USDA - Perspectivas do USDA sobre o mercado lácteo da Europa - Relatório 31 de 04/08/2022
Leite/Europa –A produção de leite da Europa Ocidental está em seu declínio sazonal. Fontes da indústria dizem que o forte calor no início do verão cedeu, e as temperaturas na Alemanha ficaram mais moderadas, fazendo com que a produção semanal no final de julho tenha se estabilizado.

No entanto, a cada onda de calor, a produção é empurrada para baixo. A produção de leite na Alemanha e França está com tendência de baixa a cada semana. A defasagem entre os volumes atuais e os do ano anterior aumenta. Com menos leite chegando às indústrias os preços aos produtores aumentam.
De acordo com dados disponíveis no site Clal.it, o preço do leite no mercado spot na Itália aumentou para cerca de € 64,50/100 kg, [R$ 3,56/litro], [em maio, a média do preço do leite ao produtor da União Europeia (UE) foi de € 47,60/100kg]. Existem relatos de que na Alemanha o leite convencional tem sido negociado a preço tão alto ou até maior do que o do leite orgânico. Mesmo com o maior pagamento, os produtores estão receosos em investir. A maior preocupação é o aumento dos custos da alimentação.
Embora as temperaturas de verão tenham moderado, grande parte da Europa, particularmente a Alemanha e a Itália, estão em condições de muita seca, dificultando o desenvolvimento de culturas. Nestas condições, a disponibilidade de alimentação para os animais no inverno é uma incógnita.
À medida que as regulamentações ambientais se tornam mais severas, diversas empresas e parceiros lançam um sistema piloto na Holanda com o objetivo de reduzir as emissões de nitrogênio das fazendas leiteiras. O projeto consiste na separação dos dejetos das vacas, transformando o nitrogênio em fertilizante que pode ser reaproveitado na própria fazenda dentro do programa de fertilização de precisão.
Se for bem sucedido, o pool de empresas espera incentivar os governos a adotar e promover novas abordagens tecnológicas para tornar a agricultura mais sustentável, em vez de limitar o tamanho dos rebanhos.

A produção de leite no Leste Europeu também entra no seu declínio sazonal, mas muitas áreas da região enfrentam secas severas, prejudicando o desenvolvimento de culturas e a produção pecuária. Regiões agrícolas da Polônia, Eslováquia, Hungria, Romênia e Ucrânia estão com déficits de água, e em alguns lugares os cursos d’água secaram. A escassez de água e ração pesa no bolso dos produtores.
À medida que a colheita de grãos avança na Ucrânia, negociações entre a Ucrânia e a Rússia estabeleceram um acordo para que as cargas de grãos retidas fossem liberadas para fora do Mar Negro. O acordo foi intermediado pela Turquia e as Organizações das Nações Unidas (ONU) para trazer algum alívio para regiões do mundo que enfrentam a escassez e a fome devido ao bloqueio e aos preços elevados dos grãos.
Após o acordo, mísseis russos atingiram a cidade portuária de Odessa, preocupando a manutenção do frágil tratado. Entretanto, os primeiros navios deixaram o porto no final da semana, dando alguma esperança de que os grãos serão transportados. Existem inseguranças em relação às rotas dos navios, e denúncias de que podem estar minadas. Com isso, a contratação de marinheiros para fazer o transporte de grãos está sendo mais difícil. As empresas buscam escoltas navais e fazem seguros para proporcionar segurança física e financeira.
Enquanto isso, analistas observam que a reabertura das rotas marítimas pode levar algum alívio aos preços. Mas outros acreditam que os preços permanecerão elevados. Os embarques de grãos também são importantes para toda a Europa, já que na elaboração de rações para animais leiteiros entram quantidades significativas de trigo e milho cultivados no cinturão dos grãos do Leste Europeu.

Fonte: Usda – Tradução Livre: Terra Viva
















