TLC Mercosul x UE é agora, ou nunca
Mercosul x UE – “Se não assinarmos agora, não o faremos nunca” disse Amador Sánchez Rico, o embaixador da União Europeia (UE) na Argentina.

A guerra entre Rússia e Ucrânia gerou o momento de voltar a impulsionar o acordo entre os dois blocos que vem sendo negociado há muito tempo, sem êxito.
O acordo foi proposto em 1995. Um longo caminho, cheio de dificuldades e falsas ilusões. Em 2019 o então presidente argentino, Mauricio Macri, como presidente pro tempore do Mercosul, anunciou o fechamento do acordo, mas logo depois soube-se que não havia sido finalizado.
Nas últimas horas, o jornal argentino Ámbito informou as declarações de Sánchez Rico que se sustentam na nova realidade que a invasão da Ucrânia pela Rússia impôs à Europa. Autoridades europeias sinalizaram que no curto prazo será reduzida a dependência da energia russa e que se espera maior impulso em energias renováveis no plano local, mas também a possibilidade de acordos com países da região latino-americana para potencializar a produção e futura exportação de biocombustíveis.
Em uma conferência organizada pelo Centro de Estudos Internacionais da Universidade de Belgrano, Amador Sánchez Rico destacou que “dado o contexto geopolítico e o impacto da guerra na Ucrânia nas cadeias de abastecimento de energia e alimentos, é o momento certo para ratificação do acordo entre o Mercosul e a UE”. "Se não pudermos fazer o acordo agora, não o faremos nunca”, destacou.
O embaixador sustentou que o grande desafio da UE é se tornar independente do gás e do petróleo fornecidos pela Rússia. “Não conseguimos fazê-lo desde 2014, com a anexação da Crimeia, e até alguns países aumentaram as suas importações”, admitiu.
Agora o objetivo é reduzir a dependência do petróleo e gás russos para dois terços.
Argentina e Mercosul não têm pressa
Fontes oficiais deixaram claro para Ámbito que nem a Argentina nem o Mercosul têm uma agenda para acelerar o acordo.
“Neste contexto de crise global, não temos pressa em avançar em nenhum processo, temos que esperar. Nossas prioridades agora são a redução da inflação e a recuperação da renda”, sustentaram fontes que se mantiveram no anonimato.
Desde o início do conflito bélico, a Europa vem analisando medidas para mitigar o impacto sobre suas economias. Inclusive tomaram medidas temporárias flexibilizando tarifas e normas fitossanitárias sobre alguns produtos. Como antecipado anteriormente, medidas emergenciais da Espanha e Portugal habilitaram a entrada de milho argentino a partir de março.
“Não está fechado” e falta o compromisso do Brasil com a floresta
Em 28 de junho de 2019, sendo Mauricio Macri presidente pro tempore do Mercosul, foi firmado um Acordo de Associação Estratégia entre o bloco sul-americano e a UE. O chanceler uruguaio, Francisco Bustillo, disse em fevereiro de 2021 que o tratado “não foi fechado”, mas houve consenso “em relação aos aspectos centrais”. Desde então, não houve avanços significativos.
Inclusive uma série de países europeus se mostraram contrários ao processo alegando a falta de compromisso do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, com a proteção da floresta Amazônia. Ainda que diversas publicações internacionais tenham divulgado o mal-estar dos setores vinculados ao agronegócio em economias onde tem forte peso, como a francesa.
A posição do Brasil: “Em dois anos e meio”
Por outro lado, o ministro da economia do Brasil, Paulo Guedes, se pronunciou a respeito. Semanas atrás fez declarações similares às do embaixador europeu> “Creio que o acordo de livre comércio entre UE e Mercosul será firmado em dois anos e meio, já que a atual situação geopolítica e a guerra na Ucrânia acelerará este processo”, sustentou em uma entrevista à agência EFE.
Nessa mesma entrevista, destacou os setores agroalimentar e enérgico como chaves, para aprofundar a cooperação.
















