Participantes de Mar de Espanha mudam de vida
Programa ATeG - O grupo do Programa ATeG Agroindústria Derivados Lácteos da cidade de Mar de Espanha acaba de concluir seus trabalhos com 100% de aproveitamento.

Durante os dois anos de assistência, entre junho de 2020 e maio de 2022, a técnica Aline Machado levou aos produtores conhecimentos e inovações que modernizaram suas propriedades e melhoraram o desempenho de produção e venda. Além disso, diversos produtos foram desenvolvidos durante o ATeG – por exemplo, produtos de leite de cabra, como o Rolinho do Chaparral e o GRAN Caprino, queijos artesanais de leite cru, meia cura, recheados, montanhês, prato, parmesão, doce de leite.
Os resultados são surpreendentes. O crescimento da lucratividade dentro do grupo aumentou mais de 120 vezes entre o início e o fim do programa, saindo de pouco menos de R$ 13 mil, para mais de R$ 1,5 milhão. Outro dado que demonstra a relevância do ATeG para as propriedades foi a diferença na renda bruta do grupo entre o ano zero e o segundo ano de assistência, passando de R$ 2,8 milhões para cerca de R$ 7,8 milhões no fim de maio deste ano, um aumento de 272%. Também houve valorização do litro do leite processado, que passou de cerca de R$ 2,80 antes do início do ATeG para mais de R$ 4,30 no fim do segundo ano.
Todos esses aumentos se deram por diversos motivos. Além de ser um grupo coeso, que tinha como objetivo a melhoria da cadeia na região, também contou com indivíduos engajados, que colocaram em prática as mudanças sugeridas, melhoraram a gestão dos seus negócios, implantaram tecnologias que ajudaram no desenvolvimento de novos produtos e no melhor aproveitamento de matérias primas. Em uma das propriedades, no período de um ano, mais de quinze quilos de manteiga foram produzidos apenas com o reaproveitamento da gordura presente no soro do leite que seria descartado. Foram tantas mudanças que, ao fim do período de dois anos, os participantes solicitaram que o programa continuasse a ser realizado.
Sucesso comprovado
Para Aline Machado, ver o pequeno produtor conseguir resultados tão impressionantes é uma inspiração para continuar o bom trabalho. “A emoção unânime que tomou conta de todos na reunião de apresentação dos resultados no final de dois anos foi a demonstração da importância e da credibilidade no Programa ATeG Agroindústria em Mar de Espanha. O pedido de continuação traduz o sucesso e a necessidade deste programa tão especial aos produtores de queijos e suas agroindústrias. A sucessão familiar, tão trabalhada por mim, e a valorização da mulher rural, foram de grande auxílio na criação de bases sólidas”, comentou.
É com orgulho que Wander Magalhães, gerente regional do Sistema FAEMG em Juiz de Fora, fala deste grupo. Durante a apresentação dos dados no dia do encerramento, ele viu o crescimento vertiginoso na renda e no lucro dos participantes, o que atesta a importância do ATeG para pequenos e médios produtores. “Uma renda que começou em pouco mais de R$ 1,8 milhões e chegou a quase R$ 8 milhões. Um programa que foi extremamente produtivo, com um resultado financeiro que aumentou demais. Com certeza o produtor está muito satisfeito com seus resultados e nós ficamos mais ainda, pois essa é a nossa função, levar conhecimento e desenvolvimento para eles”.
O consultor e instrutor da CNA, Erno Menzel, teve acesso aos dados e também se surpreendeu. Para ele, esse sucesso reflete a eficiência na assistência técnica e gerencial executada. “Os resultados, para mim, significam a correta utilização dessa ferramenta de transformação de vidas chamada ATeG. Também significa que as pessoas certas se encontram, tanto os produtores, que estavam engajados, quanto a técnica, que tem domínio da área e entende do que fala. É assim que vidas são transformadas”.
