Reino Unido – Não há tempo para comemorar: a nomeação da nova primeira ministra vem com extenso portfólio de problemas
Reino Unido – O Reino Unido acordou na manhã de 7 de setembro com um novo líder e a esperança de que o próximo governo tome medidas imediatamente para aliviar o custo de vida que atinge gravemente os consumidores e coloca a indústria em risco.

Depois do primeiro discurso de Liz Truss como Primeira Ministra do Reino Unido, Walid Koudmani, analista de mercado da corretora XTB, observou que a libra “recuou um pouco” em relação ao dólar, no entanto “os investidores nacionais e estrangeiros observam o desenrolar das ações com muita atenção”.
O foco está firmemente direcionado sobre o plano da energia.
“É provável que o congelamento dos preços de energia em torno de £ 2.500 por ano tenha um custo para o erário público de mais de £ 100 bilhões”, disse Koudmani.
As crises a serem enfrentadas pela Primeira Ministra são:
- Energia
O efeito cascata dos preços descontrolados da energia eleva os preços dos alimentos, colocando milhões de consumidores em risco.
De acordo com o Programa Alimentar Mundial, o número de pessoas com insegurança alimentar aguda mais que triplicou entre 2017 e 2021, podendo aumentar em 17% em decorrência do conflito na Ucrânia.
A indústria de alimentos também corre o risco de entrar em colapso. Pequenas e médias empresas que estavam se recuperando da pandemia, enfrentam agora desafios maiores e até a falência, com os crescentes custos de gás e eletricidade.
- Estratégia Alimentar Nacional
Diversas entidades de classe, inclusive a Provision Trade Federation (PTF), enviaram uma carta ainda na segunda-feira pedindo revisão da Estratégia Alimentar Nacional. “Estamos preocupados com as pressões enfrentadas pela indústria de alimentos e bebidas”, disse o diretor da PTF, Rod Addy.
“A situação é tão séria que não podíamos esperar o primeiro-ministro, e a nomeação de seu gabinete”.
- Óleo em turbulência
A eletricidade disparou 214%; o gás 207%; o combustível, 44%. Os custos dos ingredientes também saltaram 41%.
O óleo de girassol – ingrediente fundamental para os setores de panificação e salgados, foi severamente afetado pelo conflito.
“Os agricultores ucranianos plantaram apenas 50% da área habitual destinada ao girassol a ser colhido em novembro” disse David McDiarmid, do Princes Group.
“A situação, em geral, continua incerta, dependendo do que será possível colher em novembro, mas a Edible Oils Limited está confiante de que o óleo de girassol continuará disponível, mas também poderá oferecer alternativas aos clientes e consumidores, como óleos de colza e milho...”
A Ucrânia e a Rússia são os maiores fornecedores de óleo de girassol, então o impacto é global.
- Mudanças climáticas
Combustível, eletricidade, gás, petróleo, trigo e mão de obra não são os únicos desafios para o Primeiro Ministro. Em sua agenda está evidente a mudança climática – muito evidente no clima que atinge o Reino Unido, e também o resto do globo.
“Embora tenhamos dado passos recentes – como a introdução da Lei do Meio Ambiente – as políticas governamentais precisam ser muito mais ambiciosas se quisermos reverter essas tendências e atingir as metas de emissões Zero”, disse Nick Henson, diretor associado da Biocensus.
“Isso é particularmente importante em tempos de dificuldades econômicas, quando haverá uma tentação maior de fornecer estabilidade econômica e crescimento às custas do meio ambiente.
- Enquanto isso, na Escócia...
Em resposta ao recém-publicado Programa do Governo Escocês para 2022-23, o CEO da FDF Scotland, David Thomson disse: “Conter os aumentos de preços tornou-se quase impossível para a indústria de alimentos e bebidas, apesar dos melhores esforços de nossas empresas. É ótimo ver que o governo escocês se comprometeu a trabalhar com as empresas para identificar maneiras de ajudar a lidar com a inflação. Mas é decepcionante, no entanto, ver que pretende apresentar um projeto de lei para restringir as promoções de comida e bebida”.
















