USDA - Perspectivas do USDA sobre o mercado lácteo da Europa - Relatório 29 de 21/07/2022
Leite/Europa – O constante declínio sazonal da produção de leite ficou estabilizado por um curto espaço de tempo no início de julho, mas, os volumes voltaram a cair quando os problemas do calor atingiram grandes áreas do continente.

As temperaturas elevadas e ventos fortes estão esparramando incêndios florestais por toda a Europa. O calor intenso afeta negativamente o conforto animal e além de reduzir o volume também afeta os componentes. Em partes do Sul da Europa, indústrias estão comprando concentrados de leite e leite desnatado de fornecedores do norte para suprir as necessidades das fábricas.
Analistas avaliam que a captação de leite na União Europeia (UE) em 2022 será menor do que a registrada em 2021. No entanto, relatórios preliminares da Holanda sugerem que a captação de junho subiu pela primeira vez, desde novembro de 2020, na comparação anual.
Esse aumento foi surpreendente, mesmo porque o governo holandês vem impondo restrições aos produtores, que estão sendo forçados a reduzir o rebanho. Os novos regulamentos provavelmente provocarão a saída de alguns agricultores da produção de leite. Nem mesmo os preços altos superam o desânimo em relação a esses novos regulamentos, bem como o desequilíbrio financeiro causado pelos custos de mão de obra, insumos, ração e energia.
A captação de leite de vaca na UE de janeiro a maio está sendo estimada em 61.480.000 toneladas, 0,8% de queda em comparação com janeiro-maio de 2021. Entre os grandes produtores de leite do bloco europeu, o volume e a variação percentual de janeiro a maio de 2022 em relação com o mesmo período de 2021 foram: Alemanha, 13.449.000 toneladas (-1,7%); França, 10.506.000 toneladas (-1,4%); Holanda, 5.761.000 toneladas (-2%) e Itália, 5.686.000 toneladas (-0,1%).
O comércio de lácteos está fraco, uma vez que a maioria dos europeus tiram férias de verão e os negócios ficam sazonalmente menores. Os compradores hesitam em aumentar estoques devido aos custos elevados e incertezas do mercado. Embora a oferta de leite e derivados estejam relativamente em equilíbrio, no momento, as indústrias não estão certas de que haverá retorno à demanda anterior no final das férias e se haverá leite e energia disponível para industrializar produtos lácteos. Parte da Europa depende do embarque de gás da Rússia para aquecimento e secagem de leite e fabricação de produtos lácteos. A manutenção do maior gasoduto está prevista para encerrar no dia 21 de julho. Espera-se que o transporte de gás entre a Rússia e a Alemanha volte a ser realizado dentro do prazo, mas provavelmente em um menor nível em relação ao período anterior à manutenção.

Alguns relatórios apontam para queda das compras pelos europeus, que estão alterando seus hábitos de consumo em decorrência do aumento dos custos da alimentação. À medida que a inflação se instala, os consumidores procuram embalagens menores, produtos de marca própria ou com descontos para ajustar o custo da alimentação com a renda disponível. Os consumidores também estão comprando menos carne e outros itens de preço mais alto. Com o aumento dos preços dos alimentos, alguns supermercados do Reino Unido e na Europa continental estão relatando aumento de furtos de produtos de consumo diário, incluindo manteiga, leite e queijo. Como resultado, algumas lojas já estão colocando adesivos de segurança com alarmes em laticínios comuns para evitar roubos.
No Leste Europeu a produção de leite está em seu declínio sazonal, mas com volumes acima dos registrados em 2021. De acordo com o site CLAL, a captação de leite de vaca em maio de 2022 na Polônia foi de 1.128 milhão de toneladas, inalterado em relação a maio de 2022. No acumulado até maio de 2022, as indústrias da Polônia captaram 5.411 milhões de toneladas, +1,9% em comparação com o mesmo período de 2021.
A colheita de grãos começou na Rússia e na Ucrânia. Preliminarmente, as projeções sugerem que em 2022 a Rússia colherá bem mais trigo do que em 2021. No entanto, o governo ucraniano estima que este ano a colheita será 60% menor em relação ao ano passado. O conflito com a Rússia reduziu a área disponível para o plantio de grãos em cerca de 25% e os rendimentos caíram. Assim, a menor produtividade e as interrupções das exportações são preocupantes, porque os dois países estão entre os maiores produtores de grãos e oleaginosas do mundo, e a escassez pode causar uma crise alimentar.

Fonte: Usda – Tradução Livre: Terra Viva
















