A produção de leite impulsiona o desenvolvimento das zonas rurais
Leite – Eduardo Schwerter, presidente da Federação Panamericana do Leite (Fepale), explicou que a produção de leite não somente significa entregar aos consumidores um bem de extraordinária qualidade e valor nutricional; mas que também implica gerar desenvolvimento nas zonas rurais, que são, em geral, as mais pobres dos países da região.

“É uma forma de unir o país, proporcionando recursos econômicos e trabalho digno nas regiões mais remotas. Por esta razão, devem ser desenvolvidas e adotadas políticas públicas para a cadeia láctea nos distintos países para que se possa produzir mais e melhor”, destacou.
Entre os dias 19 e 21 de outubro de 2022, Quito, Equador, foi a sede da décima sexta edição do Congresso Panamericano do Leite.
De acordo com Schwerter, o congresso foi uma oportunidade para reunir produtores, indústrias de laticínios, acadêmicos e representantes de governos para analisar a evolução do setor, como podem ser impulsionados avanços tecnológicos e de inovação; além de fomentar o conhecimento sobre o leite.
“O consumo caiu no início da pandemia, diversos canais foram atingidos pelas medidas de isolamento. Mas, rapidamente nos adaptamos a todas estas mudanças. Continuamos operando o setor lácteo como um setor primário dentro dos alimentos essenciais. O público consumidor assim o entendeu. Os níveis de consumo se regularizaram e inclusive houve aumento lento, mas sustentado”, explicou.
Neste contexto, Ariel Londinsky, secretário geral da Fepale, ressaltou que a indústria deve se preparar porque a demanda de produtos lácteos no futuro crescerá cada vez mais.
“Temos que buscar as melhores formas, não somente de aumentar a produção em litros, mas também cuidar da qualidade, da margem do produtor e da indústria. Tudo isto, naturalmente, junto com a preocupação de cuidar do meio ambiente”, acrescentou.
Mudanças nas preferências de consumo e avanços tecnológicos
Juan Pablo Grijalva Moreano, Gerente de Desenvolvimento Organizacional e Estratégia de Ordenha, que é uma referência equatoriana em impulsionar modelos de associativismo nas comunidades rurais, assegurou que, nos últimos dois anos e meio, vem crescendo fortemente o consumo e a demanda de leite deslactosado.
Historicamente, o leite integral é o produto mais solicitado, mas agora os consumidores têm mais preocupações com a saúde.
Além disso, cada vez é mais importante a diversificação da oferta, ou seja, inovar nos tipos de produtos e ampliar as opções de queijos, iogurtes, entre outros. Esta diversificação é vital não somente para o consumo interno, mas também para a exportação.
Conscientes disto, e tendo o leite não somente como um produto mas como uma cadeia de valor onde todos são importantes (desde a produção até o comércio) Grijalva Moreano destacou que a indústria trabalha para aproveitar os avanços tecnológicos de rastreabilidade, blockchain, entre outros.
Luta com as campanhas negativas
Schwerter lamentou que, através das redes sociais e outros meios, estejam sendo desenvolvidos ataques contra o consumo de produtos lácteos.
O presidente da Fepale assegurou que circula muita deturpação e desinformação, o que leva muitas pessoas a acreditar que os produtores de leite e o setor industrial de um modo geral não se preocupam com o meio ambiente e o bem-estar animal.
“Isto é uma falácia. Nós que vivemos e produzimos nos campos sabemos que é preciso cuidar do animal, é preciso mantê-lo saudável porque ao final se não estiverem em boas condições, tampouco irão corresponder com uma boa produção. Estamos produzindo um alimento fundamental para a humanidade. Por isso continuamos com a campanha “Sí a la leche”, que se baseia em evidências científicas”, acrescentou Schwerter.
Além das campanhas de informação, a Fepale ressaltou programas como o leite nas escolas no Equador, onde 2,9 milhões de crianças se beneficiam, não somente com o consumo de um produto de alto valor nutricional, mas que também contribui para uma menor evasão escolar.
















