Sabores aprovados pelos mineiros
Queijo - As milhares de pessoas que passaram pelo Festival do Queijo Artesanal de Minas de Leite Cru nos dias 23, 24 e 25 de setembro, no Parque de Exposição da Gameleira, em Belo Horizonte, reafirmaram que o queijo é, sim, um xodó dos mineiros e também de apreciadores de outros estados e países que buscam sabores e aromas que só ele tem, seja sozinho ou acompanhado das outras delícias presentes no evento.

A psicóloga Marcia Beatriz Magalhães é de BH, mas ainda não conhecia o evento e levou toda a família. “Encontrei queijos e azeites deliciosos. Vemos esses produtos na TV, mas é difícil encontrar nos supermercados, mesmo nos de alto padrão – e aqui tem tudo! Achei os queijos deliciosos, muito diferentes e com gosto e apresentação maravilhosos. O evento está lindo”. A neta Stela Magalhães, 10 anos, diz que não gosta muito de queijo, mas fez questão de experimentar para opinar. “Achei muito bom, comi um mais forte e um mais leve, tem cores e cheiros diferentes”.
Eugênio Vale e Jaqueline Melo já estavam com várias compras feitas quando pararam na praça de alimentação. Apreciador de queijos, ele acha fundamental a variedade de produtos. “São muitos expositores, então dá para se divertir muito”. Para Jaqueline, só mesmo em eventos assim para ter acesso a tantas opções. “Como boa mineira, a gente sempre aprecia um bom queijinho”, divertiu-se.
“O queijo é tudo de bom que existe e reconhecido no Brasil inteiro. Esse Festival é o maior evento do tipo no país, uma grande oportunidade para os produtores mostrarem seu trabalho e conversarem com os visitantes sobre toda a logística da produção”, afirma o superintendente de Relações Institucionais do Sistema Faemg, Altino Rodrigues Neto. Apaixonado por queijos, ele ressalta que esse é um momento muito interessante para os expositores, pois eles conseguem saber “o que precisam fazer para que esse consumidor fique feliz e continue comendo essa iguaria que é a cara do mineiro”.
Diversão e negócios
O Festival proporcionou bons momentos para quem estava dos dois lados dos balcões dos estandes. Para os visitantes, oficinas, pratos preparados por especialistas, delícias que vão bem com queijo, como doces, geleias, azeites, mel, cafés e bebidas diversas, além de música ao vivo e espaço kids. Para os queijeiros, rodadas de negócios, Seminário Técnico, Workshop Mercado de Queijos e curso de Queijista.
O Café Reserva da Serra, produzido em Campos Gerais, participou pela primeira vez do Festival com grãos, drinks e doces feitos com café. O produtor Bruno Duarte Rodrigues não poderia estar mais satisfeito. Com seu espaço dentro do Empório Sistema Faemg, ele ressaltou o grande apoio que a entidade oferece aos produtores, desde as capacitações até a participação em eventos. “Temos essa visibilidade e sempre fazemos novos negócios. Esse aqui é um evento 100% mineiro: tem queijo, café e doces”.
As irmãs Marcília e Mariza Araújo levaram cremes, chocolates, nibs e drageados de cacau para o Origem Minas, espaço do Sebrae. Elas são de Dionísio e cresceram com um pé de cacau no quintal da família. “Além da credibilidade que o espaço dá para a gente, aparecem muitas oportunidades de negócios. Já trocamos muitos contatos que não teríamos se não fosse por essa oportunidade”, disseram as criadoras da marca Cacau Dourado.
“O Festival foi concebido para divulgar, mais do que o queijo, as origens dos queijos. É uma oportunidade direta de contato entre o consumidor e os quase 80 expositores do evento”, explica o analista de Agronegócios do Sebrae, Ricardo Boscaro. Ele destaca que a oportunidade do cliente conhecer a história do produto diretamente do produtor gera uma conexão muito benéfica para os negócios. “Muitos querem saber onde encontram os produtos em suas cidades e pegam os contatos dos produtores para irem às fazendas visitar e comprar”.
Para Boscaro, o Festival não é só uma festa. “O visitante chega aqui e tem muito a aprender sobre o mundo do queijo. Os lojistas gostam muito também, porque conhecem produtos novos direto da origem. Temos aqui lojistas do Rio, de Brasília, de São Paulo e muitos do Nordeste. Esse ano também temos regiões novas participando, como Alagoa, Mantiqueira e Diamantina, o que também é uma grande oportunidade para eles”.
Queijeiros aprovam
Queijeiro com experiência de várias gerações, Ivair Oliveira, que produz o Queijo do Ivair em São Roque de Minas, na região da Canastra, participou de todas as edições do festival. Para ele, oportunidades como essas são portas para o produtor: “é aqui que ele conhece seus consumidores e futuros clientes, e troca informações entre produtores de queijos de regiões completamente diferentes uma da outra”.
O vice-presidente da Associação Mineira dos Produtores de Queijos Artesanais de Minas Gerais (Amiqueijo) e presidente da Associação de Produtores Artesanais de Queijo do Serro (Apaqs), José Ricardo Osólio, produz o Queijo do Vau desde 2016. “O principal do Festival, para mim, é que ele consegue trazer o lojista e aproximar o produtor e o consumidor final. Ele também melhora os relacionamentos com nossos companheiros e ainda promove workshops e eventos paralelos que enriquecem, trazem mais conhecimento e tecnologia”, enumerou.
“A principal importância do Festival do Queijo Artesanal de Minas é a aproximação dos produtores com o mercado consumidor”, reforça o presidente da Comissão Técnica do Queijo Minas Artesanal do Sistema Faemg, Frank Barroso. “É um diálogo em que eles têm a oportunidade de conversar com os consumidores sobre o mercado e ouvir sugestões, bem como um momento de aproximação com comerciantes de Minas e de outros estados”, acrescentou.
















