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Economia Selectus nº 6275

PIB recua e Brasil entra em recessão técnica; entenda o que isso significa

PIB - A economia brasileira parou. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,1% no terceiro trimestre, conforme dados divulgados, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), após queda de 0,4% nos três meses anteriores.

Fonte: Fonte: Correio Braziliense | Foto de capa: Imagem de elluisx por Pixabay
PIB recua e Brasil entra em recessão técnica; entenda o que isso significa

Com isso, o país entrou num cenário de recessão técnica — quando há dois trimestres consecutivos de PIB negativo. O dado do segundo trimestre era de queda de 0,1%, mas foi revisado pelo IBGE.

O resultado do PIB brasileiro foi um dos piores do mundo e as projeções mais recentes indicam que o país não deverá crescer, neste ano, acima de 5% como prevê o ministro da Economia, Paulo Guedes. Uma nova onda de revisão das estimativas dos analistas está em curso, e algumas estão abaixo de 4,5%, o que indica uma variação próxima de zero, na melhor das hipóteses no quarto trimestre. "Diversos fatores contribuem para essa revisão negativa. Destacam-se os desarranjos macroeconômicos interno e externo e a incerteza sobre a nova variante ômicron do novo coronavírus", avaliou Arnaldo Lima, diretor de Estratégias Públicas do Grupo Mongeral Aegon.

PIB recua e Brasil entra em recessão técnica; entenda o que isso significa

O Itaú Unibanco prevê alta de 0,1% no PIB do último trimestre, mas o impacto da nova variante não está nesse cenário base, segundo Luka Barbosa, economista-sênior da instituição financeira. Segundo ele, não se pode descartar uma queda do PIB no quarto trimestre, apesar dos avanços na vacinação. "É um risco negativo em relação ao nosso cenário. Esse vírus é bastante difícil de prever", afirmou. Para 2022, o banco projeta queda de 0,5% no PIB, principalmente "por conta do impacto dos juros altos sobre os setores sensíveis ao crédito, como o comércio e a indústria".

Ao comentar os números do IBGE, o ministro Paulo Guedes minimizou o quadro de recessão técnica e voltou a afirmar que a economia está decolando. "A arrecadação está muito forte, o que mostra que o Brasil está decolando de novo", disse, ontem, em evento do setor aeroportuário. Ele ainda criticou as projeções pessimistas e afirmou que é "conversa fiada" dizer que há descontrole fiscal.

Conforme os dados do IBGE não é possível ver decolagem do PIB e, sim, um processo de retomada desigual. A alta de 1,1% em serviços, que tem um peso de 70% no PIB, por exemplo, não foi suficiente para compensar o tombo de 8% da produção agrícola e a falta de crescimento da indústria no trimestre. Além disso, desde o segundo trimestre, o PIB se mantém abaixo do patamar dos últimos três meses de 2019, e a atividade econômica ainda está em um nível 3,9% inferior ao pico histórico atingido no início de 2014.

"Enquanto o segmento de serviços de tecnologia da informação já está acima do patamar pré-pandemia, os serviços prestados às famílias, que dependem de atendimento presencial, ainda se encontram 16% abaixo do nível antes da crise", comparou a economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria. Ela afirmou que o PIB teve um desempenho "medíocre", e não vê cenário econômico favorável para o presidente Jair Bolsonaro (PL) no ano eleitoral, mesmo com a aprovação do Auxílio Brasil de R$ 400. "O benefício não deve ajudar no aumento da popularidade de Bolsonaro, porque todos os elementos econômicos que pesam na avaliação do governo terão resultado negativo", resumiu.

Acesse aqui a matéria na íntegra

 

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