Argentina – Queda do preço e defasagem cambial impactam a indústria exportadora de lácteos
Exportação/AR – O preço internacional do leite em pó voltou a cair no último GlobalDairyTrade (GDT), e o poder de compra teórico das indústrias exportadoras se distancia do preço que estão pagando aos produtores.

O preço do leite em pó integral, principal produto de exportação da cadeia láctea argentina, acentuou sua queda no último GDT. O valor da tonelada ficou em US$ 3.444, 6,1% abaixo dos US$ 3.757 de 15 dias antes, quando já havia caído 5% em relação ao evento anterior. Muito longe de cotações acima de US$ 4.500 alcançadas em março passado, e que registraram os maiores valores do produto desde 2013.
Indústria em cheque
Segundo o Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), o quadro mostra um dado positivo: o valor médio dos últimos 12 meses alcança US$ 4.026 a tonelada, e é o mais alto desde 2013 (US$ 4.677).
Por enquanto, o OCLA afirma: “o valor se mantém atrativo para os exportadores, já que fica também acima da média histórica que está em torno de US$ 3.256 em uma série de 14 anos e em US$ 3.079 na série dos últimos sete anos”.

O problema é que estes US$ 3.544 determinam o poder de compra teórico das indústrias, e este seria de AR$ 41 por litro de leite cru, quando o valor que está sendo pago aos produtores está perto de AR$ 50.
“Tudo isso devido à forte defasagem cambial, a vigência dos direitos de exportação e a redução nas restituições de impostos”, explica o OCLA.
Nestas condições, calcula-se que “se fossem eliminadas as retenções e retornassem as restituições de impostos, o poder de compra ficaria em AR$ 48 o litro de leite. Ainda seria necessário fazer algum ajuste no câmbio para que o poder de compra fosse suficiente para pagar os produtores”.
Leite em pó
Outra commodity importante para a Argentina que entrou em um tobogã. Depois de chegar ao seu maior valor desde 2013, o principal produto de exportação da cadeia láctea começou a descer e retrocedeu a valores do final de 2021. No entanto, seguem sendo preços altos em termos históricos.
Assim como ocorreu com a soja e o trigo, o preço internacional do leite em pó integral entrou em um tobogã nos últimos meses, confirmando que a nova onda altista ocorrida no início de 2022 deveria terminar, ou pelo menos dar uma trégua. É preciso lembrar que em março a cotação chegou perto de US$ 5.000, o maior patamar em nove anos, para depois cair para menos de US$ 4.000.

Se bem que o leite não tenha o mesmo peso dos grãos e seus derivados para a geração de divisas, a cadeia láctea é uma das que mais dólares gera dentro do complexo exportador argentino.
Entre janeiro e maio, exportou US$ 552 milhões, 30,2% mais do que no mesmo período de 2021, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC). Desse total, o leite em pó foi responsável pela metade: US$ 280 milhões.
















