios, conheceu um cientista italiano que veio a Nueva Helvetica para dar uma palestra. “Falou das bactérias probióticas e comentou sobre um projeto que estava fazendo na Argentina, onde o cientista Guillermo Oliver, havia isolado uma bactéria probiótica em Santa Fe, e fez o estudo genômico, começando a aplicar em alguns produtos lácteos. De imediato se deram conta dos benefícios que essa bateria tinha”, explicou o técnico da Granja Naturalia. A empresa uruguaia fez um estudo na Argentina da bactéria probiótica desenvolvida no leite para elaborar este queijo e os resultados foram mais que promissores. O probiótico usado foi patenteado pelo Instituto Cerela da Argentina, um instituto de pesquisa pioneira na América Latina, de nível superior, dedicado ao estudo das bactérias lácteas em dois grandes grupos: alimentos e saúde humana e animal.

A bactéria chega em envelopes da Itália, onde outro instituto de primeiro nível se encarregou de multiplicar e comercializar. “Na Itália isolam a bactéria probiótica, a reproduzem e a transformam em um fermento liofilizado que chega em um envelope refrigerado. Essa bactéria é cultivada no leite, que é pasteurizado, antes da elaboração do queijo”, explicou o profissional.

Foi na década de oitenta, quando cientistas europeus começaram a aprofundar no estudo dos probióticos a nível mundial e seu possível uso em produtos lácteos fermentados. São microrganismos que estão presentes em humanos desde o nascimento e deveriam acompanhá-lo por toda a vida. Se bem que existem alimentos que estimulam seu desenvolvimento, tratamentos com antibióticos, conservantes e a má alimentação, faz com que eles se percam na medida em que destroem a flora intestinal.

Travas na roda

“Temos um montão de problemas para colocar esse queijo no mercado local”, explicou o Diretor Comercial da Granja Naturalia.

O Ministério da Saúde outorgou licença para a empresa exportar o queijo – a planta é a única habilitada pelo Ministério – mas existe regulamentos que proíbem o uso do nome ‘queijo com probióticos’. “A administração pública tem muitas coisas para inovar e corrigir”, ressaltou Würth.

A habilitação da fábrica demandou investimento de US$ 400.000 e foi construída uma fábrica totalmente nova, somente para elaboração desses queijos.

Em 2016 chegou a certificação e surgiu o interesse de outra multinacional para reproduzir o queijo com probióticos no país, mas a negociação não prosperou.

“Me encantaría se o governo e a classe política apoiassem mais os cientistas e os empresários que são inovadores, buscando o caminho da melhora contínua, para poder exportar esses produtos de maior valor agregado e não somente produtos tradicionais como o leite em pó”, reclamou Würth. O setor lácteo precisa inovar e hoje existem oportunidades de diferenciação.

 Acesse aqui a matéria na íntegra

Foto de capa: "Dutch Cheese- Copyright Navjot Singh" by Navjot Singh - British Journalist and Photographer is licensed under CC BY-ND 2.0 

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