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Especiais Selectus nº 6249

Uruguai – O problema está nos custos

Produção / Ur - O preço do, expresso em dólares, vem em franca recuperação desde o leite de março de 2020, quando começou a pandemia, e deu um salto em dólar no mercado interno. O aumento dos custos não permite que esta melhora do preço do produto se traduza em ganho em proporção semelhante para os produtores.

Fonte: Fonte: Tardaguila | Foto de capa: Imagem de Peggy und Marco Lachmann por Pixabay
Uruguai – O problema está nos custos

Em agosto passado, o último dado publicado pelo Instituto Nacional do Leite (Inale), o preço do leite entregue nas fábricas do Uruguai foi de US$ 0,355 o litro. Em relação ao piso de março de 2020 houve recuperação de 26%, ou seja, 7 centavos de dólar por litro. Trata-se do preço máximo desde o início de 2015, quando houve registro de mais de US$ 0,40 que predominaram em 2013 e 2014.

No entanto, nem tudo que reluz é ouro. Muitos dos custos de produção subiram junto ou mais com o litro de leite. Talvez um dos casos mais emblemáticos nestes últimos meses seja a ureia que, junto com o aumento dos custos de energia, está alcançando valores máximos em vários anos. A ureia importada em setembro de 2021, de acordo com dados da Alfândega, custou US$ 525/tonelada, quase o dobro dos US$ 269 pagos pela tonelada em março de 2020.

O Índice do Poder de Compra do Leite elaborado mensalmente pelo Inale reflete esta situação, já que sua recuperação é muito inferior à do preço do leite. No mesmo período em que o preço do leite ao produtor subiu 26% (março de 2020 a agosto de 2021, um total de 17 meses), o poder de compra cresceu somente 8%.

“Consolo de tolos”, se poderia dizer, mas esta situação é generalizada a nível do setor lácteo regional e mundial, dado que os principais custos que aumentam são de produtos negociados no mercado internacional, como os fertilizantes e agroquímicos.

É o que está ocorrendo no Brasil “A valorização do preço do leite ao produtor se deve à elevação dos custos de produção”, disse o boletim de setembro do CEPEA. Acrescentando que, “mesmo com o preço do leite em níveis altos, os investimentos na atividade continuam limitados, já que as margens dos produtores este ano estão muito justas”. As pesquisas realizadas pelo CEPEA indicam que os insumos da atividade leiteira estão mais caros e que “no acumulado do ano subiram mais do que o preço do leite”. O custo operacional da atividade leiteira no Brasil cresceu “um expressivo 14% desde o início do ano”, disse a entidade paulista.

As expectativas não são muito alentadoras neste sentido. A opinião generalizada no âmbito internacional é que os preços da energia continuarão elevados. Segundo um artigo publicado na prestigiosa revista The Economist, os altos preços dos combustíveis fósseis “chegaram para ficar” devido à relativa baixa de investimentos na extração do petróleo, gás natural e carbono. Neste mês de outubro o barril de petróleo Brent – o de referência para o Uruguai – superou os US$ 80, com uma recuperação de mais de US$ 30 desde o início do ano. E a tendência continua e continuará sendo de alta na medida em que a economia mundial continue se recuperando da pandemia e que a OPEP ampliada continue fazendo “ouvido de moco” às pressões para que eleve a extração de óleo cru.

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