Europa – Inflação subiu 7,5% na zona do euro e a alta vai continuar
Inflação/Europa – A inflação subiu 7,5% na zona do euro, e a alta dos preços continuará. Na Alemanha, a inflação atingiu 7,6%, percentual jamais visto desde a unificação.

Na Espanha, em março, a alta nos rótulos foi ainda pior: 9,8%, a maior elevação em 37 anos, e crescimento de dois pontos em relação a fevereiro. A zona do euro vê o preço ao consumidor aumentar muito rapidamente, principalmente em decorrência do aumento do custo de energia desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia. O espectro da estagflação espreita. E o Banco Central Europeu (BCE) prevê que o crescimento permanecerá em 2022.
Se a França está em melhores condições do que seus vizinhos europeus, a alta do preço ao consumidor está fazendo a zona do euro tremer, e são registrados os piores preços. Os últimos dados publicados nesta sexta-feira, sobre os resultados de março apontam alta de 7,5% na zona do euro, um ponto a mais em relação às previsões dos analistas, sinal de que o conflito na Ucrânia e a tensão no mercado de energia estão repercutindo rapidamente sobre os consumidores europeus. A alta já tinha sido de 5,9% em fevereiro.
Os preços de energia subiram 44,7% em relação ao mês de março de 2021, contra a alta de 32% registrada em fevereiro. Alimentação, álcool e cigarro aumentaram 5% em um ano, os produtos industriais sem energia, 3,4% e de serviços 2,7%, divulgou a Eurostat. São todos números acima da meta de inflação de 2% estabelecida pelo BCE.
Risco de estagflação? O BCE acredita que não
Depois de reconhecer, finalmente, que o fenômeno não é temporário e que deverá “permanecer”, Christine Lagarde admite, no entanto, que as perspectivas são “instáveis” em relação à inflação. Também o presidente do BCE alertou na quarta-feira que um conflito prolongado na Ucrânia fará com que os preços de energia continuem aumentando e também o custo de vida na Europa.
A região está sob ameaça de estagflação, uma situação econômica que conjuga inflação alta e estagnação da atividade econômica.
O presidente do BCE estima que a “estagflação” – que ele define como “uma recessão econômica prolongada e uma inflação elevada – pode ser evitada. “Mesmo dentro de um cenário mais pessimista, visualizamos um crescimento de 2% em 2022” avaliou dias atrás Luis de Guindos, o vice-presidente do BCE, para a Zona do Euro.
O BCE se pergunta...
O BCE espera, certamente, queda dos preços de energia e inflação mais baixa no segundo semestre, mas, tal refluxo dentro de um contexto de fraco crescimento poderá ter efeitos perversos, que podem fazer os preços ficarem fora da meta.
De imediato, o BCE não pode, de qualquer forma, ignorar o nível excepcionalmente elevado da inflação, prevendo um pico em três ou quatro meses e que as tensões sobre o mercado de trabalho (a taxa de desemprego atingiu o seu mínimo histórico em fevereiro) suscitam temores de pressão para elevação dos salários.
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