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Especiais Selectus nº 6263

Argentina – Avança em Rafaela a vacina contra leucose bovina, a primeira do mundo

Leucose bovina/AR – Em uma fazenda experimental do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina está sendo realizada a primeira etapa de testes com 10 vacas, nas quais foram inoculadas uma cepa transgênica criada na Universidade da Bélgica.

Fonte: Fonte: Campo Litoral - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
Argentina – Avança em Rafaela a vacina contra leucose bovina, a primeira do mundo

Tendo um resultado satisfatório como demonstrado no ensaio, em dois anos poderá estar pronta uma vacina para ser transferida a algum laboratório comercial. Será a primeira vacina contra Leucose bovina do mundo, uma enfermidade de altíssima prevalência nos rebanhos argentinos e com um alto impacto produtivo.

Assim projeta o Médico Veterinário Alejandro Abdala, integrante do grupo de sanidade animal do INTA Rafaela e participante do trabalho que está sendo realizado em conjunto com a Universidade da Bélgica e o INTA Castelar. Na teoria, em dois anos a vacina poderia começar a  ser testada em rebanhos comerciais. “Não massivo, mas em uns poucos”, esclareceu.

A Leucose bovina, explicou o pesquisador, é uma enfermidade viral (gerada por um retrovírus da família do HIV) capaz de desenvolver tumores que causam a morte ou obrigam o sacrifício de 8% das vacas leiteiras infectadas.

A patologia está amplamente difundida nas fazendas argentinas e não em rebanhos de cria pela natureza intensiva dos plantéis leiteiros. A transmissão é produzida entre animais mediante o sangue e é transportada por mutucas. É tido como agravante – acrescentou – que haveria transmissão direta, talvez pela respiração ou pela amamentação.

Grande incidência

Abdala explicou a Campolitoral que os níveis de infeção – desde que começou a ser diagnosticada na década de oitenta – são muito altos, com uma prevalência de 80 a 90% dos animais positivos no rebanho. “Isto quer dizer que deste percentual, alguns animais em algum momento irão desenvolver tumores e irão morrer ou ser eliminados, com impacto na redução da produção de leite e perda para o produtor”. Tão extensa está a enfermidade no país, que arriscou “seria difícil encontrar um rebanho que não tenha Leucose em seus animais”.

Diante deste problema, o INTA Rafaela se uniu ao grupo de virologia do INTA Castelar e começou a desenvolver uma cepa de um vírus da Leucose modificado geneticamente. Este trabalho de laboratório foi iniciado na Universidade da Bélgica, e continuou com as tarefas de pesquisa para desenvolver a vacina primeiro em Castelar e logo depois, em maior escala, na fazenda experimental de INTA Rafaela.

O veterinário comentou que a fazenda INTA de Rafaela foi escolhida, “primeiro porque é institucional, do governo, segundo que tem autorização para inocular esse vírus que não está na natureza, foi gerado em laboratório e requer o cumprimento de uma série de rigorosas normas para evitar sua periculosidade ou disseminação”, explicou.

O processo vem se desenvolvendo de forma satisfatório”, afirmou. Começou em 2015 com a vacinação de 29 bezerras de 6 meses de idade, e foram criadas até que fossem inseminadas; logo depois entraram em ordenha e colocadas em um rebanho com alta carga de infecção “para ver como resistiriam”. Atualmente, daquele lote de bezerras ficaram 10 vacas que estão na terceira lactação, o resto foi sendo descartado por diversos problemas em seu desenvolvimento. “As vacas que completaram ao menos uma lactação resistiriam à infecção natural ao conviver com um grupo de alta carga viral”, disse o veterinário.

"Uma das coisas que faz a vacina é prolongar a vida do animal”, afirmou o profissional. E como um dos tantos problemas sanitários na fazenda é a Leucose “quanto mais passa o tempo, mais eficiente é a eficácia da vacina”.

Quando concluída esta etapa, estimou o profissional, e “se aprovada pelos organismos de controle”, a fase seguinte seria a vacinação de uma escala maior de animais, mas continuaria na categoria experimental.

Abdala destacou que “este desenvolvimento é totalmente financiado pela Argentina" e, se obtiver êxito, “pode ser transferido e ser duplicado como vacina”. No caso, a patente será compartilhada com a Universidade da Bélgica.

Inédita

O veterinário estimou que seria a primeira de seu tipo a nível mundial. “Porque muitos países, sobretudo os desenvolvidos na Europa, fizeram campanhas de erradicação muitos anos atrás”. Conseguiram sem vacina, mas “com isolamentos, subsídios e técnicas sorológicas acessíveis” que foram erradicando a enfermidade e limpando os rebanhos. Entretanto, os Estados Unidos da América (EUA), têm uma importante quantidade do rebanho infectado”.

Cumpridas as etapas atuais, virá a produção industrial da vacina” e também é uma área de pesquisa”. A esse respeito esclareceu que ao nível experimental se produzem umas 25 ou 30 doses porque “é fácil fazer e multiplicar em laboratório”, mas a escala industrial “é muito diferente e seria transferido para um laboratório privado que queira participar dos investimentos e benefícios”.

 Acesse aqui a matéria na íntegra

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