Argentina – Qual a aposta do governo para o comércio com a China
China – A Argentina tem um potencial praticamente ilimitado para exportar produtos agropecuários e alimentos para a China, país que tem 1,4 bilhões de habitantes e conta com um segmento de renda média e alta de 500 milhões de pessoas.
Este cenário foi descrito pelo embaixador argentino no gigante asiático, Sabino Vaca Narvaja, no vídeo do Congresso Internacional “O Campo e a Política”, organizado pelo Coninagro.
O embaixador explicou que a estratégia da representação diplomática a seu cargo para aumentar a inserção do país no gigante asiático se concentra em buscar complementação econômica com a China, entrar nos canais de consumo que se abrem pelas plataformas de comércio eletrônico e desenvolver nichos regionais.
“Em 2011, 90% das exportações argentinas se concentravam no complexo sojeiro e em 2020, chegaram a 49%, porque ganharam posições setores como a carne bovina, pesca, óleo de amendoim, alfafa, mel e lácteos”, disse Vaca Narvaja.
Como exemplo o crescimento do consumo de setores médios e altos, citou o caso do café. Os chineses, destacou, “tradicionalmente consumidores de chá, hoje são os principais consumidores de café; a abertura de lojas em cidades como Xangai é exponencial e isso abre possibilidade aos lácteos”, explicou.
Entre as tendências do gigante asiático, o embaixador argentino na China destacou a melhoria dos padrões sanitários. “Com a pandemia houve os controles passaram a ser mais rigorosos e vieram para ficar”, disse, e explicou que junto com o Senasa conseguiram reverter barreiras impostas por autoridades sanitárias chinesas. Neste contexto, destacou que a definição de sócio estratégico que tem a Argentina com a China permitiu a assinatura de protocolos sanitários que permitiram a entrada de alguns produtos, como o camarão. Além disso, esclareceu que os produtos exportados para a China têm um bom conceito de inocuidade e qualidade entre os consumidores chineses.
Outra tendência mais importante é o desenvolvimento de plataformas de comércio eletrônico. “Existem 900 milhões de celulares conectados, com plataformas que têm 700 milhões de usários”, disse Vaca Narvaja. Em relação a isso, informou que a embaixada argentina trabalha para desenvolver uma espécie de plataforma virtual com produtos argentinos nessas redes de comércio eletrônico.
Ao mesmo tempo, o diplomata informou que buscam vincular a oferta das províncias argentinas com a demanda das províncias chinesas. “Algumas, como Shandong, que tem mais de 100 milhões de habitantes e é praticamente um estado dentro do outro”, destacou.
“O governo argentino quer fortalecer o associativismo com as cooperativas das economias regionais”, disse Vaca Narvaja e deu como exemplo a cooperativa que elabora a erva mate Playadito que está entrando na China. Explicou que trabalham na identificação de projetos de investimento para vinculá-los com o cooperativismo argentino.
Em relação à concorrência enfrentada pela oferta exportável argentina com países que têm acordos de livre comércio com a China, o embaixador disse que é o Mercosul o veículo com o qual se podem obter reduções de tarifas alfandegárias. “Existe uma complementação das economias da região com a China”, disse, sem esclarecer se já estava sendo discutido algum acordo com o gigante asiático.
















