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Especiais Selectus nº 6464

Argentina – Pesquisadores do INTA conseguem aprovação para a primeira vacina contra Leucose Bovina

Leucose/AR – Depois de uma década de pesquisas, especialistas do Instituto de Virologia do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) Castelar da Argentina, conseguiram a aprovação da primeira cepa vacinal contra a Leucose Bovina, uma enfermidade viral presente em mais de 90% das fazendas leiteiras, que ocasiona linfossarcoma – um tipo de câncer – em sua forma mais letal.

Fonte: Fonte: Bichos de campo – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Photoholgic on Unsplash
Argentina – Pesquisadores do INTA conseguem aprovação para a primeira vacina contra Leucose Bovina

Através da Disposição 01/2022 o secretário de Alimentos, Bioeconomia e Desenvolvimento Regional, Luis Gustavo Contigiani, autorizou a comercialização do "Vírus da Leucose Bovina geneticamente modificado BLVDX6073 solicitada pelo INTA, organismo descentralizado da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca do Ministério da Economia”.

Esse experimento – que representa o trabalho coordenado entre especialistas do Instituto de Virologia de Castelar, da Estação Experimental Agropecuária Rafaela em Santa Fe e de especialistas da Universidade belga de Liege – constitui o primeiro de seu tipo no mundo, já que até agora não existia nenhum tratamento para esta enfermidade, e representa um marco, pois é a primeira vez na Argentina que um vírus modificado terá aplicação direta, e sua liberação comercial foi aprovada.

A proposta deste projeto – cujo desenvolvimento teve como especialista responsável a diretora do Instituto Karina Trono – consiste em uma cepa atenuada do vírus que impede a infecção do animal com a cepa selvagem – aquela que desenvolve o linfossarcoma – e em consequência o desenvolvimento de enfermidades em sua forma mais grave.

“O que fizemos foi tentar adaptar o que passa na natureza com uma ferramenta biotecnológica. Esta enfermidade é uma que afeta quase todas as vacas de leite e grande parte do rebanho de cria segundo estamos descobrindo. Por ter esta características de ser tão silenciosa, o produtor não vê. Foram muitas tentativas para fazer vacinas tradicionais, todas as estratégias clássicas, mas pela característica da enfermidade tivemos que pensar em algo novo. Aí modificamos o vírus levando-o a um potencial reduzido. Com uma estratégia de mais longo prazo, mas de mais eficácia, poderemos reduzir o índice da infeção”, disse Trono durante a apresentação da vacina.

“Esta cepa não somente será mais benigna, mas será inócua e vai gerar um bem-estar ao longo do tempo”, acrescentou.

O vírus da Leucose Bovina (BLV) é um retrovírus que se desenvolve em três formas patológicas possíveis: um curso assintomático, linfocitose persistente ou linfossarcoma. Uma vez infectado, o animal começa a mostrar uma reação sorológica e torna-se portador por toda a vida.

A infecção pelo BLV, que se encontra disseminada em todo o mundo e foi classificada pela Organização Mundial de Saúde Animal como uma enfermidade de importância para o comércio internacional, é considerada silenciosa com um impacto de 10% de mortandade e uma redução das capacidades produtivas e reprodutivas. É importante esclarecer que não é uma enfermidade zoonótica.

“Há 20 anos as fazendas leiteiras nos mandavam amostras de sangue e a positividade rondava entre 2 e 3%. Há cinco anos já estava entre 80 e 90%. Hoje, diretamente não nos mandam porque paulatinamente a maioria se infectou e deixou de fazer os diagnósticos. Faz 25 anos, quando comecei a trabalhar, existia um documento do SENASA que indicava que um rebanho era “livre de Brucelose, Tuberculose e Leucose Bovina”. A certa altura a Leucose foi riscada porque a maioria dava positivo”, disse a Bichos de Campo Fernando Luna, veterinário e gerente de Diagnóstico no Laboratório CDV.

“O que produz, principalmente, é uma imunossupressão porque atinge os glóbulos brancos. A vaca sem defesas, imunossuprimida, pega qualquer doença. E assim se contagia com picadas de insetos, agulhas, ou manejos inadequados. Antes eliminavam a vaca contagiada. Agora não se pode porque ficaria sem produção de leite”, acrescentou Luna.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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