Espanha – Organização rural SLG inicia campanha de denúncia e boicote
Preços/Espanha – A organização rural galega SLG iniciou na sexta-feira passada uma campanha de denúncia e boicote às marcas das indústrias de laticínios que se negam a pagar o litro de leite a preços que cubram os custos de produção.
Começaram a campanha com a multinacional francesa Lactalis-Puleva, a empresa do setor lácteo com o maior faturamento da União Europeia (UE), com vendas de 1,2 bilhões de euros, e que faturou 547 milhões de euros nas duas fábricas da Galícia (Vilalba e Nadela) em 2018. É a indústria de laticínios que mais leite capta na Galícia e está pagando em média € 0,295/litro. A SLG denuncia que é um preço insustentável, já que o custo médio está em € 0,40/litro.
Na sexta-feira a SLG esteve no supermercado Gadis de Quiroga Ballesteros (Lugo) informando aos consumidores sobre as práticas abusivas desta empresa contra os agricultores galegos, solicitando seu apoio e pedindo um boicote aos produtos LACTALIS-PULEVA, entre os quais se encontram GALBANI, PRESIDENT, PULEVA, LAUKI, RAM, EL CASTILLO, GRAN CAPITÁN, FLOR DE ESGUEVA, EL VENTERO e CHUF.
A SLG denuncia que a atual cadeia alimentar é um nó no pescoço do setor leiteiro galego. Existe uma perigosa desproporção entre o poder das indústrias e as áreas comerciais em relação com as pessoas que produzem leite. Esta situação injusta tem como consequência os impactos negativos do processo produtivo – a saber, o aumento dos custos – que sempre vão para o elo mais fraco da cadeia: as pequenas e médias explorações que dão vida ao meio rural gallego.
Produtos fora das prateleiras
A organização rural Unións Agrarias (UUAA) informou que, depois de muitas reuniões mantidas nos últimos dias com as principais empresas de distribuição que operam na Galícia, conseguiram retirar das prateleiras as marcas de leite fluido das empresas Lactalis e Capsa, se não subiram os preços que pagam aos pecuaristas, que possibilitem compensar os elevados custos de produção que enfrentam. A distribuição entendeu que a atitude dessas indústrias é completamente desfavorável, destacou a UUAA. Assim as marcas Larsa, President, Puleva, Ram, etc, desaparecerão das grandes lojas durante uns dias.
A UUAA mantém uma linha de ação sindical centrada nas empresas que não transferem o preço do leite ao pecuarista para enfrentar os brutais custos de produção. Para a organização não existe outra via, depois que a distribuição concordou em aumentar o preço de venda ao público e que este aumento não chega ao pecuarista.
Para ao UUAA, Capsa e Lactalis são, pelo lugar que ocupam nas entidades FENIL e Inlac, assim como pelo grande volume que captam na Galícia, são as principais responsáveis pela rentabilidade zero das propriedades rurais apesar dos grandes lucros que obtêm na comercialização dos produtos industrializados. Os comícios realizados em Vilalba e Outeiro de Rei foram os primeiros passos na escalada de um calendário de ações cada vez mais fortes para reverter a situação na qual se encontram os produtores de leite. O preço médio que está sendo pago é de € 0,333/litro, o que torna a atividade insustentável.
No último ano o preço médio do litro de leite captado dos pecuaristas galegos foi quase um centavo inferior à média nacional. Uma cifra que coloca as propriedades galegas em um contexto de vendas com prejuízos; que piorou nos últimos meses com o aumento dos custos de produção, destacou a UUAA. A organização lembra que apesar de cobrar os preços mais baixos da Espanha, os pecuaristas galegos produzem leite de qualidade superior; com um percentual de matéria gorda superior à média espanhola. Um fato de especial relevância devido ao grande valor da manteiga nos últimos meses; assim as indústrias obtêm com o leite galego uma rentabilidade acima da média.
















