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Destaque Selectus nº 6414

Insegurança alimentar e o papel do poder público na redução de preço dos produtos agrícolas

Insegurança alimentar - Relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) trás panorama sobre insegurança alimentar no mundo

Fonte: Elaboração Terra Viva | Foto de capa: Foto de Fez Brook
Insegurança alimentar e o papel do poder público na redução de preço dos produtos agrícolas

De acordo com relatório divulgado na última quarta-feira (06/07/2022) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), os índices de fome e de insegurança alimentar no mundo aumentaram significativamente nos últimos anos. 

Realizado e lançado pela FAO em conjunto com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Mundial de Alimentos (WFP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o documento levanta a situação da segurança alimentar e nutrição em todo o mundo, incluindo as estimativas mais recentes sobre o custo e a acessibilidade de uma alimentação saudável.

Nesse aspecto, fatores como mudanças climáticas, escassez de combustíveis fósseis, aumento de preço dos produtos ou até mesmo uma pandemia e seus efeitos, como a que estamos passando neste momento, afetam diretamente a segurança alimentar da população. 

Ainda sobre o relatório, a  fome no mundo atingiu cerca de 828 milhões de pessoas em 2021, o que significa  um aumento de cerca de 150 milhões desde o início da pandemia. Estima-se que em torno de 2,3 bilhões de pessoas no mundo insegurança alimentar moderada (ocorre quando as pessoas não tem certeza sobre a possibilidade de conseguir comida e, em algum momento, podem ter que reduzir a qualidade e quantidade de alimentos) ou grave (quando as pessoas ficam sem comida por um dia ou mais) em 2021, ou seja, quase 30% da população global – mais de 350 milhões de pessoas a mais do que em 2019, ano anterior ao desdobramento da pandemia de COVID-19. 

Já olhando para o Brasil, a pesquisa estima que a prevalência de Insegurança Alimentar (IA) moderada ou grave em relação a população aumentou de 37,5 milhões de pessoas (18,3%) entre 2014 e 2016, para 61,3 milhões de pessoas (28,9%) entre 2019 e 2021.

APOIO À AGRICULTURA IMPACTO NOS LATICÍNIOS

Sabendo que os recursos públicos disponibilizados ao redor do mundo são limitados, o relatório analisa também formas pelas quais os governos possam redirecionar seu atual apoio à agricultura para reduzir o custo dos alimentos.

No caso do leite, por exemplo, uma das bases para uma alimentação saudável por ser um alimento rico em micronutrientes essenciais, que fornece cálcio, magnésio, além das vitaminas A e B12, a alta nos preços faz com que esse produto se afaste das pessoas, reforçando assim o processo de insegurança alimentar. Resultado de custos elevados de produção, o leite teve um aumento de 15,52% para o consumidor final nos últimos 12 meses, segundo o Índice de Preços ao Consumidor - 10 (IPC-10), que integra Índice Geral de Preços (IGP-10), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV). Para mais informações sobre o assunto, clique aqui.  

Tal insegurança atinge proporções ainda maiores à medida que o valor do leite cresce, pois seus derivados vão seguindo o mesmo caminho. Nesta mesma pesquisa realizada pelo IBRE/FGV temos, no mesmo período, aumento nos preços do queijo muçarela (14,45%), queijo minas (13,03%), queijo prato (12,44%), manteiga (11,37%),em bebidas lácteas (10,39%); no leite condensado (8,48%); e no leite em pó (7,09%). Assim, a lista de alimentos que deixam de fazer parte da mesa do consumidor aumenta cada vez mais.

Pensando em situações como essa, o relatório propõe ações que, por iniciativa dos governos, possam não só diminuir custos como também reforçar a área agropecuária. O aumento de incentivos e a redução dos desestímulos à produção e ao consumo são um bom começo para apoiar tais produtos e seus produtores, reduzindo os custos de produção e garantindo um preço final mais acessível ao consumidor. Outro exemplo importante, são os incentivos fiscais à produção alimentar e agrícola, além do investimento na modernização tecnológica do setor. As medidas de fronteira e de mercado, que tem o objetivo de proteger os produtores da variação dos preços, também podem impactar positivamente o agronegócio.

O desafio é grande, mas com as ações certas, metas bem estabelecidas e ouvindo as necessidades dos envolvidos, de ponta a ponta do processo, podemos ter melhoras significativamente o rumo da segurança alimentar da população mundial.

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