Agroindústrias crescem e avançam fronteiras
A Troço Bom Roceria até vende produtos em Minas Gerais, mas seu principal mercado atualmente é o Rio de Janeiro. Quase toda a produção de queijos, doces e iogurtes é vendida em feiras e lojas da cidade do Rio. A página no Instagram da marca tem atualmente cerca de seis mil seguidores, dentre eles alguns admiradores famosos, como a chef de cozinha Roberta Sudbrack, que é consumidora da marca e utiliza os produtos em suas receitas, e a jornalista Andréia Sadi, colunista da rede Globo.
A agroindústria começou a operar em 2017 pelas mãos de três pessoas: Thais Puello, Thiago Puello e Márcio Jogaib. “Fizemos muitos cursos com o Sistema FAEMG desde o início. Dois cursos de queijos especiais, de doces de leite, iogurte, curso de maturação, qualidade do leite, inseminação, cria e recria. Desde que a gente descobriu o SENAR MINAS, só temos a agradecer, pois nos apoiou muito”, disse Thaís. O primeiro curso foi em 2018 e, desde então, o Sistema FAEMG foi se tornando cada vez mais próximo do dia a dia dos produtores. “O ATeG surgiu para somar, foi um acompanhamento rotineiro que apontou caminhos e possibilidades que nos ajudaram muito. Desenvolvemos novos produtos, aprendemos sobre a administração. Apesar de termos administradores na sociedade, tivemos indicações sobre essa gestão no ramo lácteo, com necessidades e atenções específicas”.
Um dos principais diferenciais da marca é o sabor e os ingredientes naturais usados. Em todos seus produtos, apenas componentes de procedência são inseridos, sem o uso de conservantes, aromatizantes ou corantes artificiais. “Além de investir em uma boa comunicação da marca, a qualidade dos produtos é o que nos promove. Usamos o mínimo de ingredientes e da melhor qualidade. Nosso iogurte com sabor, por exemplo, leva quatro ingredientes: leite, fruta, açúcar e fermento”, completou Thais.
Sucessão familiar
A Gabriela Benevenuto é estudante de veterinária. Ela e sua família são proprietárias do laticínio Quatro Estações. Antes do ATeG, nem pensava em continuar a vida no campo e tinha a intenção de trabalhar com pequenos animais, como cães e gatos. Após passar pelo ATeG e, seguindo conselhos da Aline, ela começou a se interessar por grandes animais e viu ali um bom mercado profissional. “Meu pai já tem criação e percebi que era um bom caminho. Começamos a trabalhar prezando mais pela qualidade de leite e acabamos produzindo laticínios, como queijos parmesão, ricota e requeijão. Melhorou o rendimento dos queijos fabricados, modificando algumas técnicas para melhoria. Foi muito importante nesses tempos difíceis, principalmente porque incorporamos novos produtos”.
De uma única vez, o ATeG resolveu dois grandes problemas da propriedade. O primeiro foi a busca de mão de obra qualificada para tratamento da saúde animal, e o segundo, garantindo a sucessão familiar nessa agroindústria. “Antes do ATeG eu não tinha o menor interesse em mexer com a vida rural - agradeço muito à Aline essa visão que tenho hoje. Quero agora agregar meus conhecimentos ao laticínio que a gente tem, valorizar o trabalho que eu e meus pais desenvolvemos e crescer ainda mais. Pretendo trabalhar para ser uma boa sucessora”, finalizou.
Para um grupo de pequenos produtores que começou o ATeG sem grandes expectativas, os resultados foram muito satisfatórios. De acordo com Thais Puello, todos os participantes saíram melhores desse período de dois anos. “Fortalecemos a comunidade de produtores da região, formando uma rede de apoio e troca. Acho que identificar e reunir esses produtores no trabalho com a assistência fez a gente valorizar a nossa região. Com o ATeG conseguimos ter certeza de que aqui tem muito produto bom e potencial”, concluiu.
















