Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Especiais Selectus nº 6459

Argentina – Cadeia láctea: agrava a informalidade

Produção/AR – A produção de leite na Argentina atravessa um período de queda que começou em julho, continuou em agosto e é provável que assim encerre o ano.

Fonte: Fonte: ámbito - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Daniel Sinoca on Unsplash
Argentina – Cadeia láctea: agrava a informalidade

É acentuada a desaceleração no crescimento interanual da produção e nos próximos meses se apresenta um panorama incerto com o clima como um grande protagonista.

Os problemas na atividade são macroeconômicos e impactam tanto o mercado interno como o externo. Embora pareça repetitivo, o controle de preços, a queda no consumo interno, a defasagem cambial e a pressão tributária estabelecem um teto para a cadeia produtiva, que tenta, cada vez que pode, aproveitar as oportunidades do mercado mundial.

Segundo o boletim lácteo do mês de setembro elaborado pelos grupos CREA, a produção de leite acumulada até o mês de julho foi de 6.233 milhões de litros, o que representa um discreto aumento de 0,7% em relação ao mesmo período de 2012. Este ano pode terminar com uma produção 0,5% acima da do ano passado, ou seja, quase não haverá crescimento.

Jorge Giraudo, diretor executivo do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), explicou ao Ámbito que “este ano começou com muito calor e seca, afetando a produção de pasto, feno e silo. Se forem registradas chuvas nos próximos meses poderá recuperar um pouco mais a atividade mas, os prognósticos climáticos não são alentadores”.

Quanto ao preço médio pago ao produtor, as cifras oficiais informadas pelo SIGLEA indicam que foi pago para cada litro de leite, 50,5 pesos, o que representa aumento de 5,6% em relação ao mês anterior. Pelo terceiro mês consecutivo o incremento fica abaixo da inflação, portanto está havendo uma perda de competitividade pelo setor primário, que se agrava com a elevação dos custos de produção.

A comparação interanual (julho de 2021 x julho de 2022) o valor do leite pago ao produtor é ainda pior: aumento de 57,1% em pesos, enquanto que a inflação foi de 71%.

Informalidade

Fernando Córdoba, presidente da Câmara de Produtores de Leite da Província de Santa Fé (METROPOL SAFE) confirmou essa situação e detalhou ao Ámbito que pela produção de agosto receberam 52 pesos, mas segundo seus cálculos, para se ter uma rentabilidade o valor deveria ser acima de 56 pesos.

A maioria das indústrias consegue cobrir seus custos, mas a rentabilidade não atinge suas expectativas. Segundo Giraudo, quando valorizamos os custos de produção e calculamos o custo de oportunidade do capital, a rentabilidade deveria ser de 5%,. Mas hoje é de 2%”. De qualquer forma, o maior problema que tem o setor lácteo atualmente e que impacta em toda a cadeia é a informalidade. Não é algo exclusivo do setor lácteo, esta situação ocorre no setor de carne e de farinhas, para mencionar os casos vinculados ao varejo.

Para compreender o porquê do crescimento da informalidade, vale a pena analisar qual é o comportamento do mercado interno: segundo os últimos dados oficiais, as vendas em junho de 2022 foram levemente inferiores às do mesmo mês do ano anterior, mas 4,6% menores que a média dos últimos 5 anos.

Córdoba explicou que “o consumo é cada vez mais precário e são comprados os produtos de menor valor agregado”. A mesma situação ocorre nas indústrias consultadas por Ámbito ao comentar que “já não são comprados produtos de qualidade, como sobremesas e iogurtes''. Os produtos são de menor qualidade porque são feitos à base de soro, mas é o que o mercado pode pagar”.

Com queda nas vendas, os pequenos varejos, armazéns e mercearias ganharam protagonismo nos últimos tempos dentro do negócios dos lácteos, porque oferecem queijos e alguns outros produtos a preços mais baixos em comparação com as grandes redes de distribuição. Essa situação ocorre pela marginalidade com a qual operam alguns atores de todos os elos dentro da cadeia. Existem empresas do setor que em maior ou menor medida compram parte da produção de maneira informal e isso logo chega às gôndolas. Parece que é a solução que muitos encontram para que o leite e o salário tenham um ponto de encontro e o consumo de leite não mostre indicadores negativos.   

Acesse aqui a matéria na íntegra

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients