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Especiais Selectus nº 6351

Argentina – Os lácteos representaram apenas 10,4% das vendas nos supermercados

Tecnologia 4.0/AR – O avanço da tecnologia vem mudando radicalmente a geração de dados para o setor agropecuário. Mediante a digitalização e registro de fatores envolvidos nos processos cria-se a rastreabilidade dos procedimentos, o que permite sustentar com dados a qualidade do produto final.

Fonte: Fonte: Puntal – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Jon Tyson on Unsplash
Argentina – Os lácteos representaram apenas 10,4% das vendas nos supermercados

Sergio Justianovich - design industrial e pesquisador do IPAF - Região Pampeana - ponderou que o projeto de digitalização da empacotadora-pasuterizadora INTA-UBA 4.0 é um passo “transcendental” para se obter a rastreabilidade do leite.

“Nos unimos à Siemens para trabalhar um sistema de gestão associado a um aplicativo móvel que coleta os dados do processo produtivo - desde a chegada da matéria-prima até a comercialização do leite - de cada usuário da tecnologia. Isto permite conseguir a rastreabilidade de cada litro de leite produzido”, explicou.  

O especialista também destacou a articulação com o Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI Lácteos e Eletrônica) para o desenvolvimento do sistema de gestão e sua aplicação.

Alejandro Köckritz - Presidente da Fundação Siemens - destacou: “Estamos muito orgulhosos de poder colocar nossa experiência global em um projeto público-privado com essas características. Com nosso aporte, colaboramos na digitalização do setor produtivo lácteo, mediante o desenvolvimento de tecnologia da indústria 4.0, permitindo obter maior eficiência nos processos da cadeia de valor de um produto de primeira necessidade como é o leite pasteurizado”.

Justianovih deu um passo a mais e falou das vantagens de ter no mercado uma embalagem rastreável que conta com um código QR onde podem ser vistos todos os dados do processo produtivo. “É um diferencial para grandes cidades - como Rosario ou a Grande Buenos Aires - onde existem mais famílias produtoras e bacias leiteiras. E, além disso, reúne um maior número de consumidores conectados com redes de comércio eletrônico e que buscam produtos não hegemônicos”. O desenvolvimento de tecnologia da indústria 4.0 permitirá obter maior eficiência nos processos da cadeia de valor de um produto de primeira necessidade como é o leite pasteurizado.

Uma vez implantado, o sistema permitirá, também, compilar informação para as empresas fornecedoras de equipamentos e insumos, proporcionando prevenção de partes da pasteurizadora.

E, como se fosse pouco, coletará informações para o projeto em si: indicadores como a quantidade de litros de leite recebidos, processados, entregues, bem como o consumo de água ou de energia do sistema que poderá ser melhorado no futuro.

Nesta mesma linha, o design industrial do INTA não deixou de ponderar as vantagens de implementar esta tecnologia. “A sistematização digital dos registros do processo irá gerar uma base de dados própria de cada unidade produtiva para fazer frente a possíveis desvios”, explicou, reconhecendo, ao mesmo tempo, que, os produtos poderão ser rastreados por lotes e associados a cada fornecedor de leite.

Justianovich deu um passo a mais e assegurou que “o registro digital de dados, integrados na mesma operação de trabalho, facilitaria as instâncias de auditorias dos organismos sanitários competentes de cada localidade. Durante o desenvolvimento trabalhamos com a agricultura familiar para analisar a viabilidade da implementação”.  Explicou, ainda, que permite contar de forma sistêmica e sensível com dados do processo. “Isto é muito interessante para dar conta de que o setor da agricultura familiar pode responder a especificações de inocuidade e qualidade, o que contribui para a sua formalização”.

“O projeto busca gerar dados para todo o ecossistema de atores que sustentam a tecnologia no território, que se resume no conceito de “franquia social INTA-UBA”, detalhou Justianovich. Estes dados respondem a interesses particulares de cada ator: unidades produtivas, empresas fornecedoras de equipamentos, de insumos, de serviços, organismos de controle sanitário, consumidores e INTA-UBA (as instituições franqueadoras da tecnologia).

É importante ter no mercado uma embalagem rastreável disponível nos grandes centros urbanos onde concentram consumidores que procuram produtos anti-hegemônicos.

Melhora constante

Em 2020, o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico para a Agricultura Familiar (IPAF) do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) na Região dos Pampas e a Universidade de Buenos Aires desenvolveram uma empacotadora e pasteurizadora para embalar o leite fluido, pasteurizar e esfriar depois de empacotado com a finalidade de garantir condições excepcionais de inocuidade na comercialização.

Em meados de 2021, a PyME de Buenos Aires FP Ingeniería SRL iniciou a fabricação em série do sistema, com financiamento do Ministério do Desenvolvimento Social da Nação. Nesta aliança foi fundamental o papel da PyME familiar de Misiones Plastimi SRL, fornecedora de sacos habilitados para o tratamento térmico particular que exigia a tecnologia. Atualmente, existem 23 ensacadoras-pasteurizadoras INTA-UBA na Argentina. Muitas delas, em pleno funcionamento e cuja comercialização do leite se baseia no vínculo de confiança existente entre as famílias produtoras e consumidoras.

Por outro lado, Raquel Ariza - especialista em transformação digital, pesquisadora da Faculdade de Arquitetura, Desenho e Urbanismo da UBA e diretora de projeto premiado explicou: “Buscamos dar um passo a mais e apoiar com dados da qualidade, até agora indiscutível por quem compra”. Além do mais: “A digitalização funciona como instrumento de validação que garante vínculos e aproxima os que produzem de quem compra o leite”. A digitalização pode ser uma forma econômica de gerar informação de base para avaliar o desempenho da Franquicia Social INTA-UBA, acrescentou Ariza. “A geração de dados associados ao uso da tecnologia permitirá reforçar a estratégia de expansão territorial da franquia” ressaktiy,

A sistematização digital dos registros do processo gera uma base de dados própria de cada unidade produtiva que permite rastrear os produtos por lotes e associá-los a cada fornecedor de leite.

Um projeto premiado que avança

O projeto “pasteurização conectada” aplicou a demanda estabelecida pelo Conselho Econômico e Social no eixo: Formação em tecnologias 4.0. Atualizar os espaços de formação e de serviços tecnológicos. Oferecer capacitação aos trabalhadores/as em conhecimentos e tecnologia de ponta para ser aplicada nos setores produtivos do entorno e/ou promover os empregos verdes.

Justianovich comemorou a premiação e explicou que “este prêmio permitirá avançar no projeto, pontualmente, no financiamento para a formação de agentes orientados à agricultura familiar para oferecer uma estrutura de suporte ao desenvolvimento da tecnologia no território”. 

Serão formados em habilidades digitais para o manejo dos equipamentos digitalizados que fornecerão dados através da Internet das Coisas, assim como desenvolver capacidades para manejar o negócio e outras plataformas que utilizam dados em nuvem.

“Hoje trabalhamos no novo desenho da máquina, uma versão otimizada, que além de melhorar aspectuso funcionais, apontados no ano passado em salas de operação onde a tecnologia foi implantada, terá a possibilidade de conectar-se, Pasteurizadora 4.0”, explicou o técnido do INTA.

Disse que o protótipo está em plena produção para validação em laboratório e no campo nos próximos meses, no marco da convocação “Ciência, e Tecnologia contra a Fome” – organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o de Desenvolvimento Social junto e o Conselho Nacional de Coordenação de Políticas Sociais.

Argentina – Os lácteos representaram apenas 10,4% das vendas nos supermercados

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