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Especiais Selectus nº 6323

Quais os impactos no comércio dos mercados agrícolas?

Sanções/Rússia – A ameaça de uma guerra que a Rússia pode declarar contra a Ucrânia, e as sanções econômicas que a União Europeia (UE) e os Estados Unidos da América (EUA) decidirem adotar contra Moscou, poderão trazer inúmeras incertezas e ameaças para aos mercados, especialmente agrícolas. Trigo, milho, energia, quais serão os setores mais impactados?

Fonte: Fonte: Agri Mutuel – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by meriç tuna on Unsplash
Quais os impactos no comércio dos mercados agrícolas?

Após as recentes declarações de Vladimir Putin, sobre o conflito com a Ucrânia, a UE e os EUA decidiram no dia 22 de fevereiro impor sanções econômicas. Elas poderão ser utilizadas na forma de apreensão de ativos de oligarcas russos próximos a Vladimir Putin, exclusão da Rússia do Swift, o sistema internacional de pagamento bancário que é usado para efetuar transações seguras com 200 países, cortando o acesso da Rússia a dólares. A Alemanha, o país da UE com maiores ligações comerciais com a Rússia, apesar de mandar para lá apenas 2% de suas exportações, suspendeu o projeto do gasoduto Nord Stream 2 destinado a transportar gás russo para a Europa.

No entanto, é preciso lembrar que em 2014, as sanções econômicas tomadas contra a Rússia após a anexação da Crimeia provocaram o embargo do país contra importações agrícolas e de alimentos da UE, EUA, Canadá, Austrália e Noruega. Um embargo que acelerou a recuperação de sua agricultura, enquanto as produções de frutas, carne e produtos lácteos europeus, especialmente franceses, sofreram um grande impacto diante da situação. Mais uma vez, as sanções que Moscou poderá tomar irão provocar desestabilização nos mercados e nos fluxos comerciais, impactando no escoamento da produção dos agricultores.

“Sanções contra a Rússia criam um enorme risco de medidas de retaliação contra produtos da UE”, disse a presidente da FNSEA (Federação Francesa dos Sindicatos dos Agricultores), Christiane Lambert.

Preocupações com trigo e milho

Quais os impactos no comércio dos mercados agrícolas?

As sanções econômicas tomadas em relação ao conflito aberto por Vladimir Putin poderão levá-lo a acabar com as exportações de trigo. O país é hoje, o maior exportador mundial, e esta reação faria com que os preços aumentassem, criando insegurança alimentar para os países importadores e que serão obrigados a encontrarem outras origens, mais caras. As taxas de exportação introduzidas no ano passado já mostraram os efeitos de semelhante medida.

Egito, Argélia, Turquia e Bangladesh ficarão entre o mar e o rochedo.

A Ucrânia é responsável por 4% da produção mundial de milho, e 12% das exportações, especialmente para o Egito e a Indonésia. E como lembra Sébastien Abis, diretor do Club Deméter e pesquisador associado do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), “40% da produção de milho é cultivada em Oblast no Leste do país, e 8% nas regiões independentes de Luhansk e Donetsk, onde fica o porto de Mariupol e a Rússia irá se posicionar para “manter a paz”.  

“O país fica na quarta posição nas exportações de trigo e de milho, afirma é líder em óleo de girassol com mais de 50% de participação do mercado mundial”, lembra o escritório da Agritel.

“As preocupações em relação a um possível conflito armado que venha a prejudicar a logística ucraniana é real. Se elas ocorrerem, o mercado mundial se verá privado de uma importante fonte de matérias primas agrícolas. No início de fevereiro, a Ucrânia ainda tinha mais de 6,3 milhões de toneladas de trigo para exportação, ou seja, uma quantidade recorde para esse período do ano. Habitualmente nos meses de fevereiro e março o país responde por 8% e 10% do mercado mundial. Do lado do milho, a situação é ainda mais preocupante, pois o país responde, habitualmente, por 25% a 30% do comércio dos quatro maiores exportadores nesse mesmo período”, acrescenta a Agritel.

Impactos sobre a energia na UE

Do lado da UE, as consequências ao nível agrícola serão sentidas sobretudo pela alta nas cotações do trigo. No entanto, dos quase 160 bilhões de euros das exportações russas em 2021, 60% corresponderam a produtos energéticos (hidrocarbonetos e derivados de petróleo refinados).

A UE importou da Rússia 35% de suas necessidades de gás no último ano, e um conflito aberto pressionaria o mercado de gás. O mesmo ocorre com petróleo e fertilizantes. A Rússia responde por um quarto das importações europeias.

Consequências sobre a economia europeia?

O Comissário Europeu para Economia, Paolo Gentiloni, alertou no dia 22 de fevereiro que a incerteza em relação à economia europeia aumentaria “fortemente”, dentro de um contexto de crise. A elevação das cotações do petróleo e do gás poderão penalizar o poder de compras das famílias europeias e certos setores industriais, com impactos negativos sobre o crescimento. Do lado russo, se perturbar o comércio com o país, as sanções não serão necessariamente dissuasivas. A UE continua sendo o principal ponto comercial da Rússia e foi responsável por 40,6% das exportações em 2020, mas seu peso vem diminuindo desde 2014, quando representava 52,1% das exportações russas. Na falta de comércio com a UE e EUA, a Rússia também pode contar, e cada vez mais, com a China para exportar suas matérias-primas e importar produtos não fabricados na UE. No ano passado, as exportações de produtos chineses para a Rússia cresceram 22%.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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