Bem estar animal e seus benefícios
Bem estar animal e seus benefícios - A busca pelo bem-estar dos animais é uma tendência que vem crescendo bastante nos últimos anos.

Com o avanço em pesquisas e em tecnologias no setor lácteo, cientistas perceberam que, cuidando bem do gado, a produtividade, a reprodução e a rentabilidade são impactadas positivamente.
Entre alguns desses cuidados necessários para que o bem-estar animal seja atendido, destacamos alguns que precisam ser considerados. São eles:
Aquecimento Global e produção de leite
Pesquisa publicada na Revista Dairy Science mostra que existem conexões entre as mudanças climáticas causadas pelo homem e o estresse térmico do gado. Nesse processo, ao analisar como as vacas se comportavam nesse ambiente de temperatura mais elevada, perceberam que elas comem menos quando estão com calor — fator que pode resultar em uma queda de entre 50% e 70% na produção de leite.
Vacas expostas a altas temperaturas apresentam maior nível de insulina, além de comer e beber menos. Apesar de algumas espécies serem mais adaptáveis a climas mais quentes, as temperaturas elevadas resultantes do aquecimento global surgem como um grande desafio para o setor.
A forma encontrada para diminuir os efeitos dessas temperaturas no gado foi o ajuste na alimentação dos animais, com a utilização de uma mistura especial de ácidos orgânicos e vegetais puros. Esse alimento auxilia os intestinos das vacas a ficarem menos permeáveis,o que possibilita melhora no apetite e aumento na produção de leite. Além disso, criação de corredores agroflorestais na propriedade, controle de temperatura da água do gado, plantação de mudas a cada três metros do pasto e construção de espaços para proteção do sol são ações que, feitas corretamente, poderão garantir o bem-estar dos seus animais e evitar a perda de bilhões de dólares relacionados a vacas estressadas pelo calor.
A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) é uma estratégia de produção que vem crescendo no Brasil nos últimos anos e age diretamente no conforto animal e,consequentemente, na rentabilidade da atividade agropecuária leiteira. Trata-se da utilização de diferentes sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área e pode ser utilizada em quatro possíveis modalidades: Integração lavoura-pecuária (ILP) ou sistema agropastoril; Integração lavoura-floresta (ILF) ou sistema silviagrícola; Integração floresta-pecuária (ILP) ou sistema silvipastoril.
Através desse processo é possível garantir que a terra produza mais e - o que é mais importante - com sustentabilidade econômica, ambiental e social. Do ponto de vista ambiental, garante a fixação do carbono, favorece a amenização de temperatura e aumento da umidade e a velocidade do vento que seca o pasto.
Para ter acesso à matéria da Revista Dairy Science na íntegra, basta clicar aqui.
Investimento em técnicas, medicamentos e tecnologias e treinamentos para gado
A mastite é um processo inflamatório na glândula mamária das vacas que, de modo geral, é resultado da falta de atenção, de um manejo adequado e displicência com a saúde do animal, com o ambiente, ordenha e com o local de descanso do gado. Nesse contexto surge, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e na Universidade Federal Rural do Semi Árido (UFERSA), um grupo de pesquisadores que criou um produto que é capaz de prevenir infecções mamárias em caprinos e bovinos.
Outro exemplo é o sistema Balde Cheio, que é uma metodologia de transferência de tecnologia que tem por intuito capacitar profissionais da assistência técnica, extensão rural e pecuaristas em técnicas, práticas e processos do campo, sejam agrícolas, zootécnicos, gerenciais ou até ambientais.
As pesquisas que têm sido desenvolvidas ultimamente e também a abordagem delas e de tantos outros fatores técnicos vêm sendo conduzidas com excelentes resultados pela equipe da Embrapa de São Carlos - SP, que ao longo de mais de 20 anos leva aos produtores um exemplar sistema de gestão da propriedade produtora de leite, conhecido como sistema Balde Cheio.
Raças que melhor se adaptam em diferentes regiões e climas
Cada espécie se adapta a um tipo de clima e respeitar essas limitações é importante para que os animais vivam bem e, consequentemente, produzam bem.
Nesse sentido, a escolha dos animais que formarão o rebanho é fundamental. Essa definição depende diretamente do sistema de produção que será adotado, do gerenciamento desta produção será feito na fazenda e da região que a fazenda se encontra.
O tipo mais comum no sistema leiteiro é a Raça Holandesa. Conhecida por ser uma das mais produtivas na produção de leite (de 6 a 10 mil kg em 365 dias de lactação), podendo gerar 62kg/dia, essa raça precisa de um conforto maior e possui dificuldade de adaptação a regiões de clima quente ou com pastagens sazonais.
Outra espécie de destaque é a Raça Jersey. Vista como a mais precoce, essa raça produz lucro com a venda de leite mais cedo que outras espécies. Por ser mais tolerante ao calor, a raça Jersey é comum em quase todos os países produtores de laticínios.
Temos também a Raça Girolando, que é o resultado do cruzamento de Gir com Holandesa. Sua produção média de leite é 5.,061 a 5671 kg em 365 dias (alta produção). Além disso, ela possui a capacidade de se adaptar a diferentes tipos de manejo e de clima, dado seu poder de auto-regulação de temperatura corporal. Dessa forma, ela consegue produzir em alto nível mesmo nas condições tropicais brasileiras.
O Gir Leiteiro é uma espécie que se adapta bem a baixas temperaturas e umidade do ar e possui grande capacidade de converter pastagem em leite (tornando o custo de atividade mais baixo dentre os animais confinados). De grande porte, produz em média 3254 kg em 365 dias.
E outra raça característica do sistema leiteiro é o Pardo Suíço, espécie com boa produção de leite e é reconhecida por sua capacidade de adaptação principalmente em regiões de climas mais quentes.
















