NZ – Custos podem ofuscar o brilho dos preços
Preços/NZ – A expectativa de que o pagamento recorde do leite possa chegar a dois dígitos está temperado com o nervosismo em torno da inflação dos custos.

A Fonterra, em seu último anúncio, passou a faixa para NZ$ 8,90 e NZ$ 9,50/kgMS e ponto médio em NZ$ 9,20/kgMS, enquanto que a Synlait tem a expectativa de pagar NZ$ 9,25/kgMS.
No entanto, diversos aumentos de 4% nos preços do GlobalDairyTrade (GDT) está levando analistas de bancos a questionarem se as previsões de NZ$ 9,25 a NZ$ 9,50 não poderia subir ainda mais, e mesmo chegar a NZ$ 10/kgMS.
Alguns líderes de federações rurais acreditam que os contratos de leite firmados meses atrás podem não permitir isso.
O diretor da Mid Canterbury, Nick Geria, disse que os produtores estão felizes com os preços altos, mas estão preocupados com o aumento dos custos.
“Sem querer ser pessimista, mas muito do brilho dos preços está sendo ofuscado pela inflação geral dos insumos agrícolas. É preciso entender que houve aumento de 20% a 30% nos custos de produção nos últimos 12 e 18 meses, sem dizer da ureia que subiu 100%”.
Ele disse que o aumento dos preços da ração e do custo de fabricação e transporte do Nitrogênio e outros fertilizantes estavam sendo repassados aos produtores.
“É preciso deixar claro, que é um bom ano para os produtores de leite, mas, é preciso saber se isso é um movimento de curto prazo ou se a inflação veio para ficar”.
Ele disse que os consumidores podem começar a ficar resistentes aos preços elevados, pois isso é o que acontece no mercado de commodities.
O aumento do salário mínimo para NZ$ 21,20 a hora a partir de 1º de abril é um outro custo fixo que eles vão enfrentar. Geria disse que o pagamento de dois dígitos “é realmente possível”.
“Mas ninguém sabe exatamente. A produção global não está aumentando em grande parte por causa dos elevados custos, particularmente da ração. Temos sorte de sermos uma nação que produz leite a um custo relativamente menor”.
O presidente da South Canterbury, Ads Hendriks disse que não tem certeza de que o pagamento chegará a NZ$ 10/kgMS.
“Depende se os estrangeiros estarão dispostos a comprar. Não acredito que chegaremos lá este ano, mas acredito que NZ$ 9,50/kgMS é razoável e está garantido pelas vendas realizadas no início da temporada. Os bancos projetam a abertura da próxima temporada em NZ$ 8,50/kgMS. É razoável aguardar isso, mas, devemos ter um pouco de cautela – você não pode vender seus ovos até que a galinha os coloque”.
Ele disse que uma inflação de 6% pode retirar 50 centavos na renda dos produtores de leite.
Os agricultores esperam que não ocorra como em 2013-14, que o pagamento saiu do recorde de então, NZ$ 8.40/kgMS para NZ$ 4,40/kgMS no ano seguinte, quando o hemisfério norte inundou o mercado leite.
“Nâo prevemos acontecimentos tão dramáticos porque os norte-americanos estão com problemas [custos de alimentação elevados] e na Europa existem limitações ambientais”.
Isso inclui o planejamento do governo holandêns de transformar um terço das fazendas leiteiras em reservas naturais para reduzir a poluição por nitrogênio.
Hendriks disse que os agricultores procuram controlar os custos, mesmo porque a ureia a US$ 1.000/tonelada é um “item de luxo”.
Ele disse que houve rumores de que a produção de leite em Canterbury caiu 6%.
A produtividade animal diminuiu durante o longo período de chuvas, até que houve aumento do consumo de energia pelo rebanho com grãos.
















