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Família altera horários de ordenha e facilita a mão de obra no leite

Facilidade - A bovinocultura leiteira vem passando por uma crise nos últimos anos, com diversas famílias abandonando a atividade, e a mão de obra exigida na atividade tem sido um dos principais problemas enfrentados pelos produtores.

Fonte: Fonte: Emater - RS | Foto de capa: Imagem de Wolfgang Ehrecke por Pixabay
Família altera horários de ordenha e facilita a mão de obra no leite

Em Serafina Corrêa, ainda em maio de 2019, foi realizado um Encontro Municipal de Bovinocultores de Leite e nele os produtores a elencaram, junto dos custos de produção, como a maior dificuldade enfrentada por eles para se manter ou investir na atividade.

"De acordo com os produtores, o fato de ter sempre o compromisso de madrugar para ordenhar cedo pela manhã e à tarde, sem férias e finais de semana, acaba tornando a atividade menos atrativa aos jovens e dificultando a sucessão familiar, além de afetar a motivação das famílias em permanecer produzindo leite", explica o engenheiro agrônomo Leandro Ebert, extensionista da Emater/RS-Ascar.

De lá pra cá, com esse diagnóstico, a equipe da Emater/RS-Ascar passou a buscar formas de auxiliar essas famílias a tornar a atividade menos penosa e facilitar o seu dia a dia. Uma das proposições da Emater/RS-Ascar veio em discussão com o Grupo de Pesquisas em Ecologia do Pastejo da Ufrgs, através do professor Paulo Carvalho: a alteração dos horários de ordenha.

Ebert conta que a proposta inicialmente visava apenas aumentar o consumo de pasto nos horários em que ocorrem os picos de pastejo (nascer e pôr do sol), mantendo os animais no pasto nesses horários, alterando o manejo tradicional, onde, justamente nesses horários se realiza a ordenha. "Entretanto, o que acontece como consequência é que, além desse benefício de consumir mais pasto, os horários acabam ficando melhores para a rotina e o trabalho da família", ressalta.

A família Silvestrin, que é uma Unidade de Referência em produção de leite da Emater/RS-Ascar no município, foi a primeira que aceitou a proposta de alterar os horários de ordenha. Eles faziam a da manhã por volta das 5h30 e a da tarde às 16h30 e com a alteração passaram a recolher as vacas do pasto onde passaram a noite para ordenhar somente às 8h, deixando tempo para elas pastarem antes da ordenha, ao nascer do sol. À tarde, fazem a segunda ordenha às 16h, soltando logo depois das 17h para que pastem ao pôr do sol, permanecendo no pasto durante toda a noite para pastarem ao nascer do sol do dia seguinte.

De acordo com a produtora Ana Lice Silvestrin Martins, nos primeiros dias de alteração, a partir do final de setembro, foi preciso acostumar as vacas, mas depois de algumas semanas, elas se adaptaram à nova rotina. "Quando a gente olha de manhã cedo, elas estão lá pastando no piquete e, por volta das 8h, quando a gente vai buscar, elas já levantam e esperam a gente pra vir pra ordenha, então elas se adaptaram muito bem", destaca.

Com essas mudanças, a produtora explica que, ao contrário do que se imagina, não teve queda na produção de leite e agora ainda dá tempo até de levar as filhas para pegar o ônibus para a escola, antes de iniciar o trabalho da ordenha, o que antes, no horário tradicional de ordenha, era impossível. De tarde, ordenhando mais cedo, ela também conta que, por volta das 17h30 ela já terminou o serviço, as vacas já estão no pasto e ela pode ficar em casa. "Tá melhor do que eu pensava", relata a agricultora.

A família participa do Projeto Elite a Pasto com a Emater/RS-Ascar em Serafina Corrêa, que visa desenvolver um sistema de produção de leite que permita viabilizar a atividade leiteira para pequenas e médias propriedades com uso de pastagens, e essa é uma das técnicas que tem sido proposta nas propriedades para isto.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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