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Webinar sobre exportações e comércio exterior marca parceria entre Ipea e Apex-Brasil

Comércio exterior - A conjuntura do mercado de exportação no Brasil, desafios, regulação e avanços foram debatidos durante o webinar ‘Promoção Comercial e de Investimentos para a Recuperação Econômica’, realizado na tarde desta quarta-feira (10/11) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para celebrar um acordo de cooperação técnica entre as duas instituições.

Fonte: Fonte: Ipea | Foto de capa: Imagem de myUKhub2 por Pixabay
Webinar sobre exportações e comércio exterior marca parceria entre Ipea e Apex-Brasil

Com a coordenação do diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte), Ivan Oliveira, salientou a relevância da parceria institucional entre o Ipea e Apex-Brasil. “Essa associação chega em um momento de estruturação da agenda de um tema que é crucial para o Brasil, um país forjado no investimento direto, que continua a depender bastante dele. Ou seja, ter uma estratégia bem montada e uma agência bem articulada como Apex para fazer acontecer é essencial”, disse.

O diretor lembrou que o tema exportações e investimentos foi abordado em um documento lançado pelo Ipea no ano passado, chamado Brasil Pós-Covid, que contemplou diversos eixos, a partir de estudos em áreas variadas de conhecimento. “No eixo internacional, o tema exportações e investimentos foi intensamente discutido no documento. Lançamos um relatório internacional específico sobre isso, que já previa a ideia de uma colaboração Ipea e Apex para a realização de estudos que venham a embasar um plano de ação de longo prazo nessa área. Portanto, esse evento nos mostra que avançamos no que nós, do Ipea, acreditávamos que seria importante para o país nessa temática”, enfatizou.

O representante da Apex-Brasil, Lucas Fiuza, afirmou que os estudos e as pesquisas desenvolvidas juntamente com o Ipea têm relação direta com os pilares da agência, entre os quais estão a internacionalização das empresas e a atração de investimentos estrangeiros no Brasil. Sobre o atual cenário de pequenas e médias empresas, Fiuza apontou a informação correta como um subsídio basilar para o sucesso das empresas, do comércio e dos investimentos globais. “Em um contexto de rápidas mudanças pouco previsíveis, como o surgimento da pandemia, dispor de dados que ampare estratégias e possibilidade fácil adaptação à conjuntura tornou a questão da inteligência ainda mais relevante”, defendeu.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, trouxe avaliações sobre o mercado exportador brasileiro, ao qual classificou como pouco dinâmico, a despeito de suas dimensões continentais. “Atualmente, temos 25 a 28 mil empresas exportadoras, ou seja, um número muito pequeno, se comparado a outras economias muito menores que a brasileira. Esse é um dado empírico, que chama a atenção dos policy makers nacionais”, examinou.

O secretário de Assuntos Econômicos e Comércio Exterior do Ministério das Relações Exteriores, Sarquis Sarquis, considerou que o comércio internacional, desde a crise de 2008, não voltou a encontrar o ritmo de expansão que tinha antes da crise, quando este foi uma fonte de crescimento econômico. Outro aspecto igualmente relevante, avaliado por Sarquis, se refere à expansão “surpreendente” da dívida pública, em todos os países, especialmente em países desenvolvidos.

O coordenador de Estudos sobre Cooperação Internacional e Investimentos do Ipea, Renato Baumann, apresentou uma série de propostas elaboradas pelo instituto para a promoção comercial e de investimentos no Brasil. As sugestões partiram de um diagnóstico que identificou que, diante da ociosidade do capital fixo e de capital humano, há espaço para a economia crescer, sem gerar pressões inflacionárias. No entanto, este crescimento somente seria sustentável, com a melhor alocação dos recursos e foco na melhora da produtividade. Além disso, foi constatado também que o setor externo pode desempenhar papel mais relevante do que o registrado até momento.

Baumann ressaltou que o Brasil possui estrutura de promoção de exportações, porém, ainda faltam diretrizes amplas capazes de orientar de forma clara as ações oficiais de apoio à exportação. “Também não é clara a interação da promoção de exportações com a política comercial como um todo. Outro problema é que há coordenação insuficiente dos órgãos governamentais envolvidos na promoção comercial”, analisou.

O gerente de Inteligência de Mercado da Apex-Brasil, Igor Celeste, abordou pontos conjunturais da agenda de promoção comercial e afirmou que a união das capacidades de manejo das informações que o Ministério da Economia hoje dispõe, que a Apex-Brasil tem, da capilaridade do Ministério das Relações Exteriores – buscando dados in loco nos diferentes mercados, o desenvolvimento contínuo de estudos e análises do Ipea, seria fundamental para traçar diretrizes mais eficientes.

Do ponto de vista de investimento estrangeiro direto, Celeste manifestou otimismo em relação ao posicionamento do Brasil. “Temos desafios pela frente, mas temos uma representatividade. O Brasil historicamente é uma economia muito relevante do ponto de vista de atração de investimentos. Nós nos posicionamos entre os cinco ou seis maiores destinos de investimentos do mundo. No último ano, estivemos em décimo lugar por conta da pandemia, sendo ultrapassados pelo México, como principal destino na América Latina. Mas, aparentemente, foi um comportamento muito pontual”, assegurou.

A professora de Economia na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Thorstensen, debatedora do webinar, evidenciou sua preocupação diante de alguns cenários que ela vem observando no que se refere ao comércio exterior. “O que me assusta é ter que trabalhar com três grandes sistemas de comércio. É necessário permanecer com a Organização Mundial do Comércio (OMC) que, por sua vez, criou mais de 300 acordos dos quais surgiram três grandes hubs que, de fato, precisam ser analisados no dia-a-dia”, refletiu.

Veja a íntegra do debate

Acesse aqui a matéria na íntegra

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