FIL/IDF - Dia Internacional das Mulheres e Jovens da Ciência
Ciência FIL/IDF – No dia 11 de fevereiro é comemorado as conquistas das mulheres e jovens cientistas de todo o mundo, reconhecendo o excepcional trabalho realizado por elas, e a quebra de barreiras. No reconhecimento do valor desse dia, a FIL conversa com a jovem brasileira, que faz parte do Comitê Brasileiro da FIL/IDF, e cursa mestrado em Ciência do Leite, Isabele Torres, para falar sobre as perspectivas e influência das mulheres na ciência leiteira.
Como começou sua carreira na Ciência do Leite?
Minha carreira na Ciência do Leite começou em 2017, quando eu ainda estava na escola de nutrição. Eu tive a oportunidade de trabalhar em um projeto sobre os benefícios do leite e produtos lácteos na saúde humana (NUVLAC) e vi como a matriz do leite é complexa e benéfica ao mesmo tempo. No final de 2017, eu visitei o Conselho Nacional do Leite nos Estados Unidos e vi a importância do apoio da ciência do leite para a saúde humana usando recursos e inovações tecnológicas, bem como receber investimentos e interligar os interesses de todos os atores da cadeia láctea. Desde então, não parei de estudar o leite e seus componentes. No início de 2020, comecei meu mestrado em Dairy Science, onde o projeto no qual estou trabalhando, é sobre a criação de um documento de referência da Federação Internacional do Leite no Brasil (FIL Brasil).
Porque Ciência do Leite?
Me graduei em Nutrição porque sou apaixonada pelo conhecimento sobre quais alimentos podem ajudar as pessoas a terem vidas saudáveis, considerando a individualidade de cada uma delas. Nesse contexto, a Ciência do Leite chamou minha atenção por sua densidade nutricional e o que representa para bilhões de pessoas em termos de alimentação, economia, nutrição e sustentabilidade. Eu também acredito que existe uma grande desinformação quando se trata de lácteos. Portanto, à medida que eu estudo, eu posso ajudar a preencher essa lacuna e transmitir conhecimento científico divulgando informações comprovadas cientificamente, imparciais, relevantes, práticas e úteis.
Você encontrou alguma barreira para sua carreira em ciência?
Sim. Eu encontrei barreiras para o financiamento da pesquisa. Além disso, é comum não considerarem os anos de academia como experiência profissional. No entanto, eu estudei como funciona a cadeia láctea, sua logística e possíveis soluções para os principais problemas detectadas nos processos. A ideia de isso não ser considerado experiência é uma barreira, porque desencoraja aqueles que se interessam em aplicar os conhecimentos científicos nas empresas e fábricas, por exemplo. Eu acredito que o preenchimento dessa lacuna entre o que se aprende na academia e o que é adotado na prática, seria um trabalho conjunto entre instituições públicas e empresas privadas, financiando jovens cientistas de laticínios, para que eles possam implantar o que aprendem e fazerem a diferença no setor. Embora existam alguns programas de parcerias entre instituições e empresas, eles são limitados e há uma grande carência nisso.
Você conhece algum apoio específico para mulheres na ciência?
Não tenho conhecimento específico de apoio da mulher na ciência perto de mim, mas acredito que homens e mulheres devem ser igualmente apoiados a realizar projetos de pesquisas em ciência, além de terem oportunidades iguais na carreira.
Como a FIL/IDF apoia você em sua vida profissional?
A FIL/IDF me ajudou a aumentar minha rede de especialistas em todo o mundo. Isso facilitou muito o ganho de conhecimentos e a troca de experiências. Além disso, a participação ativa nos comitês nacionais e internacionais permite a colaboração e participação em importantes decisões para o desenvolvimento do setor. Participar da FIL/IDF também significa estar com dados atualizados sobre tópicos relacionados à área e ter acesso a informações de qualidade sobre o árduo trabalho de renomados especialistas e cientistas comprometidos sempre com a divulgação do melhor para seus colegas e consumidores da cadeia láctea.
Como você vê a evolução das mulheres na ciência do leite? Você tem algum conselho para as mulheres cientistas que estão começando?
Nos últimos anos, a participação ativa das mulheres na ciência aumentou significativamente. Isso representa que, no mundo corporativo, as mulheres estão sendo vistas como tão competentes quanto os homens, que é exatamente como deve ser. As empresas começaram a se conscientizar da desigualdade de gêneros e encontrar soluções para a mudança. Meu conselho para as mulheres cientistas que estão começando é fazer o melhor possível, defender-se e nunca desistir. Trabalhar em ciência pode ser desafiador e destruidor, mas sabendo que você pode ajudar pessoas e inspirar outras é extremamente compensador e gratificante, fazendo com que tudo valha a pena.
















