Por que algumas vacas leiteiras possuem defesas naturais contra a mosca de chifre?
Mosca do chifre – Estudo recente descobriu que alguns bovinos leiteiros Holstein possuem defesa natural contra a mosca do chifre. Essa descoberta pode ajudar os produtores de leite orgânico, cujas vacas são criadas em pastagens e não podem ser expostas a pesticidas sintéticos ou antibióticos.

A Faculdade de Ciências Agrícolas de Penn State descobriu que alguns animais leiteiros da raça Holandesa, particularmente aqueles com pelagem branca, afastam, naturalmente, a mosca do chifre, um parasita que estressa o animal e pode causar doenças no gado que está em pastagens.
Perdas
A líder do trabalho, Bailey Basiel, uma estudante de graduação do Departamento de Ciência Animal, conduziu a pesquisa sob a orientação do professor associado de genética de rebanho leiteiro, Chad Dechow. Ela observou que a infestação resulta em mais de US$ 700 milhões de prejuízos nos Estados Unidos da América (EUA) a cada ano, e gastos de US$ 60 milhões para controle.
Preocupações com o bem-estar animal
Além do impacto econômico, a maior preocupação é com o impacto da mosca do chifre no bem-estar animal, disse Basiel. “As picadas são dolorosas e irritantes para o gado”, disse ela. “Infestações graves podem levar a infecções bacterianas, estresse, queda na produção de leite, perda de peso e problemas de saúde”.
Para resolver o problema, os pesquisadores queriam saber se a resistência à mosca do chifre é uma característica hereditária do gado holandês e, em caso afirmativo, quais genes são responsáveis por tornar esse gado menos atraente para o inseto.
Contando moscas e cores das vacas
O auge da temporada da mosca de chifre é entre maio e setembro. Junto com 13 produtores de leite orgânico nos EUA, Basiel e sua equipe documentaram a carga de moscas, em maio, de 1.600 animais holandeses que pastaram nesses meses de 2017 a 2019.
Observadores treinados, avaliaram a carga de moscas em uma escala de 0 (poucas ou nenhuma mosca) e 4 (alta infestação) validadas por meio de contagem de imagens digitais. A composição da cor do gado também foi documentada com percentuais de preto e branco anotados. Fatores como estágio de lactação, ambiente físico e estado de saúde foram considerados. Testes genéticos em subconjunto de animais aleatórios também foram realizados e o resultado submetido ao Conselho de Pecuária de Leite.
Comparando cor e genética
Basiel e sua equipe descobriram que o rebanho de pelagem predominante branca tem menor carga de moscas do que aquele onde predomina a cor preta. Quando comparadas as informações das descobertas genéticas, os pesquisadores descobriram que uma região no cromossomo 6 estava associada à maior variação na carga de mosca de chifre. O gene KIT, que está envolvido no padrão e na coloração da pelagem, está localizado nessa região e provavelmente está associado à variação na carga de moscas, explicou Basiel.
Moscas e produção de leite
A equipe observou que as vacas com pontuações mais altas de mosca reduziram a produção de leite durante o estudo. No entanto, a produção de leite e componentes foi geneticamente relacionado com a carga de moscas, portanto, as vacas geneticamente predispostas a produzir mais leite também foram mais susceptíveis à infestação de moscas de chifre.
De acordo com Basiel e Dechow, os resultados são preliminares e mais pesquisas são necessárias para entender as potenciais vantagens e desvantagens da reprodução para a resistência à mosca de chifre.
“Até determinarmos se existem outros genes ou características que influenciam a carga de moscas no gado, eu não recomendaria a criação apenas de gado branco”, disse Basiel. “Estudos futuros determinarão se a seleção genética pode ser outra ferramenta para ajudar. Até lá, os produtores orgânicos devem continuar usando um bom manejo do esterno, fazendo armadilhas para as moscas e utilizando repelentes naturais para proteger seus rebanhos”.
















