Argentina – Indicadores com vento a favor para os produtores de leite
Produção/AR – A conjuntura marca um aumento de renda em termos reais que se traduz em melhor rentabilidade desde abril de 2020, segundo o Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA).

Uma série de boletins publicados pelo OCLA nos últimos dias, com base em dados oficiais, mostram uma conjuntura com indicadores favoráveis para a produção de leite.
O primeiro não é uma novidade: em julho voltou a crescer a ordenha, como já sucedeu ao longo de todo 2020 e continuou em 2021.
No mês passado os produtores produziram 999,3 milhões de litros de leite, aumento de 8,5% em relação ao mês anterior (5% na média diária), de 3,5% em relação a julho de 2020 e no acumulado em sete meses aumento de 4%.
Resumo do Boletim do OCLA
“Evolução da produção no mês de julho de 2021

“A produção total de leite alcançou, em 2020, os 11.113 milhões de litros, ou seja, 7,44% mais em relação ao ano anterior.
Como é habitual, a partir do pico que ocorre em outubro, a produção cai à taxa de 5% ao mês, até março/abril (calculado pela média diária, para não afetar a quantidade de dias de cada mês), significando que estará havendo mais crescimento até outubro.


Estes valores melhoraram as projeções anuais: 20 indústrias que captam e processam entre 50% e 60% do leite argentino estimavam no princípio de 2021, que entre janeiro e julho o incremento da produção iria ficar em torno de 2,5%, que como vemos agora, foi 1,5% inferior aos dados reais de produção (+4% para os primeiros sete meses do ano), indicando que a produção real superou as expectativas, fazendo supor um crescimento para todo o ano de 2021, na ordem de 2,5%, no lugar de 1,5% considerado anteriormente (11.390 milhões de litros de leite para 2021).

No gráfico seguinte, se observa que a produção em julho de 2021 ficou acima de julho do ano passado (+3,5%) e também acima de julho dos 3 anos anteriores (superada em toda a série disponível somente por julho de 2015, ano da mudança de metodologia na elaboração da série estatística).

A evolução dos denominados “sólidos úteis” (gordura e proteína) estão no próximo gráfico. Cresceram 4,4% no acumulado de janeiro a julho, inclusive acima do crescimento da produção medida em litros de leite (4%).

Equação econômica
Mas o alto nível de produção não significa, necessariamente, um bom negócio: tudo depende do preço que pagam as indústrias pelo leite captado. A boa notícia é que, nesse sentido, também o vento está a favor para os produtores de leite
Em julho, em média, cada fazenda argentina recebeu de AR$ 32,41, ou US$ 0,337 por litro de leite. Esta cifra supera o custo de produção, estimado em AR$ 30,13 ou US$ 0,313, embora não alcance o preço de equilíbrio para remunerar o capital em 5%. Para isso, o valor deveria ser AR$ 35,09 ou US$ 0,365 por litro.
De qualquer modo, é uma rentabilidade de 2,9% que se configura a mais alta desde abril de 2020, de acordo com a série histórica do OCLA.

No decorrer do ano a atualização do preço do litro de leite está ganhando em dólar, da inflação e do custo de produção médio calculado pelo INTA.
A estimativa do OCLA sobre o faturamento da fazenda média de produção também exibe um bom panorama.
Em pesos constantes, a renda de um estabelecimento produtor de leite aumentou 10,6% entre janeiro e julho; em dólares, melhoraram 15%. Nos dois casos, o faturamento atual é o melhor pelo menos dos últimos quatro anos.

















