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Especiais Selectus nº 6435

Espanha – Aumenta abate de vacas leiteiras: “Em outubro pode não ter leite”

Produção/Espanha – Desde março, os produtores de leite na Catalunha tiveram que sacrificar 2.000 vacas “pela crise dos preços pela qual passa o setor”, segundo denunciado pela Unió de Pagesos, que culpa a grande distribuição e suas marcas próprias pela situação, denunciam os pecuaristas.

Fonte: Fonte: Portalechero - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Megumi Hachev on Unsplash
Espanha – Aumenta abate de vacas leiteiras: “Em outubro pode não ter leite”

Uma situação que não é exclusiva da Catalunha, mas que ocorre em toda a Espanha, avisando que este sacrifício de vacas está reduzindo sensivelmente a produção de leite e possivelmente haverá escassez em um futuro muito próximo, alertam. “Se isto continuar podemos chegar a outubro ou novembro com escassez de leite, e não haverá leite nos supermercados para comprar”, adverte ao jornal The Objetive, Adoración Martín, responsável pela pecuária leiteira na entidade Unión de Uniones de Agricultores y Ganaderos (UYU).

Da mesma forma se pronunciou Marc Xifra, o responsável pela pecuária de leite da Unió de Pagesos Catalã: “Como vão as coisas, estamos vendendo carne em vez de produzir leite, o que pode resultar em muito pouco leite em setembro”, adverte.

Segundo o último boletim de declarações obrigatórios de leite de vaca publicado pelo Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação, a produção de leite de vaca em junho, a nível nacional, foi 2,71% menos em relação a junho de 2021. Quanto ao acumulado, a produção alcançou 3.772.872 toneladas no primeiro semestre do ano, o que representa produção 0,83% menor do que a acumulada nos primeiros seis meses do ano passado.

Além disso, o boletim destaca que o número de pecuaristas que continuam entregando leite continua caindo: em junho de 2022 foram 11.040; 778 menos que em junho de 2021.

Quanto ao sacrifício de vacas, segundo os últimos dados do ministério, o número total de bovinos enviados  para corte em 2022 aumentou 7% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda que não seja especificado o motivo do descarte, os pecuaristas alegam que são vacas vendidas pela impossibilidade de mantê-las na produção.

Uma situação que afetará não somente o futuro próximo, mas também a médio prazo, pois os animais sacrificados agora não serão repostos.

“O problema está na grande distribuição”

Os pecuaristas de toda a Espanha concordam que a culpa é da grande distribuição que utiliza o leite como produto reclamo e, portanto põe um preço demasiado baixo porque sabem que compensarão a perda com outros produtos comprados pelos clientes, e assim pagam ao produtor um valor que não cobre os custos de produção.

Em 2021, antes da inflação disparar e haver a elevação de forma notável dos preços, os pecuaristas já denunciavam que as grandes cadeias de distribuição vendiam o leite abaixo do preço mínimo que deveria estabelecer para cobrir os custos da fazenda ao ponto de venda. Segundo explica Xifra a este jornal, o preço em 2021 deveria ser de € 0,75/litro, no mínimo, algo que não é cumprido pela maioria dos estabelecimentos, que marcavam um preço a menos de € 0,6/litro.

Atualmente o leite de marca própria está em torno de € 0,80/litro, mas os pecuaristas asseguram que não receberam o suficiente e menos para conseguir alguma renda. “Desde setembro do ano passado o leite de marca branca no supermercado subiu € 0,21, e nós os pecuaristas recebemos € 0,10/litro. Onde estão os 11 que faltam?”, denuncia Adoración Martín.

De todas as grandes redes de distribuição, tanto Martín como Xifra e as organizações que representam destacam a Mercadona como a principal culpada pela situação que vivem. “É a principal cadeia de distribuição de leite de marca própria, a principal responsável, por isso nos manifestamos na frente da Mercadona”, destacou Martín. O motivo, é que possui a maior cota do mercado de leite fluido na Espanha.

“As grandes superfícies como Mercadona nos levaram ao modelo das macro fazendas, porque é a única forma de produzir mais barato, mas eles queriam que fosse tão barato que já não é rentável nem para macro nem para micro”, denuncia Xifra.

Acesse aqui a matéria na íntegra.  

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