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Especiais Selectus nº 6434

Os Preços mundiais dos alimentos caem em julho

Índices FAO – O Índice de referência dos preços mundiais dos alimentos (FFPI) recuou significativamente em julho. Os índices dos cereais e óleos vegetais registraram baixa de dois dígitos.

Fonte: Fonte: FAO – Tradução livre: Terra Viva | Foto de capa: Terra Viva
Os Preços mundiais dos alimentos caem em julho

Este foi o anúncio feito no dia 05 de agosto de 2022 pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

O FFPI se estabeleceu em 140,9 pontos em julho, representando baixa de 8,6% em relação a junho. É a quarta queda mensal consecutiva, desde que atingiu o nível mais alto já registrado, no início do ano. O índice, que acompanha a evolução mensal dos preços internacionais de uma cesta de alimentos negociados do mercado mundial, no entanto, permanece 13,1% superior ao índice de julho de 2021.

“A queda dos alimentos, que havia atingido os maiores níveis, é positiva, em particular do ponto de vista do acesso aos alimentos; entretanto, inúmeras incertezas permanecem, especialmente em relação aos elevados preços dos fertilizantes e o potencial impacto que eles representam na produção e nos meios de subsistência dos agricultores no futuro. As perspectivas econômicas mundiais são sombrias e as flutuações das taxas de câmbio ameaçam seriamente a segurança alimentar mundial”, afirmou  o economista-chefe da FAO, M. Maximo Torero.

Os Preços mundiais dos alimentos caem em julho

Índices

O Índice FAO dos preços dos cereais cedeu 11,5% no mês de julho, mas continua 16,6% acima do valor de julho de 2021. Os preços de todos os cereais representados no índice caíram. A queda mais acentuada foi relativa aos preços mundiais do trigo, (-14,5%) em reação ao acordo concluído entre a Ucrânia e a Rússia estabelecendo o desbloqueio dos principais portos do Mar Negro e pelo fato de estarem chegando as disponibilidades sazonais relacionadas às colheitas em curso no Hemisfério Norte. Os preços mundiais dos cereais secundários recuaram 11,2% em julho, sendo que o do milho cedeu 10,7%, movimento decorrente do acordo relacionado ao Mar Negro, bem como pelo crescimento das disponibilidades sazonais na Argentina e Brasil. Os preços internacionais do arroz também registraram sua primeira baixa em 2022.

Os Preços mundiais dos alimentos caem em julho

O Índice FAO de óleos vegetais cedeu 19,2% em julho, chegando ao seu nível mais baixo em 10 meses. As cotações de todos os tipos de óleo caíram, em razão das abundantes disponibilidades exportáveis previstas de óleo de palma na Indonésia, da colheita abundante de óleo de colza e de uma demanda fraca para o óleo de soja. Os preços do óleo de girassol apresentaram uma baixa acentuada, dentro de um contexto de demanda mundial de importação limitada, apesar das incertezas persistentes em relação à logística na região do Mar Negro. A queda nos preços do petróleo bruto também empurrou os valores dos óleos vegetais para baixo.

O índice FAO do preço do açúcar perdeu 3,8% desde junho, diante de grandes inquietações relativas à demanda futura levando em conta um novo enfraquecimento da economia mundial esperado em razão da fraqueza do real brasileiro e de uma baixa nos preços do etanol, podendo ocorrer uma produção de açúcar mais importante do que a prevista no Brasil. As informações indicam uma alta das exportações e perspectivas de produção favoráveis na índia, contribuindo também para pressionar para baixo os preços mundiais do açúcar. O tempo quente na União Europeia (UE) que lança incertezas sobre os rendimentos do açúcar de beterraba impediu que a queda fosse mais acentuada.   

O Índice FAO do preço da carne recuou 0,5% em julho na comparação com junho, diante do enfraquecimento da demanda de importação de carnes bovina, ovina e suína. Em compensação, os preços internacionais do frango atingiram os maiores níveis de todos os tempos, em razão de uma sólida demanda mundial de importação e do aperto da oferta, dada às epidemias de gripe aviária no Hemisfério Norte.

Índice FAO dos Preços dos Lácteos

O Índice FAO dos preços dos produtos lácteos cedeu 2,5%, sob efeito de uma fraca atividade dos mercados, mas ainda assim, ficou 25,4% superior ao valor de julho de 2021. Os preços dos leites em pó e da manteiga caíram, enquanto que os dos queijos ficaram estáveis, sustentados pela demanda de destinos turísticos europeus. O Índice FAO dos produtos lácteos ficou em 146,4 pontos em julho, 3,8 pontos menor do que em junho, mas 29,7 pontos a mais em relação ao índice do mesmo mês do ano passado. No mês de julho, as cotações internacionais do leite em pó desnatado sofreram a maior baixa, seguido pela manteiga e pelo leite em pó integral, principalmente pelo fato de ter ocorrido uma atividade muito fraca no mercado da Europa devido às férias de verão. Por outro lado, a maior parte dos compradores já estão bem abastecidos para suas necessidades imediatas, o que junto com a fraca demanda da China e o elevado patamar de preços, impactaram no mercado spot do leite, o que foi espelhado nas cotações internacionais. Apesar de uma atividade comercial global fraca, os preços dos produtos lácteos estão sendo mantidos em níveis muito elevados, porque a oferta mundial é limitada.  

Os Preços mundiais dos alimentos caem em julho

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