Comissão discute desafios da cadeia láctea nacional
Desafios do Setor Lácteo - A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados debateu na tarde desta quinta-feira (09), os desafios enfrentados pela cadeia leiteira nacional. A audiência pública foi comandada pelo deputado Zé Neto (PT-BA).

O deputado Zé Neto inicia a reunião com dados estatísticos da produção de leite. “Em 2019, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, publicada pelo IBGE, foram produzidos 34,8 bilhões de litros de leite em 5.513 municípios produtores, gerando R$ 43,1 bilhões de valor bruto da produção”, afirma. Ele cita ainda o Censo Agropecuário, também do IBGE, que aponta que em 2017 foram registrados 1,176 milhão de estabelecimentos agropecuários que produziram leite.
“As dificuldades da atividade estão associadas aos preços baixos ao produtor de leite, que muitas vezes não repõem os custos, à elevação dos preços de insumos, ao leite informal, à concorrência com produtos importados subsidiados, à falta de inserção em mercados externos, à redução do número de produtores, à necessidade de ganhos de escala e tecnológicos e ao estabelecimento de política estável de apoio governamental”, destaca.
Diversos representantes de elos da cadeia participaram da reunião. Wilson Massote, Diretor Executivo do G100, pleiteou por uma maior participação do governo através de compras públicas de lácteos, leilões mais frequentes por parte da Conab para compra de produtos lácteos nacionais. Além de destacar o desafio de recuperações de crédito de PIS e COFINS, para que fossem retornados com maior rapidez e com menos burocracia fazendo assim, que as empresas tenham capital de giro.
Ele ainda cita os desafios de falta de financiamentos a longo prazo e a custos compatíveis com a rentabilidade, maior assistência financeira e políticas públicas de sustentação.
Lutz Viana, vice-presidente do Sindileite-BA e também laticinista com a Marca DaVaca, destacou a política do Mercosul de entrada de leite do Uruguai e Argentina que prejudica toda cadeia, desde o produtor até as pequenas empresas e cooperativas que não possuem acesso à importação.
“É inadmissível que sejamos grandes exportadores de vários produtos agropecuários e com o leite temos de importar da Argentina e Uruguai. Estão usando o leite como moeda de troca”, disse Lutz.
Para Paulo Cintra, Presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Leite (Sindileite-BA) o maior desafio apresentado na cadeia é a falta de infraestrutura. “Não adianta tecnologia na obtenção da matéria-prima leite se não tivermos infraestrutura de qualidade e de maneira competente”, diz.
Falta de energia de qualidade, estradas em boas condições para o transporte de leite são desafios enfrentados pelos produtores e indústrias, fazendo que prejudique a obtenção e coleta de leite de qualidade.
Representando a CNA, Guilherme Souza Dias, fez uma apresentação pautada nos pleitos que existem, atualmente, relacionada à cadeia leiteira e que devem ser debatidas com seriedade para que possam seguir com a produção. Ele cita propostas como: enfrentamento à escala nos custos de produção, como a Venda de Milho Balcão e Seguro Pecuário; Orçamento compatível com as necessidades do setor para o programa de Subvenção ao Prêmio de Seguro Rural; Ampliação do Mercado Internacional - criação de acordos comerciais, parcerias estratégicas, escoamento externo lastreando as cotações ao produtor.
Para representar as indústrias, participaram da reunião os convidados Nilson Muniz, Diretor Executivo da Associação Brasileira da Indústria de Lácteos Longa Vida (ABLV), e o Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ), Fábio Scarelli.
Eles destacaram a crise em que a cadeia láctea está vivendo como um todo neste cenário de pandemia, que resultou em alto desemprego, queda no poder de compra da população, alta da inflação e taxas.
Nilson Muniz discorreu sobre a queda de produção e de consumo de leite no Brasil. “Não conseguimos vender leite nem derivados como precisamos e como estávamos vendendo ano passado.” De acordo com dados da Kantar, trazidos por Muniz, houve um queda de consumo de leite UHT entre 8% e 12%, e que chega a 20% em outros seguimentos no mercado de leite.
Segundo o Presidente da ABIQ, Fábio Scarelli, a Conab, deveria intervir mais mais no mercado lácteo através de compras públicas de excedentes no final do ano. "A indústria está descapitalizada hoje, não tem como sustentar altos estoques durante meses, através desses leilões o preço ao produtor seria mais perene o ano inteiro", diz Fabio.
A reunião foi encerrada pelo Deputado Zé Neto, que fez um apelo à cadeia láctea para que se unam e discutam com maior frequência as questões fiscais e de valorização da produção interna de leite, e também, se colocou a disposição para que se haja uma nova discussão sobre o desafio enfrentado pela cadeia leiteira no início do ano que vem.
A Audiência Pública Extraordinária pode ser acessada no site da Câmara no link: https://www.camara.leg.br/evento-legislativo/64455
















