Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Especiais Selectus nº 6435

Argentina – Produção leiteira: dicas para gerar um preço mais competitivo

Produção/AR – No mês de junho de 2022, o produtor de leite recebeu, em média, AR$ 47,81/litro, o equivalente a US$ 0,37/litro, o mais alto, em dólares oficiais, dos últimos seis anos.

Fonte: Fonte: La Nación – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by João Guimarães on Unsplash
Argentina – Produção leiteira: dicas para gerar um preço mais competitivo

Em pesos, este preço foi 0,3% menor do que o do mês de maio de 2022 e 6,7% menor do que o de junho de 2021.

Se for adicionado a esta situação o aumento de custos que ocorreu ao longo de todo o primeiro semestre, a equação da rentabilidade sofreu clara deterioração nos últimos meses. Não é esperado que os preços atuais gerem uma situação positiva para o produtor, mesmo porque o valor em dólar está distorcido em decorrência da defasagem cambial.

Mas além da análise pontual de preços realizada neste momento, os produtores devem conhecer quais são as principais variáveis que afetam o mercado lácteo para anteciparem seus movimentos e procurar aumentar o poder de venda de seu produto. Em geral, o preço pago ao produtor primário é muito sensível ao que ocorre com a oferta e a demanda de matéria prima.

A oferta está adequada à produção de leite, mas existem estoques em poder das indústrias. Sabe-se que o aumento ou queda do volume de leite cru ofertado gera pressão para baixo ou para cima no preço do leite ao produtor. Um exemplo desta situação foi a que ocorreu no segundo trimestre de 2016, quando a produção caiu 16,1% em relação ao mesmo período de 2015, resultando em aumento de 42,6% entre março e junho de 2016.

Na Argentina, a produção de leite durante os primeiros seis meses de 2022 foi 1% superior à do mesmo período de 2021. Os sistemas de produção, que possuem forte participação de pastagens na alimentação do rebanho, somado às parições que ocorreram no outono, entramos em um período onde a oferta de leite começa a aumentar. De acordo com os próximos dados, é preciso esperar, nos próximos meses, que o preço pago ao produtor perda frente à inflação.

Variáveis

Ao analisar a demanda, o primeiro que se deve olhar é a comercialização dos produtos lácteos da Argentina. A primeira grande divisão é entre mercado externo e mercado interno.  

Argentina – Produção leiteira: dicas para gerar um preço mais competitivo

O setor lácteo argentino começou a ter importância no mercado internacional no início da década de 2000 e hoje é o sexto exportador de produtos lácteos ao nível mundial.

Historicamente, sempre se disse que o mercado internacional demandava 20% da produção. No entanto, em 2021, devido aos bons preços internacionais e à melhora na produção de leite da Argentina, este mercado alcançou quase 24,4%.

Também é muito importante conhecer quais produtos exportamos e sua relação com o preço pago ao produtor. Quanto mais valor agregado incluído nos embarques, melhor o preço que receberá o produtor.

Durante os últimos dois anos, a participação dos leite em pó sobre o total exportado foi de 52%, enquanto que a participação dos queijos foi de 22% e de outros produtos, 26%. Somente durante o período 2016-2019, a participação dos leites em pó nas exportações foi menos de 50%; isto significou que, em termos comparativos, os produtos exportados foram de maior valor agregado nesse período em comparação com o período atual.

Tendência

Os produtores de leite que vendem para indústrias cujo principal destino de comercialização é o mercado externo devem seguir este indicador, bem como acompanhar o preço dos produtos lácteos no mercado internacional.

Por exemplo, no mês de julho deste ano as commodities lácteas tiveram queda em suas cotações no mercado mundial. Se for tomado como referência o leite em pó integral, que representa 37% das exportações, a queda foi de 7% em comparação com junho. Esta informação marcaria um cenário negativo para o preço ao produtor.

Em 2021, o restante 75,6% do leite teve como destino o mercado interno e em sua grande maioria (94%) o principal canal de comercialização foi a venda no varejo.

Analisar o que está ocorrendo com o salário e o consumo do país é importante para poder compreender o comportamento do preço pago ao produtor.

Outras questões importantes quando se trata de entender a demanda interna é ver quais produtos são produzidos pela indústria que capta o leite. Se for a fabricação de sobremesas lácteas, será uma situação muito distinta de um outro produtor que esteja vinculado a uma pequena indústria queijeira.  

Os salários estão intimamente relacionados com o que os consumidores podem comprar. Uma queda em termos reais afetará principalmente a empresa que produz sobremesas lácteas, pois é um produto destinado a um público de alto poder aquisitivo. Isto seguramente reduzirá a capacidade de pagar o produtor.

Estas são algumas das variáveis que, como produtores, devemos observar e que podem gerar um preço mais competitivo. Há sete anos que o setor conta com um volume de dados interessante, primeiro coletados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca e depois da criação do Observatório da Cadeia Láctea Argentina, e que podem fornecer informações na hora de negociar um preço.

Além de se informar, existem outras estratégias que hoje muitos produtores já estão utilizando para conseguir um preço melhor, como, por exemplo, venda conjunta do leite para conseguir maior volume, ou produzir leite com um maior teor de sólidos para melhorar sua composição. Existem muitos caminhos a serem percorridos em relação à comercialização e à transparência do mercado leite, mas já se começam a ver exemplos positivos em várias bacias leiteiras do país.

Acesse aqui a matéria na íntegra.  

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients