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Especiais Selectus nº 6410

Chile – Uma alternativa para neutralizar os efeitos das mudanças climáticas

Pecuária regenerativa – As mudanças climáticas e a escassez hídrica provocam a perda das condições do solo. Atualmente o solo abriga mais de 25% da biodiversidade do planeta e proporciona cerca de 95% dos alimentos que consumimos.

Fonte: Fonte: Mundo Agropecuario – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
Chile – Uma alternativa para neutralizar os efeitos das mudanças climáticas

No entanto, mais de 30% já está degradado e os especialistas advertem que se não forem tomadas medidas a respeito, deixará de ser produtivo dentro dos próximos anos.

Outro fator que contribui para acrescentar um problema é a produção pecuária, já que o constante pastoreio dos bovinos de carne e leite nos pastos, debilita o solo. Por outro lado, as emissões de gases de efeito estufa gerados pelos ruminantes, também impactam nas mudanças climáticas. Para diminuir as consequências geradas pelos sistemas produtivos convencionais, está sendo adotada uma prática integral de planejamento do pastejo e que permite uma boa acumulação de carbono. Trata-se da pecuária regenerativa, um sistema que considera o solo, a água, a biodiversidade, as pessoas e as interações que ocorrem entre eles como elementos centrais.

Cerro Azul, uma fazenda localizada na comunidade de Rio Bueno, na Região de Los Rios, é uma das que pratica – desde 2019 – este sistema produtivo. Suas vacas Angus estão isentas de hormônios e antibióticos e passam toda a vida em pastos livres de agroquímicos.

Para ver como se desenvolve este trabalho, o subsecretário de Agricultura, José Guajardo Reyes, chegou até os campos de Cerro Azul. No lugar, trabalhadores da empresa explicaram como executam este sistema e acompanharam a autoridade por um passeio pela fazenda, onde não somente predominam os pastos, mas também um abundante bosque nativo.

"Viemos aqui, porque está sendo realizado um trabalho muito interessante. É um modelo de produção de carne que leva em consideração a recuperação das pastagens e do sistema como um todo. Não somente está focado na produção ou nos resultados econômicos diretos, mas também como recuperar ambientalmente a região”, destacou o subsecretário.

“Estes modelos produtivos estão de acordo com o que estamos trabalhando a nível ministerial, a nível de Governo, e são estas iniciativas que queremos destacar e difundir entre as pessoas”, acrescentou.

Luis Palacio é o administrador de Cerro Azul. Explicou as diferenças substanciais entre a pecuária tradicional e a regenerativa. “Damos muito mais tempo de descanso para as pastagens depois do pastejo, e esse é um ponto chave. As plantas têm tempo para desenvolver todo seu sistema radicular, além de favorecer os aspectos biológicos do solo, que são os microorganismos, as bactérias, os protozoários, as minhocas, os pássaros e os caracóis. Todos começam a atuar em conjunto, gerando um ganho para todos”, disse ele.

Nova linha de pesquisa do INIA

O INIA Tamel Aike, o Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Ministério da Agricultura, na região de Aysén, desenvolveu um projeto que permitirá aplicar novos conhecimentos sobre o manejo das pastagens com foco na saúde do solo e na sustentabilidade dos ecossistemas das pastagens.

Também foi criada uma nova linha de pesquisa e desenvolvimento da pecuária regenerativa e, durante 2021, foram elaborados protocolos e estabelecidos ensaios no campo experimental do INIA Tamel Aike e de um produtor que está trabalhando com manejo holístico na comunidade de Coyhaique. Além disso, foram identificados diferentes parâmetros de solo com base nesses ensaios e estão sendo monitoradas mudanças na biodiversidade, rendimento e qualidade das pastagens, sequestro de carbono, infiltração da água e compactação do solo.

Por outro lado, o instituto levantou informações técnico-financeira para validar os efeitos da pecuária regenerativa e foi formado um Grupo de Extensão Tecnológica (GET) em pastagens regenerativas, e que agrupa onze produtores locais interessados em melhorar seus sistemas produtivos e gera uma pecuária que retenha carbono nos solos para ter menor dependência de insumos externos, como fertilizantes, sementes e herbicidas.

Desta forma o Ministério da Agricultura propôs promover este modelo integral de pecuária para estendê-lo a outras regiões do país, com o propósito de fomentar uma produção alimentar mais sustentável e a proteção do meio ambiente.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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